Graças a Deus ficamos livre dele
Publicado em 02/06/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Antes mesmo de terminar uma pendenga, entra outra em campo. Na segunda-feira, 1º de junho, ontem, na porta do palácio, Bolsonaro instigado por um apoiador se saiu com a afirmação que encabeça a coluna de hoje. Fui saber quem era o personagem que deixou o ‘governo agradecido’. Primeiro, para que entendam a declaração, seu seguidor agradeceu o presidente ‘a derrubada da instrução normativa (IN) 131’.  Foi editada pela Polícia Federal, a mando do então ministro Moro, que teria ignorado decretos de Bolsonaro, que tratava da permissão de armas para qualquer cidadão que se enquadrasse na lei. “Ignorou a lei com objetivo de dificultar a posse de armas para as pessoas de bem. O ex-ministro estava perfeitamente alinhado com outra ideologia”. Os leitores, que acompanham o programa na Rádio Cultura, Visão Geral, sabem minha opinião desde que foi lançado um plebiscito para saber a opinião da população com respeito ao desarmamento do povo. Não custa repetir: Votei contra o desarmamento. Na época, declarei que, embora nunca tivesses usado uma arma, eu era a favor de que o cidadão pudesse optar por ter sua arma de fogo. Só dependia de se enquadrar na lei, pagar as taxas para ter arma. Portanto, o que continuo convicto é que ‘qualquer cidadão tem direito a ter sua arma’. Não estou dizendo que a declaração de Bolsonaro espelhe a realidade. Que foi Moro quem determinou à PF a criação da normativa 131. Estou apenas analisando os fatos. Então, a afirmação ‘que graças a Deus ficamos livres dele’, resume que muita coisa aconteceu nos bastidores do governo para que Moro tenha saído do Ministério. A dita IN, segundo Bolsonaro, o Moro queria uma portaria que multasse quem estivesse na rua. Entendi que com ‘arma ilegal’. Embora não se saiba realmente a causa da saída de Moro, a medida que o tempo passa e baseado em declarações de ambos os lados, o tema vai se clareando. Mas não termina por aqui. Muita água vai correr por debaixo da ponte. Como a guerra se tornou política, tudo pode acontecer. Só o que não me entra na cabeça é a causa pelas quais um presidente eleito, não possa escolher quem serão seus assessores. Ou não possa demitir quem não se enquadrar nas diretrizes do governo. Concordam ou não?

Olha só que time está formando o governo

Na mesma segunda-feira, ontem, o governo publicou no Diário Oficial da União, a nomeação de um indicado pelo Centrão, para o FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação). Marcelo Lopes da Ponte, ex-chefe de gabinete de Ciro Nogueira (PP), para chefiar o Fundo. Com o aval do PL, Republicanos, PTB, Solidariedade, DEM e PSD. O novo componente vai administrar um fundo de R$ 29 bilhões. É claro que muitos partidos queriam. Porém, os partidos que formam o Centrão têm muito mais votos na Câmara e Senado, do que qualquer outro pretendente. Para mim, já está com maioria consolidada no caso de algum processo de impeachment ser levado a plenário. Agora, está mais difícil porque, tanto o presidente da Câmara (Rodrigo Maia) quanto do  Senado pertence ao DEM, que deu apoio à nova indicação. Como uma coisa leva a outra, fiquei a pensar que a substituição de uma pessoa que foi indicada pelo ministro da Educação, não vai agilizar a queda de Weintraub. O congresso já vinha criticando sua atuação há um bom tempo. O Centrão era um dos que mais batia. Agora, está no governo e tem em suas mãos a liberação de recursos. Estão ‘ferrado’, como dizem os universitários da avenida Sete de Setembro, o atual ministro. Pode não ser demitido, mas simplesmente transferido para outro setor. Assim como aconteceu com Onyx Lorenzoni. O FNDE é o órgão responsável por atribuições que vão desde a contratação de livros escolares, transporte de alunos até o programa federal de financiamento estudantil, o Fies. Foi por meio do órgão que a pasta contratou uma empresa para fornecer kits escolares a estudantes. Segundo o Ministério Público, está envolvida em um esquema, revelado em março pelo Estadão, que desviou R$ 134,2 milhões de dinheiro público da Saúde e da Educação na Paraíba. Bueno, o que se pode dizer é que, para não sofrer processo de impeachment e vendo que a indicação do Centrão para um cargo importante na Educação deixa seus componentes satisfeitos, está livre de cassação. Temporariamente. “Liberou geral”. Guerra é guerra. Ou não?


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