Governadores reagem e enviam texto a Jair
Publicado em 19/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Usando termos de futebol, como sempre o faço, recordo do ‘veterano’ Jair da Rosa Pinto, em seus mais de 40 anos jogando futebol, ao lhe perguntarem como fazia para ‘correr’ 90 minutos. Foi prático: “Não corro, quem corre é a bola”. Ou outra afirmação do velho craque, que comandou o Santos na formação do grande time de 56 e 57: “Parado em campo ele gritava para a gurizada, vai que eu te lanço na área”. E foi assim por bom tempo. O Santos foi quem foi, em parte, agradeça ao velho ‘JaJa’. Sabia como ninguém fazer um lançamento de 40 metros, colocando a bola com precisão no pé do atacante. Sessenta anos depois, surge outro Jair, este político. Que sem comparar, mas, já comparando, atrai para si todos os problemas da República, muitos provocados por ele mesmo, que tem o sentido de desviar a atenção de adversários políticos. E tem conseguido. Alguns políticos tentam taxá-lo de burro o que eu nunca concordei. Ele tem um plano e executa. E aqui mais um ditado popular: “Quem o comprar por burro, devolve na hora”. Durante um ano de gestão, conseguiu ‘brigar’ com o Congresso, substituir ministros e romper com o partido que lhe deu legenda (PSL). Nunca abandonou a critica ao seu maior adversário político, o PT de Lula. Até aqui, é normal, ou o politicamente certo. Enquanto isso, vai formando nova base para sua candidatura à reeleição. Até um partido está criando para ter o comando das ações políticas. Ele se assemelha ao Lula, que também manda e desmanda no PT, criado por ele. Aí alguns comentaristas políticos criticam o que consideram a ‘polarização’ da política. Pergunto e quando não foi polarizada? Agora, a briga foi formada com os governadores, ao provocá-los para que zerem o ICMS. Nem ele, acredita que isso possa acontecer. Primeiro: porque ‘governo nenhum’, pode abrir mão de receita, sem mostrar de onde tirara recursos para substituir o “furo” na arrecadação. Nem o próprio governo central poderá tomar essa decisão. É claro se respeitar a lei. Segundo: em um país que ‘gasta mais do que arrecada’, abrir mão de receita é aumentar o rombo, condenando os governadores e prefeitos e, até mesmo, a União à falência, coisa que estamos próximos. Então, a ‘jogada’ de Bolsonaro, mais uma, é botar a culpa nos entes da federação. É claro que, houve reação forte, o que provocou o documento firmado por 20 governadores publicado ontem. O texto final foi arrematado por Ibaneis Rocha Barros Junior, governador do Distrito Federal, advogado de profissão e filiado ao MDB. Durante o último final de semana, costuraram uma reação conjunta, via telefone, contra declaração do presidente. “Sobre o fim do ICMS de combustíveis nos estados e a atuação política das polícias em favor de governos, no caso da morte do capitão Adriano, na Bahia, sob gestão petista”. Os governadores pedem paz para atuarem juntos. Ao mesmo tempo, eles formalizam o convite para que Bolsonaro participe do Fórum de governadores marcado para 14 de abril. Até lá, muita água vai correr por debaixo da ponte. Enquanto isso, os ministros vão se acertando com o Congresso no texto das reformas. Foi assim na reforma da previdência. Concordam ou não?

Corpo de Adriano não precisa conservar

Muitas decisões jurídicas o leigo não entende. Nós, leigos, partimos do princípio que a lei é para todos. E aqui vale para pobre e rico. Para qualquer raça. Então, outra vez, fiquei ‘confuso’ com decisão do juiz titular do Tribunal do Júri do Rio, Gustavo Gomes Kalil, que declarou à imprensa: “Não é mais necessário conservar o corpo e nem realizar nova necropsia do miliciano Adriano da Nóbrega, morto no último dia 9, durante uma ação policial em Esplanada, na Bahia”. Minha surpresa é que, mesmo leigo, sei que a competência é do juiz da comarca de Esplanada, onde o crime foi consumado. Na última quarta-feira, duas decisões judiciais proibiram a cremação do corpo do miliciano. É mais um problema que mostra decisões ‘diferentes’ para um mesmo caso. Aquela disputa entre ‘quem sabe mais’. O ideal seria que após a liberação do corpo para a Justiça do Rio, de posse dos laudos, o magistrado tomasse a decisão. Decidir sem saber o resultado da perícia realizada no local do crime é antecipar os acontecimentos. Um caso que já é polêmico em sua essência, desperta a desconfiança. Ainda mais que tem ‘gente graúda’ interessada em arquivar o processo. Certo? 


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