Manifesto em defesa da democracia
Publicado em 01/06/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Titulo que abre a coluna de hoje foi matéria que li ontem, domingo dia 30 de maio, em diversos jornais do Brasil. Um grupo de políticos se reuniu para lançar um manifesto ao Brasil em defesa da democracia. Ora, pensei, este ato é semelhante ao comício das Diretas no Rio de Janeiro. Juntou todos os políticos da época em ato público que reuniu mais de um milhão de pessoas. Pensei, naquela época ainda vivíamos em período ditatorial. Mas já estava um tanto ‘frouxo’ porque os militares estavam cansados do poder. O poder, em alguns casos, cansa. Já tínhamos algumas declarações do Figueiredo dando ciência que poderíamos retornar ao regime democrático. Ora, pensei na época (às vezes pensava!), se o comício está sendo realizado é sinal que está tudo combinado. Então a manifestação, com todos abraçados, iria apenas dar uma satisfação aos eleitores, que a democracia voltaria ao Brasil por força dos políticos. E não era nada disso como se comprovou posteriormente. Basta olharmos para a composição, ou ‘arreglo’, entre os dois partidos existentes na época: ARENA E MDB. Eles aceitaram as condições impostas pelo governo da época e formaram uma dupla de candidatos: Tancredo e Sarney. Assim mesmo aceitando uma eleição indireta, onde o Congresso que era biônico, é quem daria as cartas. Setenta por cento dos congressistas eram nomeados pelo Governo. Isso é apenas repetição de tantos textos que já escrevi em espaços jornalísticos. Ali, a maioria dos brasileiros, que vinham com cerceamento em sua liberdade de expressão, ainda estavam ‘anestesiados’ e aceitaram o ‘engodo’. Então a diferença está entre a manifestação pela qual já passamos e a que está sendo incitada neste momento. Senão Vejamos:  

Manifesto atual une diversos campos

O corpo da matéria que ‘colo’ para os leitores, diz o seguinte: “Entre os signatários estão representantes de diferentes lados do espectro político” A primeira coisa que me chamou atenção foram os componentes: Fernando Henrique Cardoso (PSDB); governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB),  Marcelo Freixo (PSOL); Tábata Amaral (PDT) e Marcelo Calero (Cidadania). A exceção do PSDB, que foi parceiro de Bolsonaro na última eleição, os demais praticamente foram e são seus opositores. Pelo que se observa, o único que ‘virou a casaca’ foi o PSDB. E isso é fácil de entender: embora com candidatura própria (Alckmin), a grande maioria de seus seguidores votou em Bolsonaro. Se é uma manifestação da oposição faltou o PT do Lula. Outra coisa, nós não estamos vivendo um sistema ditatorial para haver manifestação em favor da democracia. Não. Cada um fala o que quer, diz o que lhe vem na cabeça. Então, vivemos sim a democracia, ainda incipiente é bem verdade, mas é democracia. A imprensa é livre. Pode criticar o quanto quiser, pode elogiar à vontade. Mas é livre para se manifestar. Agora não está livre de críticas. Que tipo de manifesto em ‘favor da democracia’, já que ela está presente em todos os momentos em nosso país. Não da para entender. Ou Até dá. Concordam ou não?     

No mesmo dia da publicação outro fato

“O presidente Jair Bolsonaro utilizou as redes sociais neste domingo para, mais uma vez, criticar o trabalho da imprensa. Segundo ele, a "mídia podre" segue produzindo fake news sobre o governo e não apresenta provas sobre as acusações. Além disso, ainda questionou se negociar bilhões em propaganda poderiam ser a solução para o problema: "Será que tudo isso se acaba?” Na sequencia de suas declarações ele listou alguns casos visto por ele como noticias mentirosas (Fake News): “A interferência na Polícia Federal. Usam de tentar trocar o comando da corporação no Rio de Janeiro para proteger familiares; a "fita bomba" da reunião ministerial, evento que o ex-ministro Sergio Moro apontava como relevante para a situação da PF e o "caso porteiro", relacionado à investigação da morte da ex-vereadora Marielle Franco”. Não é isso que a imprensa vem noticiando? Isso será que motivou o manifesto atual para defender a democracia? Onde está escrito que ele, como presidente da República, não pode responder as denúncias publicamente? Seja qual for o meio de comunicação à disposição de qualquer cidadão? Aqui, a única coisa que me reporto é a liberdade de opinião, inserida na Constituição, que determina o direito de qualquer cidadão responder, elogiando ou criticando, os governos eleitos pelo voto. No Brasil, ou está comigo ou está contra mim. Faz também parte do jogo e que agrada os radicais. Então: Viva a Democracia!  


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