MINISTÉRIO CONTRATA EMPRESA ACUSADA
Publicado em 09/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

De corrupção. O assunto me chamou atenção porque há poucos dias em ação determinada pela Justiça, o prefeito de Livramento foi retirado do cargo. Embora por motivos distintos, mas com ações na área de Educação. Para entender o que tem a ver a contratação pelo Ministério da Educação de uma empresa que está sendo investigada por corrupção, é necessária a reprodução das declarações do ministro, Abraham Weuntraub, publicadas pelo Estadão e reproduzidas pelo Correio Brasiliense. Vamos à notícia: “O Ministério da Educação contratou uma empresa para fornecer kits escolares a estudantes que, segundo a Polícia Federal, está envolvida em um esquema que desviou R$ 134,2 milhões de dinheiro público da Saúde e da Educação na Paraíba. Informados sobre a investigação contra a empresa, representantes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão vinculado ao ministério, responsáveis pela contratação, decidiram manter o negócio”. A ficha técnica da empresa contratada, Brink Mobil, tem um histórico de suspeitas de irregularidades no fornecimento de material escolar a prefeituras e governos estaduais. Em dezembro de 2018, ela foi denunciada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel em licitações públicas, acusada de fraudar licitações para compra de uniformes, mochilas e materiais escolares em quatro Estados entre 2007 e 2012. Até aqui a matéria. A seguir a defesa e incentivo verbal, que o ministro protagonizou, em recado direto ao povo, por meio de vídeos reproduzidos pelas redes sociais, inclusive, da presidência da República. Leia com atenção: "Eu preciso da ajuda de vocês. Vocês têm que pedir para o prefeito se cadastrar no FNDE, com a Karine (Silva dos Santos, atual presidente do fundo). Pedir para o seu deputado destinar as emendas parlamentares para a gente poder mandar para todas as crianças do Brasil".  O contrato com a Brink, que pode chegar a R$ 406 milhões, foi assinado em novembro de 2019, quando a Operação Calvário, da PF, já estava em curso. A empresa é acusada de pagar ao menos R$ 1,8 milhão em propina para obter contratos no governo de Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba, onde a ação começou. A matéria continua com outras informações que embasam a coluna de hoje, ‘coladas’ do Estadão: “O então presidente do FNDE, Rodrigo Sérgio Dias, foi informado sobre as investigações envolvendo a empresa. Na ocasião, Dias chegou a procurar o Cade para saber se haveria algum impedimento legal em contratar a empresa. Em resposta, o conselho disse não ter competência para informar sobre eventuais restrições, mas deu detalhes do processo em curso no órgão”. O titular da empresa Brink Mobil, Valdemar Ábila, foi preso no fim do ano passado na segunda fase da operação. Aí fica a pergunta qual a causa que não suspenderam a licitação? A propósito por coincidência, no mesmo dia da publicação dessa matéria, “o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, arquivou o pedido de impeachment apresentado por um grupo de deputados e senadores contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub”. Coincidência ou proposital, que as denúncias e a decisão do supremo tenham acontecido praticamente no mesmo dia. Os resquícios da corrupção rodeiam ministérios. Ou não?  
Quanto menos o governo se meter, melhor
O livre comércio é o regulador efetivo da inflação. Isso não de trata de desejo é a realidade. É a prática. Exemplo mais palpável foi o que aconteceu no Brasil, na era Sarney. É bem verdade que a economia estava descontrolada pelo excesso de leis e regras de governo. Nós estávamos voltando para a Democracia. A produção estava se tornando pequena para o crescimento populacional. E aí entrou a velha lei da oferta e procura. Era uma inflação contida pela ditadura, mas que mostrou suas garras no início da democracia. Era preciso fazer alguma coisa. Sarney, aconselhado pelos seus economistas, tabelou e congelou os preços. O caos foi estabelecido. Chegou a exagerar quando afirmo que os danos causados  estão se fazendo sentir até nossos dias. Pois bem, com a ‘saída’ do governo do controle total da economia, o Brasil começou a crescer, o livre comércio a atuar e chegamos a um bom estágio do crescimento. O mercado começou a se regular. A concorrência a funcionar e os preços a se estabilizar, também regulados pelo consumidor que aprendeu a buscar melhor preço. A greve dos caminhoneiros abalou o governo Temer, outro cria da ditadura, que determinou a “tabela” de preços para o frete,  apoiado pela Raquel Dodge, procuradora da República. A notícia do último final de semana, se concretizada, retira o governo do ‘mercado’. “Augusto Aras, muda posição da PGR, que passa a defender fim da tabela de frete”. Para quem gosta do ‘livre comércio’, é uma notícia alvissareira. Concordam ou não?


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