Memória curta em seu próprio interesse
Publicado em 25/10/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Quem acompanha o noticiário nacional tem observado a tentativa de desmoralização do STF. Reuniões e mais reuniões. Declarações e mais declarações, contrárias às decisões do Supremo. A tentativa é desmoralizar aquele segmento que é considerado, nas melhores democracias, os defensores da Constituição. No caso brasileiro não podemos deixar de salientar que os representantes que lá estão foram nomeados pelo presidente da República. Mais da metade pelo Lula. Como pode, deve ser essa a pergunta, que os atuais ministros, se virem contra quem os nomeou?
A pergunta que deveriam fazer seria: Então nomearam os componentes do Supremo para aprovarem tudo que os partidários do presidente fez? De certo ou errado? Deram com os burros n’água. Então começa uma campanha na tentativa de desmoralizar os membros do STF. Muitos cobram o excesso de noticiário sobre o julgamento. Outros já criticaram a transmissão ao vivo pela TV Justiça. Deveria ser, para eles, encerrado em quatro paredes. Nos moldes da CPI do Cachoeira, em que documentos estão “trancados” para que o público não tenha acesso.
A imprensa, junto com o Supremo, tem sido “denunciada” por grupos ligados aos corruptos, como incentivadora dos ministros. É um bom motivo para continuarem o projeto de censura. Até agora não deu certo. Tenho convicção que não dará. Mas voltando ao tempo e principalmente para quem não tem memória curta, lembram da participação da imprensa livre por ocasião da cassação do Collor? Os meios mediáticos não deram trégua, no que foram aplaudidos pela oposição da época.
Tenho para mim que ali começou o crescimento do PT, que culminou com a eleição de Lula à presidência da República. Baseado no slogan “o jeito petista de governar”, conseguiram convencer os eleitores que o partido era o único que defendia a ética. Era o único que podia acertar o Brasil que vinha de crises sobre crises. As privatizações no Governo FHC, foram denunciadas, não só pelo PT, como  pela imprensa brasileira. Até ali a imprensa era “parceira”. O dinheiro encontrado na mesa do marido da Roseana Sarney, teve manchetes e imagens que todo o Brasil assistiu. E por aí vai. Denúncias contra Jader Barbalho, Renan Calheiros, Sarney, Maluf, e outros tantos adversários petistas, não tiveram trégua na imprensa. Até alíia imprensa foi “parceira” e recebeu os maiores elogios.
Para mim, aqui à distância, foi a imprensa uma das grandes aliadas da eleição de Lula, ao denunciar as falcatruas, dos até então adversários. A partir daí o jogo virou. A imprensa continuou no seu papel, só que agora o telhado de vidro tinha outro ocupante. A partir daí essa mesma imprensa, ou parte dela, tão aplaudida no passado passou a ser a inimiga no presente. É e exatamente o que está acontecendo. Há algum exagero nas denúncias?
Acontece que o Lula, e seu partido, resolveu se juntar aos adversários tão combatidos no passado. O que tinha de pior na política brasileira, ele trouxe para seu lado. Recentemente se uniu com Maluf, um de seus mais antigos “inimigos”. Então o que está em jogo não é um projeto de governo é sim um projeto de poder. O que é bem diferente. A última união propiciou uma frase que contém a mais pura verdade, dita pelo Maluf (que está exilado no Brasil!): “Agora somos todos iguais”. Então, prestem atenção, somos todos iguais no sentido de enaltecer a união entre opositores para assumir o poder. Grande parte dos petistas está vibrando com a condenação dos corruptos.
Confirma uma tese que trago comigo há muito tempo: Tem gente boa é mau em todos os segmentos da sociedade. O que precisamos é banir os maus. É tirar da vida pública os que envergonham os militantes partidários. É abrir a “caixa preta”. É terminar com a impunidade. Para isso precisamos do apoio da parte sã de cada instituição. A imprensa é importante? É. O Ministério público, a polícia federal, a procuradoria da república e os Tribunais de conta são importantes? São. Só falta a conscientização de nos eleitores, para com nosso voto tirar da vida pública quem perdeu nossa confiança. O Supremo Tribunal Federal está fazendo sua parte. Pense nisso.
Concordam ou não?  

Deixe sua opinião