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GOVERNO BOLSONARO É O CENTRO DE TUDO
Publicado em 29/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Dito desta maneira dá a impressão que é o governo quem chama para si tudo que é denúncia apresentada por quem quer que seja. Eu pelo menos tenho essa leitura. Em outros governos quem ia a público combater alguma denúncia eram os auxiliares do próprio governo. No caso atual quem combate é o presidente da República. Em determinado momento da “batalha” pela aprovação da reforma da Previdência o centro de tudo foi o presidente. Primeiro, ele entrou em conflito com Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Era um dos defensores no Congresso, sendo, inclusive, o maior defensor dos projetos do Executivo. De uma hora para outra, Maia renunciou a coordenação política com os deputados. Se houve alguém do próprio governo que incentivou a desavença ninguém sabe. Eu interpretei que, ao sentir que a reforma poderia não ser aprovada em sua totalidade, o presidente passou a mostrar a população que, se não conseguisse a reforma integralmente, não era por força de sua vontade em “cumprir” promessas de campanha. Então, ali me pareceu uma estratégia, ou, como queiram, colocando a culpa no Congresso. Mas jamais parou com declarações fortes. A situação de uma de seus filhos, que hoje é senador, ficou complicada quando o Ministério Público Federal iniciou as investigações sobre Queiroz, ex-assessor de Flávio, que seria o responsável pelas ‘rachadinhas’. Como esse jogo é “duro’, Flávio foi aliviado porque Toffoli, presidente do Supremo, proibiu investigação da força-tarefa da Lava Jato, sem autorização judicial. Porém, só aconteceu porque o jornalista Gleen mostrou que os procuradores, ”estavam investigando” ministros do Supremo sem autorização judicial. As negociações  com a Câmara se aceleraram e promessas de liberações de emendas e nomeações de indicados para cargos federais nos estados foram cumpridas. Em parte, como ficou constatado pelo pedido de CPI das fakes news. E isso foi dito claramente por um dos membros da CPI. “Integrantes do "gabinete do ódio", montado no Palácio, teriam ligações com Carlos Bolsonaro”. A encrenca que causou o rompimento de Bolsonaro com seu próprio partido, foram as ditas candidaturas de ‘fachada’ em Pernambuco e Minas Gerais. A liberação de recursos e nomeação de indicados não cumpridas para parte dos que votaram a favor da reforma, trouxeram a público o presidente da CPI, Ângelo Coronel (PSD), que afirmou: “a comissão de inquérito não foi criada para servir de arena de disputa política, mas adotará todo o rigor nas investigações e na responsabilização dos envolvidos”. Pois bem, a CPI está andando celeremente ao aprovar requerimento de convocação de pessoas que trabalharam na campanha do presidente Jair Bolsonaro, para que esclareçam denúncias de disseminação de fake news. E aqui temos que incluir certas manifestações de ex-defensores de Bolsonaro que foram retirados de suas funções e que propiciou o incremento da briga interna partidária que rachou o PSL. Primeiro, foi com Bebiano, corrido do Ministério pelo próprio presidente; agora o choque de frente contra Luciano Bivar. A guerra estabelecida virou alvo de ameaças e acusações de ex-aliados. As revelações da deputada Joice Hasselmann, retirada por Bolsonaro da liderança do governo no Congresso, de que a difusão de fake news iniciada na campanha continua a todo vapor dentro do Planalto, abalou em Brasília. Isso deixou transparecer que muitas notícias falsas têm origem no Palácio do Planalto. Aqui cabe uma pergunta: Por que só agora resolveram revelar? Coincidentemente porque o “governo não teria liberado recursos de emendas e nomeações de indicados por legisladores do próprio partido”. As expectativas para esta semana na CPI giram em torno do depoimento do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-aliado e agora desafeto de Bolsonaro, marcado para quarta-feira. Em agosto, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ao ser questionado sobre o suposto impulsionamento de fake news pela campanha presidencial do PSL, Frota respondeu que sabia de todo o método. Como o parlamentar foi convidado, ele não é obrigado a comparecer. Há um sentimento grande de revolta entre deputados contra o presidente e seu filho e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que se tornou líder da legenda na Câmara em substituição ao delegado Waldir, após uma conturbada disputa. Para complicar ainda mais, Fabrício Queirós se queixa de ter sido abandonado pelo grupo político que elegeu Bolsonaro. Tudo misturado dá samba-enredo. Ou não?


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