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MAIS PUBLICITÁRIOS QUE JURISTAS
Publicado em 09/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O ministro Gilmar Mendes esteve no programa Roda Viva da TV Cultura, na segunda-feira, 7. Voltou a criticar a Operação Lava Jato. Aliás, não é de hoje que ele tem se manifestado contra certas atitudes. Ele continua defendendo o combate à corrupção ‘sem personalismo’. Leiam parte do que ele afirmou: “os membros da operação usaram a opinião pública para criticar decisões do Supremo que foram de encontro aos interesses de procuradores abusando da força-tarefa. A Lava Jato tem melhores publicitários do que juristas, eles usam isso. Eu torço não só para a Lava Jato, para todas as operações, para que de fato nós continuemos combatendo a corrupção, agora sem esse personalismo, sem a necessidade, talvez, de forças-tarefa." Não ficou só nisso, o que já é uma baita crítica. Ao se referir a Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, foi mais fundo: “Ele que tem sido acusado de atuação ilegal na condução da operação por suposto uso de provas ilegais e vazamentos à imprensa, além de conversas sobre a estratégia da operação com o então juiz Sérgio Moro”. Aqui dou uma pausa para afirmar que ele (Gilmar) se refere às denúncias do jornalista Green e aos diálogos entre os procuradores e o juiz Moro. Então, como tenho afirmado, mesmo usando meios ilegais para conseguir copiar o diálogo entre juiz e procuradores, ele está confirmando que as denúncias têm fundamento. O que queremos, de fato, é que essas pessoas (procuradores) cumpram a lei, sejam servos da lei, que não exorbitem. “O Ministério Público assumiu feições soberanas e isso, é um problema". E aí os entrevistadores perguntaram sobre a decisão de Lula de recusar o regime semiaberto, Mendes esclareceu: “Não tem esse direito a rigor. O ex-presidente só poderia questionar o regime nos tribunais caso houvesse imposição ou uma condição ilegítima”. No entanto, Gilmar disse que estranhou a posição de procuradores da Lava Jato no caso. “O que me chamou atenção nesse episódio foi alguns procuradores oferecerem o regime semiaberto ao Lula. "Nunca foram garantidas, mas agora se convenceram. E se convenceram, porque era conveniente". Aí vem a velha história que já abordei neste espaço logo que os procuradores enviaram à Justiça o pedido de semiaberto para Lula, sem ele haver solicitado. Acontece que está na pauta do supremo mais um pedido de habeas corpus, fundamentado nas denúncias de Glenn. Ao mesmo tempo, pede investigação das denúncias do jornalistas ao se referirem ao ex-juiz, hoje ministro. O Lula espera a decisão do Supremo para que o processo seja devolvido à primeira instância. Então, caso aceitasse o semiaberto, o pedido seria retirado da pauta do STF. Certo? Concordam?
Boato da saída de Guedes assusta mercado

A reforma da Previdência está atrasada no Senado. E isso tem preocupado o ministro Paulo Guedes. E o mercado, que tem múltiplos interesses em jogo, intensifica a boataria que o ministro pode sair. Um dos efeitos foi na segunda-feira quando a bolsa caiu 2%. A mesmo tempo, o dólar subiu 1,8%. Então, muitos “bobinhos” venderam os dólares com ganho e com o próprio lucro compraram ações na bolsa. A indústria do boato funcionou a contento, para quem vive disso. Faz parte do jogo. Não existe bobo neste negócio assim como não existe ‘anjinho’ em política. Para especialistas, as questões externas e as incertezas em relação ao governo foram determinantes para o movimento do dia. Um dito especialista afirmou: "No meio do pregão, isso até pode ter impactado, mas depois que desmentiram, acredito que não teve um impacto tão grande. Mas, em alguns momentos, muitos investidores preferiram vender suas posições". Outro especialista afirma que o mercado continua firme enquanto os juros e o controle da inflação seguirem nestes patamares. Os juros é o governo que controla. A inflação depende do consumidor que vem escolhendo o que comprar, pechinchando o menor preço. E não podemos esquecer que o desemprego está atingindo 13 milhões. O resto é o resto. Tá?

 


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