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Incêndios tomam conta do Brasil
Publicado em 17/09/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Não bastam os problemas políticos que causam debates acalorados, que sempre tem início em Brasília, estamos convivendo com incêndios provocados, ou não, pelo bicho homem que estão ameaçando nossas reservas. Começou pelo desmatamento da Amazônia, denunciado pelo presidente do INPE. Foi demitido pelo presidente da República que o criticou e desmentiu suas afirmações. Posteriormente, foi confirmado pelas instituições mundiais, o que propiciou a suspensão de auxílios financeiros que vinham do Exterior. Alemanha e Noruega foram os primeiros. Com a França, o debate e as ofensas foram além do esperado. Com a atenção do mundo para o desmatamento, como em um passe de mágica, iniciaram ou continuaram os incêndios na floresta. Até auxílio de especialistas, enviados pelo governo de Israel, vieram ao Brasil, para ajudar a combater as chamas. No final de semana, atingiu o Distrito Federal. Segundo a matéria publicada pelo CB, “o fogo consumiu pelo menos 75 mil metros quadrados de vegetação na Estação Ecológica de Águas Emendadas, em Planaltina”. Para quem conhece Brasília, cujo clima é seco e provoca tonturas, secura na garganta e até dificuldade para respirar, sabe que qualquer toco de cigarro jogado na grama, provoca incêndios. Então, a matéria jornalística, publicada pelo Correio Brasiliense, é muito clara: “Quanto mais seco fica o tempo, mais incêndios florestais são registrados no Distrito Federal. Na noite de domingo, parte de uma importante reserva foi tomada pelo fogo. Às 21h30min, o Corpo de Bombeiros recebeu o chamado para controlar as chamas na Estação Ecológica de Águas Emendandas, em Planaltina. O combate ao incêndio demorou mais de três horas, segundo a corporação. A área afetada na primeira quinzena deste mês corresponde a 10 mil hectares, superior a todas as ocorrências registradas em 2018”. Sobre incêndios vou publicar o comentário do jornalista Chico Alves, editor do jornal O Dia Rio, na edição de ontem, (16-09), cujo titulo diz tudo. Leiam:    

Pantanal queima e ministro finge que não vê

“A tragédia ambiental que são as queimadas na Amazônia, capazes de transformar em cinzas grandes áreas verdes que antes eram ricas em biodiversidade, ainda está longe do fim. É preciso manter a mobilização para evitar mais estragos. Enquanto isso, não se pode assistir de braços cruzados os incêndios que agora destroem a rica vegetação do Pantanal. Na comparação do período de janeiro a setembro de 2019, com 2018, houve aumento de 334% nas queimadas nessa região.  Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estava em Mato Grosso do Sul, justamente o epicentro desse incêndio. Qual providência tomou? Nenhuma. Diferente das queimadas na Amazônia, o fogo no Pantanal não tem conquistado na mídia espaço proporcional ao prejuízo ambiental que produz. Talvez, por isso, o governo federal não tenha agido com a urgência necessária. Nesta quinta-feira, Ricardo Salles estava na cidade de Bonito, uma das nove em situação de emergência por causa do fogo, segundo decreto publicado pelo governo do Mato Grosso do Sul. Estava ali para discutir aspectos jurídicos, científicos e práticos da legislação ambiental, especialmente quanto às leis de Política Nacional do Meio Ambiente e dos Crimes Ambientais, entre eles, as queimadas. Preferiu ficar no debate teórico e não se dignou a deixar a agenda oficial para percorrer uma das áreas devastadas. O ministro não dedicou muito tempo ao assunto nem mesmo nas entrevistas. Fez apenas uma breve declaração sobre a situação do Pantanal. Disse que, por enquanto, o combate cabe mesmo às forças estaduais, ao ser indagado sobre o pedido de ajuda do governo de Mato Grosso do Sul. Não ofereceu qualquer auxílio. Naquela região, os ventos fortes ajudam a propagar o fogo que, na maioria das vezes, é causado pelo homem. A mobilização das Forças Armadas seria essencial para reprimir as ações criminosas e dar apoio logístico à polícia local. Salles se fez de desentendido e foi embora sem dar qualquer ajuda. Desde o começo da temporada de queimadas na Amazônia, o ministro aparece em entrevistas para soltar argumentos evasivos sobre a atuação do governo na área ambiental, enquanto na prática a devastação avança. No caso do Pantanal, nem chegou a se explicar. Com sua face impassível, que parece esculpida em pedra, segue inoperante no cargo. Ou pior: algumas vezes até parece afinado com grupos que colaboram direta ou indiretamente com o extermínio das matas. A continuar assim, pode muito bem mudar o nome da pasta de Ministério do Meio Ambiente para Ministério do Fogo”. Concordam?


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