Guedes e os reflexos de sua declaração
Publicado em 15/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Em democracia qualquer declaração mal feita (ou será que de propósito?) tem resposta imediata. Na maioria das vezes, é culpada para justificar a suba do dólar e a baixa nas bolsas. Ou vice-versa. Vicente Nunes, comentarista de economia do CB (Correio Brasiliense) titula seu comentário de ontem, sexta-feira, com a seguinte manchete: “Enquanto Guedes mostra todo seu preconceito, a economia afunda”. Quem não lembra do otimismo do então superministro Guedes, ao assumir a pasta da Economia. Chegou ao ponto de declarar que: “Com a posse de um governo liberal, o país entraria em um ciclo contínuo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Num tom até irresponsável, criando expectativas no mercado, prometeu zerar o déficit público, superior a R$130 bilhões, em apenas um ano. Como tudo na vida, muitos acreditam em promessas. Para conseguir esse intento seriam necessárias algumas medidas drásticas, entre eles a diminuição da máquina pública. Reduziram os ministérios, mas não se viram livres dos assessores políticos, indicados pelos partidos da base. Ou seja, a velha política, tão combatida pelo candidato Bolsonaro, continuou complicando a vida do novo governo. Não se livrou e até negociou nomeação de cargos indicados por deputados e senadores. Liberou recursos à medida que ia tendo dificuldade em governar. A realidade é outra que não zerar o déficit. Fechou seu primeiro ano de governo um pouco acima de 100 bilhões. Está quase se igualando ao Moro, outro superministro do governo. Nem a taxa básica de juros (4,25%), considerada o menor nível da história, surtiu efeito. E sua última declaração considerada preconceituosa, está provocando a ira de muita gente. A Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas abriu manchete que diz bem da revolta contra a opinião do Ministro:Disney, só se for para cuidar dos filhos dos patrões”. Então, ai está o que acontece quando alguém é considerado ‘superior’ ao que ele realmente pode representar. Isso tem baixado a cotação de superministro para ministro apenas. Moro também andou perdendo alguns pontos, inclusive, ‘batendo boca’ e aceitando provocações de deputados, na Câmara Federal. Isso acontece quando os poderes não se respeitam. Os três poderes têm atribuições específicas. Se brigarem nada conseguem. Bolsonaro começou suas brigas com a Câmara, trocando farpas com Rodrigo Maia. Se deu conta, voltou atrás e passou a elogiar os legisladores. Porém, quem levou os méritos pela aprovação da reforma da previdência foi o Congresso Nacional. É assim que a banda toca. Não adianta medir forças. São poderes diferentes. Tá?      

Até parece jogada ensaiada

No momento em que Paulo Guedes sofre duras críticas pelas suas posições, outra pesquisa é publicada. E o título é sugestivo: “Nova pesquisa mostra Bolsonaro à frente de todos, menos de Sérgio Moro”. Dita pesquisa foi realizada pela FSB e pela Revista Veja. Eu pelo menos nunca ouvi falar na FSB. Outra curiosidade é que a dita ‘pesquisa’ foi realizada pelo telefone. Eu como crítico das pesquisas, fundamentado em seus erros dos últimos anos, como posso acreditar em uma feita pelo telefone. É cobra mandada e se foi paga, o que não acredito, vai seguir o que o contratante determinar. A velha história ‘quem paga manda’. Mas tem o outro lado da história isso pode ligar a luz vermelha no Palácio. O caso de Moro tem semelhança com a simpatia que a população tinha em Joaquim Barbosa. Grande parte da população que votou em Bolsonaro era dos adversários políticos de Lula e do PT. Uniram-se para vencer o líder petista que estava preso. Portanto, não era candidato a nada. Mas mostrou que era forte porque levou mais ‘um poste’, ao segundo turno. Já hoje é um pouco diferente. Grandes aliados do atual presidente abandonaram o barco. Outros estão abandonando. Ele está tentando criar seu próprio partido com inúmeras dificuldades é até denúncias fortes contra alguns cartórios eleitorais. Muitos apostam em Moro para substituí-lo. Penso que estes fatos vão conseguir levar Moro para o STF. Que é o que ele mais quer. Dessa maneira, Bolsonaro se vê livre de um possível adversário. Ou o presidente vai aguardar os acontecimentos e a publicação de outras pesquisas para tomar sua posição. Ainda tem muito tempo e muita água para rolar por debaixo da ponte. O que vai pautar as futuras decisões é o andamento das eleições municipais. O partido que eleger mais prefeitos e vereadores formará uma forte base para a eleição de 2022. Moro, se não tiver jogo de cintura, pode perder, inclusive, a nomeação para o Supremo, substituindo Celso de Mello. Teria nova oportunidade no próximo ano quando Marco Aurélio Mello também se aposentar. Coisas da política. Certo?


Deixe sua opinião