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Na semana passada só deu Bolsonaro
Publicado em 21/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

No dia 18, quando apareceu nas redes sociais um texto, até então de autor desconhecido, cuja afirmação é forte e pesada, porém, se aproxima da realidade. “O país é ingovernável fora dos conchavos e que o atual governo é atípico e de comunicação amadora”. O presidente, ao ser interpelado sobre a afirmação, apenas se restringiu a dizer: “Só passei para meia dúzia de pessoas. Qualquer esclarecimento, perguntem ao autor”. É claro que a publicação foi interpretada de maneira diferente, pelo menos, por componentes do Centrão. Deputados próximos ao presidente afirmaram (blog da Denise, no Correio Brasiliense) que a mensagem foi vista como sinal de que Bolsonaro se sente acuado. Algumas lideranças partidárias consideram que o episódio mostra postura de confrontação com o Congresso. Elevou a tensão no Centrão. Vamos lá, pausa para meditação. Existe alguma novidade que há confronto direto entre o Congresso e a presidência da República? Ele não pode estar preocupado que até agora nada passou no Legislativo? A governabilidade não está a perigo? Existe algum exagero do autor (repito até então desconhecido) no que se refere à velha política do toma lá da cá? Isso não é conchavo? Ou será que vamos desconhecer que ninguém governa no Brasil sem o apoio do Legislativo? É o que acontece nos estados e municípios. Quando o povo elege, deputados federais, estaduais, senadores e vereadores, dando a maioria no voto, para os coligados com os governos, fica mais fácil e menos oneroso. Mas a sabedoria popular, embora tenha execrado alguns deputados e senadores e renovado o Congresso em 50%. Não deu carta branca ao presidente, porque não elegeu a maioria dos aliados. Aí sujou, como diz um samba do Bezerra da Silva. Tem que negociar. A velha política ainda não foi banida. Não adianta chorar o leite derramado. Certo?

A família Bolsonaro segue na mídia
Agora chegou a vez do senador Flávio. Após a Justiça determinar quebra de sigilo do filho mais velho do presidente veio outra bomba: "A Justiça do Rio ampliou a quebra do sigilo fiscal e bancário do senador Flávio Bolsonaro e do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz. A Receita também terá de encaminhar ao Ministério Público do Estado do Rio todas as notas fiscais de bens e serviços adquiridos entre 2007 e 2018 pelo senador, por Queiroz, mais seis pessoas e uma empresa que já tinham tido o sigilo fiscal e bancários quebrado em decisão anterior da Justiça”. Segundo o juiz, Flávio Nicolau, a obtenção das notas “é imprescindível para o procedimento investigatório”. O objetivo, segundo o juiz, é possibilitar o cruzamento das notas com os dados bancários. Isso propiciou o reaparecimento do Sarney, que concedeu entrevista ao Correio Brasiliense de domingo. Veja a afirmação: “Bolsonaro está no meio de um furacão”. Pela primeira vez, Sarney vê o Brasil em um momento imprevisível. Frase de efeito de Sarney: “Acho que ele está colocando todas as cartas na ameaça do caos. O presidente é quem deve se adaptar à cadeira e não a cadeira ao presidente”. Conclusão minha: Os militares que são muito chegados ao presidente da Arena, que deu amparo à ditadura, o chamaram para tentar apagar o fogo. Será que ele é bom bombeiro? Veremos!

Bolsonaro - o escolhido por Deus
O presidente acreditou, porque compartilhou o vídeo do pastor Steve Kunda, nascido no Congo e fundador de uma igreja evangélica em Orleans, na França. O vídeo foi divulgado há mais de um mês na internet. O presidente, além de copiar “atrasado”, colocou mais “pimenta no mocotó” ao afirmar: "Não existe teoria da conspiração, existe uma mudança de paradigma na política e que quem deve ditar os rumos do país é o povo! Assim são as democracias". Até aí concordo, porém, considero que ele está mudando por inexigibilidade de outra conduta. Vejamos.


Conclusão final da coluna
Está sendo preparada a “volta por cima” e o acerto com o Congresso. A volta de quem nunca saiu da política, José Sarney, considerado o chefe da maioria que hoje comanda o Congresso, é uma razão para encontrarem um denominador comum que não “enfraqueça” mais ainda as relações Executivo/Legislativo. A velha política está vencendo. Ou será que Sarney faz parte da nova política?  No Brasil, é possível!!!

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