Ministro da educação queria privilégio
Publicado em 05/06/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Como se sabe, o ministro da Educação está sendo investigado por ‘suposta’ prática de racismo. Então, sua defesa entrou com no Supremo pedindo para ser inquirido em dia, hora e local, previamente combinados. Ou seja, em linguagem do futebol, ele queria ter o ‘mando de campo’, na hora de ser arguido pela Justiça. O ministro Celso de Mello não acatou o pedido e evocou a lei. Segundo o decano, a prerrogativa que a defesa de Weintraub pleiteava no recurso não se aplica quando se trata de investigados. No caso, não há privilégio. A defesa do ministro da Educação se baseou num artigo 221 (CPP), que diz o seguinte:Presidente e o vice-presidente da República, parlamentares federais e os ministros de Estado, serão inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados entre eles e a autoridade competente”. Porém, segundo argumentou Mello, em sua negativa, o ministro é investigado. Nos últimos tempos os processos encaminhados ao STF, são destinados a Celso de Mello. Eu, pelo menos, fazia tempo que não notava isso. Não sei se ele tinha ‘sorte’ no sorteio eletrônico e ficava de fora. Ou a escolha de relatores era aleatória. Agora, surge mais uma   desconfiança: como o decano se aposenta em setembro, os processos ‘bombas’ são direcionados a ele. Vai que é tua Celso. Tu vai embora e nós ficamos aqui, aguentando o rojão. Concordam?  

Todos são iguais perante a lei

É um artigo considerado pétreo na Constituição. Mas nem sempre é respeitado. Como prova, lembro o ‘foro privilegiado’.  Isso já demonstra que nem todos são iguais. Mas prova que uns são mais iguais que outros. Eu acompanho pela imprensa escrita, que está à disposição na internet, todos os encontros ‘casuais’ que acontecem na porta de entrada do palácio, na chegada ou saída do presidente da República. Ali, ele presta suas declarações, muitas vezes, ‘bombásticas’. Ele senta o porrete, em alguns setores de outros poderes. Ali, ele se manifesta contra membros do Congresso ou Judiciário. Porém, e sempre tem um porém, nos últimos dias, ele tem sido acionado pelos apoiadores, com perguntas, para mim, previamente combinadas. Ontem, um apoiador pediu que ele “seguisse o conselho de Olavo de Carvalho”.  Fui pesquisar que conselho seria. Olavo aconselhava o presidente a processar os que o chamam de ‘genocida’. Então, leiam a resposta que imediatamente foi dada ao seguidor: “Liberdade de expressão tem que valer para todo mundo". Beleza, se parasse por aí. A liberdade de opinião da imprensa é praticada pelos países democráticos. O Brasil se enquadra dentro do sistema. Estaria diretamente mostrando à população que o movimento criado, em defesa da democracia, só seria válido se nosso regime não fosse democrático. Se a democracia já é praticada para que criar o tal movimento? Tema que já abordei neste espaço. Mas não parou por aí. Foi adiante: "Se o cara me chama de fascista, por exemplo, não acontece nada. Se eu o chamo de fascista levo R$ 20 mil (em processo) no lombo. Não adianta". Tanto a pergunta quanto a resposta despertam minha desconfiança. O que não é nada difícil. É uma estratégia de governo. Pergunta que eu respondo. Concordam ou não?

Indústria e comércio com perdas em vendas

Os indicadores econômicos têm salientado nos últimos dias, o que já era previsto. Qualquer cidadão com cabeça no lugar, sujeito a perder o emprego, imaginava que o pior aconteceria. O fechamento do comércio, em quase todo o Brasil, também atingiu a indústria. Para que fabricar se não tem quem compre. Ou o comércio está fechado e as pessoas dentro de casa. Pois bem, o único setor que se salvou foi a produção primária, porque o cidadão não pode deixar de comer. Senão morre. Aqui está a causa pelas quais a alimentação, em alguns setores, teve aumento de preço. Maior procura - incide sobre aumento de preços. Segundo levantamento publicado ontem, o aumento está entre 2,5% e 7%. Porém, só o alimento não sustenta a arrecadação. Veículos, leves e pesados, construção civil, indústria pesada, estão com  freio de mão puxado. Estão com receio de fabricar e não ter para quem vender. Pois bem, mesmo assim para evitar debacle total, o governo está pensando em continuar com auxílio aos trabalhadores ‘sem carteira’, ou que foram demitidos. Mais gasto, sem arrecadação que o cubra. Mas é absolutamente necessário que tome essa providência. Com fome entraremos no caos social. Todos os esforços, inclusive, com corte em projetos supérfluos, tem que acontecer para evitar o aumento da fome no Brasil. A próxima etapa, não será de R$ 600. Estão pensando em duas vezes de R$ 300. Culpado? Coronavírus, o culpado de tudo.  Certo?   


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