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Indiciamento de Bivar mostra muitas coisas
Publicado em 02/12/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Na última sexta-feira, começou mais uma etapa na política brasileira. O indiciamento de Luciano Bivar, presidente do PSL, legenda que abrigou Jair Bolsonaro, pode causar outro abalo nas hostes do Planalto. Primeiro, vou ‘colar’ a informação do CB: “Presidente do PSL é acusado de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa”. A história é antiga e causou a exoneração de Bebiano, ministro do governo. Acontece que a Justiça Eleitoral detectou ‘auxílio’ de campanha para três candidatas consideradas ‘laranjas’. Receberam da direção do partido, quantias altas de recursos e suas votações foram baixas. Uma delas recebeu 400 mil e obteve 274 votos. Então, bateu a desconfiança e suas contas foram rejeitadas pelo TRE de Pernambuco. A partir daí, a Polícia Federal tomou conta e o processo chegou ao indiciamento do presidente do PSL, que já havia rompido com Bolsonaro, ou o presidente tinha rompido com o partido, acabou caindo fora e criando sua própria sigla. Todos sabem que o presidente da República tem seu serviço especial de informações. Tanto é verdade que, a decisão do indiciamento foi antecipada pelo Bolsonaro ao ‘cochichar’ no ouvido de um cidadão que se apresentou como candidato a prefeito em Pernambuco e lhe disse: “cai fora, o PSL já era”. Se ele afirmou, e toda a imprensa divulgou, é sinal que sabia o que iria acontecer. Se sabia é sinal que tinha informações de alguém ‘muito próximo’ aos fatos. A reação veio logo a seguir quando algum membro do partido ‘deixou escapar’ que os recursos reforçaram a campanha do presidente da República. Aí sim o bicho pegou. Jair criou seu próprio partido e levou com ele metade dos políticos eleitos pelo PSL. Se diga de passagem, os deputados ainda não se desligaram do PSL, com receio de perderem o mandato. Enquanto isso, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, foi indiciado no mês passado e não foi demitido por Bolsonaro. Embora seja uma briga partidária, comum na política brasileira, mas envolve verba partidária que pode, sim, chegar à campanha majoritária que elegeu Jair Bolsonaro. Enquanto isso, as coisas não vão muito bem para o governo. Senão, vejamos: de todo o ministério montado pelo presidente, a base tem sido o da Justiça, Moro, e da Economia, Guedes. Parece que Moro tem ganhado posições e deixado para trás o Guedes. Agora mesmo a suba do dólar está sendo debitada no ‘conta’ do ministro da economia. O dólar disparou ao redor de 1% na semana e obrigou o governo a intervir. Teve que usar suas reservas para evitar um catastrófico aumento. Manchete:

Bola fora de Paulo Guedes. Dólar sobe 1%

Dentro do próprio governo, o que temos assistido e lido é a cobrança por um crescimento mais forte da economia. Deu a impressão que isso tem provocado certo descontrole nas declarações de Paulo Guedes. Em Washington, onde tinha encontro com autoridades do governo dos Estados Unidos e com investidores, Guedes sugeriu a possível volta do AI-5, instrumento da ditadura, para combater possíveis manifestações nas ruas e disse que os preços do dólar poderiam subir, pois seria bom para as exportações. Pois bem, quem primeiro falou sobre o I-5 foi o filho de Bolsonaro, tentando intimidar os protestos que vêm acontecendo pelo Brasil, principalmente causado por declarações de Lula que ‘saiu da cadeia batendo’, incentivando os movimentos populares. Ora bolas, os movimentos da população vêm acontecendo ha um bom tempo. Contra ou a favor do atual governo, mas isso é previsto na Constituição. Porém, e sempre tem um porém, tem que serem ordeiros. E aqui vem uma observação minha: Se o primeiro a lembrar da ditadura, foi o filho do presidente, qual a razão para debitar ao Guedes? Ele está sendo cobrado porque a economia não cresceu. O que é natural, baseado no desemprego que embora tenha caído, ainda continua preocupante. Principalmente se levarmos em consideração que o aumento de carteiras assinadas é causado pela possibilidade das vendas aumentarem no final de cada ano. São empregos temporários. E aqui tem outro detalhe, Guedes, meses atrás declarou: “Se não conseguir as reformas eu vou embora”. Então, dá para antever que sua saída está próxima. Caso isso acontecesse, quem seria seu substituto? Pelos últimos acontecimentos seria Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Ele contrariou Paulo Guedes e afirmou: “O Banco Central vai intervir sempre que o dólar começar a disparar”. Por baixo do ‘arroz’ tem linguiça. “Quem vê a barba do vizinho arder põe a sua de molho.


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