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Guera é guerra - palavra de ordem
Publicado em 31/07/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O que hoje estamos presenciando na política nacional é o clima pré - eleitoral ainda não esquecido. Ninguém mais se defende das acusações, mas sim ataca com denúncias aos adversários. É o caso de Bolsonaro, que, dependendo contra qual de seus ministros são dirigidas as denúncias, procede de maneira diferente. Alguns Ministros, inclusive generais, foram demitidos pelo presidente. Vou tratar do primeiro deles, Bebiano, presidente do PSL, partido que lhe deu legenda. Na primeira suspeição de que “ele teria usado dinheiro na campanha eleitoral para candidatos “laranjas”, perdeu o cargo sem direito à defesa. O que se nota agora é uma defesa “ferrenha” de seu ministro Moro. E aí tenho que voltar no tempo, baseado sempre nos fatos, para comparar posições diferentes para denúncias graves. E isso aconteceu durante julgamento de Lula.

PT BASEOU A DEFESA DE LULA EM PERSEGUIÇÃO

Foi ou não foi assim? O que os advogados e/os partidários de Lula, tanto nos autos como nos protestos de rua, enfatizaram foi que os comandados de Moro “estavam julgando a eliminação de um candidato e não o crime pela qual estava sendo julgado”. Ou seja, que o julgamento, após investigações, era político. A intenção era eliminar um possível candidato a presidente da República. A prisão de Lula, após julgamento em segunda instância, o eliminou do pleito eleitoral. A declaração do então presidente do TRF-4, Thompson Flores, tão logo o processo chegou a Porto Alegre, afirmou: “O processo da primeira instância está juridicamente perfeito”. Também foi criticada sua declaração por interpretarem que era “indução a quem iria julgá-lo”. Não deu outra, não só foi condenado como aumentaram sua pena. Quando Moro aceitou o convite para ser ministro, é claro que os advogados de Lula encheram o peito e afirmaram publicamente: “É a confirmação de tudo o que foi dito durante o processo". Ali, segundo eles, ficou comprovado o que eles vinham denunciando sem sucesso: ”O julgamento foi político”. Logo a seguir Jair Bolsonaro declarou que uma das vagas no STF estaria reservada para Moro. As matérias divulgadas pelo site do jornalista americano, fundamentado em diálogos entre procuradores e juiz Moro, reforça as denúncias dos seguidores de Lula: “O julgamento foi político e combinado entre as partes”. O contra-ataque de Bolsonaro, em defesa de Moro, está fundamentado nas prisões dos hackers. Aliás, membros do governo, como o próprio Moro, teriam agilizado a investigação e conseguiram seu intento: Saber quem copiou as conversas. Estes são criminosos e estão presos. Agora para complicar ainda mais a situação, o presidente Bolsonaro entra em campo com tudo que tem direito (terá mesmo?).     

A BRONCA COM O PRESIDENTE DA OAB

O pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Santa Cruz, foi morto na Ditadura Militar. Quando a Polícia Federal tentou investigar o advogado Zanone Manuel de Oliveira Junior, grampeando seu telefone, a OAB via judicial teria evitado que isso acontecesse. O advogado defendia Adelio Bispo, que teria esfaqueado o candidato Bolsonaro. Então, na última segunda-feira, Bolsonaro voltou-se contra o presidente da OAB e afirmou que seu pai foi morto pelos próprios companheiros da esquerda que combatiam o regime militar, que se instalou no Brasil, naquela época. Não foram os militares que o mataram. A reação foi imediata. Não só dos adversários políticos quanto de partidos aliados. Agora pelo conhecimento dos fatos mostrados por Bolsonaro, a Justiça está sendo acionada para que ele conte tudo que sabe sobre o governo militar. Inclusive familiares de Santa Cruz ficaram irritados com a declaração do presidente Jair. Eles querem que os fatos venham à tona. Pois bem acham que vão perder tempo. A Justiça não vai chamar o presidente da República para ser questionado. O que pode acontecer é ele se defender por escrito. Para mim, que já fiz uma avaliação sobre Bolsonaro. Acho que sua participação em quase tudo o que acontece, com declarações que geram debates na imprensa, tem um objetivo: Abafar o ímpeto das denúncias do site de Green, The Intercept. Cada vez mais coisas são divulgadas que, aparentemente, podem atingir o julgamento de Lula, nos tribunais superiores. Como o ex- presidente quer ser solto, e isso pode acontecer no final de setembro, há duas estratégias em andamento: O PT não quer julgamento do sítio de Atibaia agora, mas seus opositores querem. Dá para dormir com um barulho destes? Versão moderna do Samba do Crioulo Doido.       


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