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Lula continua sendo notícia
Publicado em 14/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Após intensa luta na Justiça, o ex-presidente teve o momento (mais um) de glória ao ser concedida a permissão para dar entrevista à Folha de São Paulo e ao jornal El País. Outros órgãos de imprensa quiseram entrar na coletiva, o que foi negado pela justiça. Afinal de contas, quem tinha “brigado” pelo direito, não poderia ceder espaço aos demais que ficaram de braços cruzados enquanto os outros se esforçavam para tal. Pois bem, depois que a entrevista foi publicada, com ampla repercussão nacional e internacional, liberou geral. Após a diminuição de pena de 12 para oito anos, e a possibilidade de em quatro meses cumprir o restante da pena em casa, sua importância política voltou a crescer, despertando a imprensa mundial, que sempre acompanhou os fatos provocados pela defesa de Lula. No domingo, Dia das Mães, o blog da Denise, colunista do Correio Brasiliense, analisou algumas frases de Lula, na entrevista à BBC. Aliás, pouca ênfase foi dada no noticiário nacional. A jornalista começa a coluna com a seguinte conclusão: “Entrevista de Lula indica que PT riscará Dilma do mapa”. Ela compilou as principais frases do ex-presidente que, como é natural, lhe remeteram a esta afirmação estampada no título que abre a coluna. “Dilma é uma pessoa cheia de autoafirmação, na hora que o carro começa a derrapar, nem sempre tem a tranquilidade de olhar, vamos parar, vamos ouvir”. É claro que, o ressentimento de Lula está embasado na própria campanha que ele fez, lançando, ou apoiando o movimento “volta Lula”. Ele queria substituir Dilma na campanha para o segundo mandato. Já sentia o perigo de ser preso, por ter perdido o foro privilegiado e achava que ganharia a eleição de Aécio Neves. Ela não só não aceitou como fez uma declaração que caiu como bomba nas hostes petistas: “Posso até perder a eleição, mas não vou aderir a uma politicagem barata” (o sentido foi esse, amplamente comentado nesta coluna). Lembram? Ela acabou vencendo, mas sem a facilidade, acredito que Lula se elegeria. E isso marcou negativamente o ex- presidente. Por não ter cargo executivo, caiu nas mãos da Justiça Federal, juiz Sérgio Moro. O final já sabemos. Concluindo a análise que embasou a conclusão da colunista, ela copia outra afirmação de Lula: “Lamento não ter sido mais incisivo com Dilma para fazer algumas coisas”. Para alguns líderes petistas que acompanharam a fala do presidente em busca de orientações, o recado está dado. Ela não terá espaço dentro do partido para concorrer a mais nada. Algo ainda continua batendo em minha cabeça: “Que “coisas” são essas que ele queria que ela fizesse e não foi atendido?” Para não pensar o “pior”, imagino que a não aceitação em renunciar a candidatura para seu “criador” (Lula), tenha deixado o sentimento de que ela é culpada pela condenação dele. Perdeu o foro privilegiado. Ou não?  

Muitas coisas os eleitores esquecem
Uma delas volta à tona no presente momento. O presidente da República, Jair Bolsonaro, se encarregou de voltar ao passado, não tão distante. Ao emitir medida provisória que liberava a comercialização de armas de fogo, “meteu bala” na discussão. Quem não é tão “curto de memória” deve lembrar que aconteceu plebiscito onde a resposta era simples: sim ou não. Assim, 63% do eleitorado optou pelo “não”. Mas como sempre acontece, alguém usa da imaginação para dificultar a venda de armas. Contrariando, é claro, a vontade da maioria dos eleitores. Então, o atual governo simplesmente, em meu entender, resolveu editar medida provisória. Se houve plebiscito, acreditava que seria seguido pelo governo. A venda de armas, à disposição de qualquer cidadão, teria que ser seguida sem nenhuma contestação. Cada um de nós, que optasse por adquirir arma de fogo, teria que comprovar com diversos documentos que estava apto, se quisesse, a adquirir qualquer tipo de arma. O valor a ser pago foi tabelado “lá em cima”, o que por si selecionava o consumidor. Quem tinha, ou não, dinheiro para investir em armas. Não entendo o porquê da celeuma. O povo foi chamado a dar sua opinião. Votou não ao desarmamento. Isso quer dizer que a comercialização continuou sendo permitida, sempre que o cidadão se enquadrar nas exigências da lei. Eu, por exemplo, votei pelo “não”. Mas em nenhum momento me interessei em adquirir arma. Agora, quem quiser comprar, que compre. Este é o motivo pela qual não entendo o debate atual. E, você, Leitor?                

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