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Hackers ivandiram celular do presidente
Publicado em 26/07/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Quem disse isso foi a assessoria do ministro Sérgio Moro. Claro que isso poderá influenciar em sua defesa. Não tenho dúvida que influenciará. É pelo menos o contraponto às denúncias que vieram a público até agora. Não está afastada a hipótese de que os diálogos são verdadeiros. Isso está confirmada desde o primeiro momento quando o juiz Moro e sua força-tarefa, jamais contestaram que tenha ocorrido, porém, sempre questionaram a ilegalidade cometida. Tudo isso faz parte do jogo. No primeiro momento queriam que fosse publicada toda as matérias que o jornalista disse que possuía. Ele se negou afirmando que só publicará quando achar o momento oportuno. Direito dele. A prisão dos possíveis envolvidos poderá trazer alguma luz ao problema. Até lá muita água irá correr por debaixo da ponte. É claro que alguns fatos anteriores, bem anteriores, me vieram à mente. Começo pela urna eletrônica que sempre foi questionada por muitos técnicos especializados, entre eles Amilcar Brunazzo Filho que, se diga de passagem, o entrevistei diversas vezes sobre o tema, no Visão Geral da Rádio Cultura. Em 2012, um hacker de 19 anos, revela no Rio como fraudou eleição. A matéria publicada na época dizia o seguinte: "Um novo caminho para fraudar as eleições informatizadas brasileiras foi apresentado ontem (10/12) para as mais de 100 pessoas que lotaram durante três horas e meia o auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro, na rua do Russel, 1, no decorrer do seminário. Sob a pergunta que foi tema do debate: “A urna eletrônica é confiável?” muitos técnicos se manifestaram. Acompanhado por um especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça, e do delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como — através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa, interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado. O jovem, conhecido por Rangel, declarou: “a gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados, mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada”. Alguém fez algo para apurar se as denúncias tinham comprovação? Não. Deixa com está para ver como é que fica. Então, isso também é segurança eleitoral. A causa para voltar ao tema foi tirada de colaboradores até então “anônimos”. Então, a partir daquele momento, Rangel está vivendo sob proteção policial. Qual foi a resposta das autoridades sobre as denúncias? Elas são falsas e não vamos levar em conta, porque a possibilidade de serem verdadeiras é nula. Simples, não é mesmo? Mas por que não mandaram investigar?  Não interessava. A pergunta que se pode fazer a partir de agora: A Justiça determinar que os materiais recolhidos e as provas apresentadas não têm nenhum valor porque a urna é inviolável. Fica a impressão de quem está de fora, que só se interessam por denúncias que os beneficiam. As que o prejudicam negam veementemente. Mas não vai parar por aí. Cada lado vai continuar a fazer sua parte: Um denuncia, outro nega as denúncias, mas, ao mesmo tempo, manda prender quem colou e distribuiu as publicações do site. Tentam intimidar quem assim procedeu. Enquanto isso a democracia se concretiza. Concordam?

Informações complementares

A pressão das denúncias tem provocado muita confusão. Primeiro foi a do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que suspendeu (ele diz que não) todas as investigações que fossem baseadas em informações do Coaf. Ora bolas, se um órgão técnico que controla a movimentação financeira de pessoas que estão em suspeição, não pode ser levada em consideração, o que justificará sua permanência? Como as críticas a sua decisão estão aumentando cada vez mais, ele “está disposto a rever a decisão”. Pode antecipar o julgamento em plenário, inicialmente marcado para novembro. Os reflexos da decisão inicial estão tomando conta do noticiário, principalmente porque grande parte dos comentaristas dizem que ela foi determinada para “salvar Flávio Bolsonaro". Também está vindo à tona a prisão de hackers por terem invadido e copiado combinações escritas e faladas, de Moro com procuradores da Lava Jato e destes com colegas do TRF-4. Até a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, questiona a decisão do presidente do Supremo. A pressão é muito grande. Talvez levado pelas consequências que poderão ser danosas no futuro ele está procurando uma saída na “tangente”. Que encontre é a nossa torcida. Ou não?       


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