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GLENN CONTINUA DENUNCIANDO PICOTADO
Publicado em 30/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Não se pode dizer que o jornalista americano não cumpre o prometido. Forçado no início a trazer a público todas as denúncias que ele tinha comprovação, afirmou publicamente  que as publicaria na hora certa. E está cumprindo. No final de semana passado, mais uma veio a público pela folha de São Paulo. Conta fatos que em país sério levaria aos tribunais quem assim procedeu. Outra vez, o centro das denúncias é a força-tarefa da Lava Jato. O título é bem comprometedor, leiam: “Procuradores induziram Teori Zavascki a manter prisões para forçar delações”. A Folha de São Paulo e o site The Intercept Brasil trazem à tona mais uma história secreta da Justiça: o falecido ministro Teori Zavascki, do STF, quando relator da Lava Jato, engavetou dois pedidos de habeas corpus feitos por dois empreiteiros da Andrade Gutierrez, para forçá-los a fazer delação premiada. Nisso, foi induzido pelos procuradores do Ministério Público Federal de Curitiba, Deltan Dallagnol, à frente, e pelo juiz Sérgio Moro, que era frequentemente consultado pela força-tarefa. A delação premiada tem sido combatida por alguns juristas, bem como por populares. Ela funciona da seguinte maneira: Réus que estão prestes a serem condenados poderão diminuir suas penas, se “denunciarem alguém”. Ora bolas, é o velho adágio popular “quem está morrendo afogado se agarra até em arame farpado”. Gilmar Mendes sempre criticou a delação premiada e a prisão preventiva alongada, justificando sua análise no fato que o investigado “cumpria pena antecipada, antes mesmo de ser julgado”. O jornalista Glenn mostra que isso aconteceu e com detalhes. Mensagens obtidas pelo site Intercept contam o seguinte fato: “Procuradores consultaram Sérgio Moro, antes de levar a proposta a Teori. O ministro estava inclinado a soltar os executivos, pois a prisão já se prolongava, mas a Lava Jato, com Rodrigo Janot, à frente, paralelamente, acordou com a empresa e os empreiteiros que eles ficassem em regime domiciliar durante um ano; com tornozeleira eletrônica, até que a delação - que implicaria figurões com foro privilegiado - fosse efetivada”.

Tinham alguns problemas a serem enfrentados, inclusive, um deles era convencer o ministro Teori, relator no Supremo dos processos da Lava Jato, a não acatar o pedido dos empreiteiros que solicitavam habeas corpus. Rodrigo Janot foi o encarregado de visitar o ministro, solicitando que ele não determinasse a soltura dos empreiteiros envolvidos. O motivo para o pedido foi fundamentado e um acordo que estaria sendo formatado de delação premiada. A tarefa seria difícil, pois Teori era um homem sério, não dado a acordos dessa natureza e sequer conhecia os termos da delação. A tendência dele era a de soltar os representantes da empresa e, se assim o fizesse, adeus delação. No linguajar popular seria uma chantagem, como a dizer “vamos mantê-los presos até que eles confessem”. O que foi feito. E Teori aceitou participar. No dia 4 de fevereiro de 2016, o chefe de gabinete de Janot, então PGR, deu a notícia, via aplicativo Telegram, a Deltan Dallagnol: Teori vai "travar os habeas corpus esperando vocês". Isso facilitou a que os empresários assinassem o termo de delação premiada. Representantes da força-tarefa disseram à "Folha" que "não houve ilegalidade" na negociação. Moro confirmou que "houve respeito aos direitos da defesa e que discussões entre procuradores e juízes como as reveladas pelas mensagens são normais". Os executivos estavam na cadeia há cinco meses em prisão preventiva decretada por Sérgio Moro, sem que houvesse garantia de que delatariam crimes eventualmente cometidos por políticos e figurões da República. Eles já haviam recorrido ao STJ pela soltura o que os procuradores temiam. As chances de um acordo com réus soltos, com volta para a cadeia, era mínima. Palavra de um dos procuradores, Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa de Curitiba. "A não celebração de um acordo geral por causa de alguns meses na cadeia jamais será visto no futuro como um erro". O que é mais grave, para um leigo, é a afirmação do ex-procurador Marcello Miller, segundo a reportagem da Folha, confirmando as mensagens do Telegram como sendo suas. Portanto, verídicas. Ligando os fatos, a desconfiança volta a martelar a cabeça maluca do senil, que sou eu. Tantos acidentes tirando a vida de figuras públicas conhecidas, cujos laudos técnicos não convenceram muita gente, aumenta a dúvida  existente. A de Teori Zavascki, que já estava esquecida, com a denúncia atual em breve será a bola da vez. Concordam?     


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