GUEDES PODE SAIR DA NEGOCIAÇÃO DA REFORMA
Publicado em 11/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Na coluna de ontem antecipamos que o ‘estrago’ estava feito pela reação dos sindicatos contra declaração de Guedes. Ao considerar o funcionário publico ‘parasita’, teria seguido a mesma linha de Alvim, o ministro demitido do governo Bolsonaro. Lá, como aqui, eram frases proferidas pelo Nazismo. Fiquei a pensar que os dois ‘superministros’, Moro e Guedes, estavam perdendo posições. Moro não conseguiu convencer o Congresso, que acabou criando o juiz de garantias, contrariando seu desejo. Também perdeu no Supremo, embora falte ainda o plenário decidir, a prisão em segunda instância. Agora, chegou a vez de Guedes. Manchete de ontem:
Servidores reagem à manifestação de Guedes
“Após comparar servidores públicos a parasitas, ministro da Economia terá dificuldades para conduzir mudança nas regras do funcionalismo. Futuro da proposta vai depender da iniciativa e da capacidade de coordenação das lideranças no Congresso”. Constatação de comentaristas políticos, que li ontem, afirmam: "Dificilmente a reforma administrativa será aprovada neste ano, se o ministro da Economia, Paulo Guedes, não sair de cena e deixar as negociações a cargo dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos do DEM. Já anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro, a reforma subiu no telhado por causa de uma declaração de Guedes comparando os servidores a parasitas, na Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, que gerou muitos constrangimentos para os líderes governistas e colocou a oposição na ofensiva, com amplo apoio dos servidores públicos, que se sentiram agredidos.

A alternativa será o Congresso formatar a proposta, sem Guedes à frente das negociações”. Considerada uma proposta do governo é obvio que a oposição também se alia aos sindicatos, fortes se diga de passagem, que regiram fortemente à manifestação do Ministro. Guedes foi além ao fazer a análise de sua proposta de reforma: “Acho que é a mais simples de aprovar porque não atinge os direitos atuais. Mas, se começar a turbinar um pouco mais, pode ser diferente”. O eixo da proposta do governo é criar possibilidades de contratação de servidores, além do Regime Jurídico Único (RJU), cuja marca é a estabilidade para todo o funcionalismo. Hoje, o funcionário que passa em concurso é contratado e ganha o direito à estabilidade tão logo acaba o estágio probatório. Automaticamente. Quem deve estar ‘esfregando as mãos’, contente, é o Moro que vinha perdendo posições para Guedes. Quem ganha, outra vez, é o Legislativo que tomou partido e foi importante na reforma da Previdência. Vai ganhando corpo o DEM, que tem o comando do Congresso Nacional. Vamos acompanhar os acontecimentos. Ainda tem muita água para correr por debaixo da ponte. Concordem ou não?    
 

Tramita no senado nova proposta de escolha
De ministros para cortes superiores da Justiça. Dita proposição tramita no Senado e é uma das 10 prioridades elencadas pelo presidente da Casa. De acordo com a PEC, os ministros do STF passariam a ser escolhidos pelo presidente da República entre os integrantes de uma lista tríplice. Porém,  os votantes seriam representantes do Poder Judiciário, o procurador-geral da República e o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Aliados do ministro da Justiça, Sérgio Moro, veem a medida como uma maneira encontrada pelos parlamentares para impedir que ele alcance uma cadeira no Supremo. Por que ele pensa assim? Eis a questão. Eu imagino que Moro sabe que não é unanimidade e os eleitores, são ‘cobras’ criadas difícil de convencer. Quem não sabe que Moro aceitou o convite de Bolsonaro e assumiu o Ministério de olho no Supremo, é muito ingênuo. Isso pode acontecer em novembro quando Celso de Mello perderá o cargo por completar a idade limite, 75 anos. Terá que ‘segurar’ no pincel, para ser guindado ao cargo. Se a regra mudar, o que era difícil, ficará muito mais. Sente que poderá sair de suas mãos o Supremo Tribunal Federal. Com a mudança da regra, se acontecer antes da aposentadoria de Mello, vai ser preciso muito jogo de cintura, para convencer seus novos eleitores. Que é uma briga bonita, lá isso é. Outra opinião de comentarista dá ênfase ao estrago que a PEC, proposta pelo senador Lasier Martins, pode fazer em sua intensão de assumir a Suprema Corte. Moro é contra qualquer alteração na forma de provimento de cargos no Supremo. Ele está de olho aberto. Tá!


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