Laboratórios autorizados a diagnosticar
Publicado em 14/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Uma das grandes discussões, senão a maior, que tem sido pauta de debates, era a demora nos exames para constatar, ou não, se as pessoas com sintomas do vírus confirmavam a contaminação. Aqui no Estado, por exemplo, houve denúncias que demorava até 15 dias para o resultado ser divulgado. O laboratório Central, em Porto Alegre, estava sobrecarregado de exames. O governo demorou a credenciar outros laboratórios, embora tivesse recursos disponíveis recebidos do governo Central. Pois, agora, a Anvisa autorizou a Embrapa a Fiocruz a realizarem os exames. Como isso, poderemos ter o diagnóstico em muito menos tempo. Se confirmado dá para iniciar o tratamento imediatamente. A maioria, segundo a média de confirmações até aqui constatada, boa parte dos pacientes poderá realizar o tratamento em casa. Evitaria a hospitalização. Aliás, sobre isso, os levantamentos divulgados pela imprensa dão conta que boa parte dos leitos disponíveis em todo o Brasil, com algumas exceções, ainda não foi ocupado. Já é uma boa medida. Quanto mais rápido for o diagnóstico, mas rápido será o combate ao vírus. Qualquer enfermidade detectada rapidamente é mais fácil de ser tratada. E aí vem aquilo que sempre foi defendido, a prevenção é o melhor caminho. Outra afirmação da Medicina, o câncer, diagnosticado previamente, é curável. Tanto é verdade que o câncer saiu dos noticiários. Passou a ser doença curável, como tantas outras. Se a política (ou politicagem?) deixar de influenciar em assuntos técnicos, em breve,  o coronavírus será dominado. Há quem afirme que está em sua curva descendente. Outros dizem que o pior ainda está por vir. O que pode pensar o leigo? O ‘pânico’, injetado na população, irá diminuir gradativamente. Como já está diminuindo. O que mais desejamos. Ou não?           

STF deu respaldo a estados e municípios

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), está seguindo a determinação do Supremo Tribunal Federal, que deu autonomia a Estados e Municípios, para legislarem sobre procedimentos a ser seguido no combate ao coronavírus, principalmente o isolamento social e funcionamento do comércio. Kalil, inclusive, não está seguindo determinação do governo do Estado, Zema (Partido Novo), que determinou a abertura de diversos setores da economia. É claro que a política (ou politicagem?) está inserida no contexto. O PSD, partido criado por Haddad (que foi do PSDB, PFL), ainda não se manifestou. Como se sabe, o partido tem realizado reuniões políticas com Bolsonaro e está esperando qual cargo lhe vão oferecer para formar base do governo no Congresso. Quando isso acontecer, se acontecer, tudo volta ao normal. A ‘velha política’, do ‘toma lá da cá’, está bem intensa porque Bolsonaro quer ter maioria para evitar o impeachment. Haddad é cria política de José Serra, ‘desaparecido dos meios jornalísticos’. Assim como Doria, cria de Alckmin, é exemplo da ‘cria se virar contra o criador’. Faz parte da política brasileira. Ninguém pode chiar: “Atira a primeira pedra quem nunca pecou”. Ano eleitoral é assim. Ou não?   

Ramos e Heleno contradizem Bolsonaro

Quem deixou ‘vazar’ as declarações que embasam o título acima? Os ministros, segundo consta, assim como o processo, autorizado pelo Supremo, leia-se Celso de Mello, com ‘segredo de justiça’. Mas vamos lá, segue o baile. Ora bolas, o que poderiam afirmar os ministros se o ‘vazamento’ de Moro, com gravações da reunião, provavam o que havia acontecido? Aí fui ler o corpo da matéria, já com o pensamento voltado para o ‘rompimento’ do segredo de justiça. Como a imprensa teve conhecimento das declarações dos ministros à Polícia Federal? O que li e transcrevo foi o seguinte: Heleno: "Na ocasião, o presidente cobrou de forma generalizada todos os ministros na área de inteligência, tendo também reclamado da escassez de informações de inteligência que lhe eram repassadas para subsidiar suas decisões, fazendo citações específicas sobre sua segurança pessoal, sobre a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Polícia Federal e Ministério da Defesa; que as citações foram feitas na forma de cobranças duras dirigidas aos ministros na ocasião". Ramos assim se manifestou: "Que nessa reunião o presidente Jair Bolsonaro se manifestou de maneira contundente sobre a qualidade dos relatórios de inteligência produzidos pela Abin, Forças Armadas, Polícia Federal, entre outros e acrescentou que para melhorar a qualidade dos relatórios, na condição de presidente da República, iria interferir em todos os Ministérios para obter melhores resultados de cada ministro". Com essas afirmações, se nada foi omitido pelos jornais, não vi nada demais. Quem proíbe ao dirigente não cobrar ações de seus ministros? Que lei proíbe, prefeitos, governadores e presidente, demitir assessores?


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