Juntando as pontas
Publicado em 06/11/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Na segunda de manhã, antes de redigir a coluna, me deparei com uma decisão judicial (que cabe recurso) no qual o Tribunal Federal do Rio de Janeiro não acata a petição da Petrobras, que está sendo cobrada pela Receita Federal. O rombo chega a quase cinco bilhões. Juntei as pontas. Lembram que no início do governo atual, com o time deixado pelo Lula eu classifiquei de “herança maldita”? Mas não foi só na parte política. Sabe-se agora. Do grupo deixado por Lula, boa parte já foi corrida do governo. Mas ainda há muita gente que precisa ser demitida. Entre os que foram, estava o presidente da Petrobras, Gabrielli, que a pretexto de assumir um cargo na Bahia, “pediu demissão”, para não ficar feio ser mandado embora. A manipulação de informação, hoje mais do que nunca, tem pernas curtas. A nova presidente da companhia é de carreira. Dizem que conhece os meandros e é técnica. Sem influência, acredito, da área política. É da confiança da Dona Dilma e está agora tentando descascar o “pepino” deixado pelo anterior que era da confiança do Lula. Se a receita cobrar efetivamente o que a Justiça determinou, vai sobrar para nós. A gasolina vai subir e nós pagaremos, como sempre, a conta.
Qual é a essência da dívida? Vou “colar” a matéria que está em todos os blogs e jornais de hoje, para os senhores terem uma ideia mais precisa da decisão judicial: “29ª Vara Federal da Justiça do Rio julgou improcedente nesta segunda-feira recurso da estatal para anular débito cobrado pela Receita Federal. Petrobras, presidida por Graça Foster, diz que recorrerá da decisão. Receita quer cobrar Imposto de Renda (IR) da Petrobras por remessas de pagamento de afretamento de plataformas de empresas situadas em “países com tributação favorecida”. A 29ª Vara Federal da Justiça do Rio de Janeiro proferiu decisão contra a empresa que pode implicar a perda de 4,78 bilhões de reais. “A companhia acredita estar amparada na legislação tributária que lhe assegurava a desoneração do Imposto de Renda à época dos fatos”, disse em comunicado ao mercado.
Na demonstração contábil da companhia, o caso tem sido classificado como perda "possível". A Petrobras lembrou que, em março deste ano, obteve decisão liminar do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região que lhe assegurou a suspensão da exigibilidade do débito até o julgamento da ação judicial proposta. Hoje, a companhia tomou ciência da decisão desfavorável proferida pelo referido juízo, através da qual foram julgados improcedentes os pedidos formulados na ação. Imediatamente, após a decisão o mercado reagiu. A ação preferencial da empresa caía 1,87 por cento, enquanto o Ibovespa recuava 1,41 por cento. Caso a decisão judicial não seja reformulada, nós vamos pagar mais essa conta. É inevitável. O combustível vai subir. A conta paga vai cair nos cofres da União. Aumenta o bolo da arrecadação tendo como sempre o mesmo pagador: nós.
O ideal seria responsabilizar quem deixou o rombo. Mas aí são outros quinhentos. Ele está na Bahia, empregado no governo estadual ou municipal, fazendo sua base para concorrer a governador na próxima eleição. O rombo deixado, por má gestão na Petrobras, não vai ter influência na próxima eleição. Faltam ainda dois anos e nós, povo, esquecemos rapidamente. Não bastasse o mensalão e a CPI do Cachoeira, ainda tem mais esta prova da má gestão.
Onde foi o dinheiro que deveria ser pago ao Imposto de Renda? Ou será que os cálculos foram “mal feitos”? Ou o governo anterior, para tentar segurar a inflação, não aumentou os combustíveis visando as próximas eleições? Não seria mais fácil diminuir a máquina pública, o gasto desnecessário, para compensar as perdas?
Eta Brasil velho de guerra. Como estamos perto do campeonato mundial, todo o resto fica em segundo plano. Assim caminha a humanidade.
Concordam ou não?     

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