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MENTIRA REPETIDA MIL VEZES TORNA-SE VERDADE
Publicado em 19/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Joseph Goebbels, que foi ministro da propaganda de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, criou esta pérola que foi e continua sendo seguida em nossos dias. A diferença entre o sistema ditatorial e a democracia é que hoje existe o contraponto, onde a maioria das mentiras jogadas na mídia são contestadas por quem se sente prejudicado. A liberdade de imprensa e a lei que a regulamenta não permitem que só um lado da questão tenha ênfase. É nosso famoso e salutar ‘direito de resposta’. Pois bem, o que está em jogo hoje é a prisão após julgamento em segunda instância. A decisão anterior do STF foi contestada por uns e elogiada por outros. Sem querer puxar brasa para meu assado, mas já puxando é o slogan criado pelo programa Visão Geral da Rádio Cultura: “Querido por uns e odiado por um lote”. Ninguém agrada a todos, sempre. E aqui tenho que usar outra vez a frase do jornalista Nelson Rodrigues. “Toda a unanimidade é burra”. A essência da democracia é o debate; é o contraponto, propiciado pela imprensa livre. O tema de hoje me veio à mente, após assistir, via TV Justiça, na quinta-feira, os argumentos apresentados por grandes juristas, contra e a favor da prisão em segunda instância. Em alto nível e não poderia ser diferente, creio que consegui aprender mais um pouco sobre democracia. E isso me levou a ler os jornais para ver o que cada um tirou de proveito do debate técnico. A manchete que mais me chamou atenção eu  ‘colo’ para embasar o que penso de tudo isso. Repetindo o que já publiquei no início deste “imbróglio” (que palavra danada!).

STF pode beneficiar 38 condenados na Lava Jato após julgamento

O professor Peri Coronel nas aulas de Português, no Colégio Auxiliadora nos idos anos 50, ao ser questionado por um aluno, como a gente pode saber o que está certo e ou errado na língua portuguesa? Como prático que era, ele respondia: “O que soa mal no ouvido está errado”. Quantas vezes já ouviram ou leram essa expressão minha “entrou de ré no ouvido”. Pois bem, esta manchete, para mim, é indutiva. Ela deixa transparecer que  “se o Supremo modificar o próprio julgamento beneficiará 38 pessoas condenadas na Lava Jato”. Então, me leva a pensar que a decisão anterior, autorizando a prisão em segunda instância, teria prejudicado os 38 que foram condenados? Não é isso. Acontece que a tese levantada por parte dos juristas, o cidadão é honesto “até prova em contrário”. É o que a Constituição apregoa em um de seus artigos. O réu condenado só será preso após trânsito em julgado. Isso quer dizer quando todos os recursos de defesa foram esgotados. E aqui vai uma observação de um leigo que se baseia na lógica. Os leitores já imaginaram se os condenados em segunda instância, que estão presos, forem absolvidos pelos tribunais superiores? Quem vai pagar pelo tempo em que esteve preso? E aqui não vai nenhum juízo de valor, nem defesa dos réus, mas, sim, o que está inscrito na Constituição, mostrada na quinta-feira por muitos dos defensores da lei maior. E tudo isso passaria despercebido se as denúncias do jornalista Gleen não tivessem surtindo efeitos. A combinação entre o juiz Moro e procuradores da Lava jato deixou dúvida se o “julgamento foi jurídico ou político”. Se o supremo optar por suspender a decisão anterior. Prisão em segunda instância, não estará livrando corruptos da cadeia, estará seguindo o que afirma a Constituição. O processo vai seguir. Sua próxima parada será nas cortes superiores. Os réus que estão presos serão liberados, mas não absolvidos. Poderão, sim, alguns serem absolvidos, outros não. Vai depender do que entenderem os ministros da Corte Superior. É isso o que penso e tenho defendido, usando a lógica. Certo?  

A crise política foi provocada pela família

Na política vigente no Brasil pode acontecer de tudo. Inclusive que os eleitos com grande vantagem, ‘se considerem invencíveis’. Enchem a camisa de vento e não têm limites. Sequer desconfiam que o eleitorado, muda de lado como quem muda de camisa. É o que aconteceu com Bolsonaro e os filhos. A tal ponto chegou que tudo que foi usado para tomar conta do PSL, não deu certo, inclusive os deputados e senadores eleitos conseguiram ser a segunda maior bancada na Câmara federal. Pois é, de uma hora para outra, o partido rachou. Não que isso seja novidade na política brasileira. Pois bem, o DEM, que ocupa a presidência das duas casas legislativas (Câmara e Senado) sentindo a divisão do adversário está se aproximando dos dirigentes do PSL, para reforçar o Centrão. Como em um passe de mágica, os institutos de pesquisa, entraram em campo e “descobriram.” o que ninguém tinha percebido: Que Sérgio Moro é o mais popular; Lula o nome mais forte da ‘dita’ esquerda. Este filme já passou em nosso cinema quando Joaquim Barbosa se aposentou após presidir o Supremo. E tem gente que acredita em pesquisa. Ou não?         


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