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Gilmar Mendes critica Lava Jato
Publicado em 06/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O jargão popular “debaixo do tapete” está sendo colocado para escanteio por um simples motivo: Não há mais tapete. Pode demorar algum tempo para que saibamos o que acontece nos bastidores políticos. Mas um dia isso acontece. Outra coisa: a verdade, mais cedo ou mais tarde, aparece. Antes, porém, ela vem recheada de desconfiança, denúncias sem provas. Delações premiadas que diminuem as penas dos corruptos. Às vezes forçadas pelas circunstâncias. Outras vezes espontaneamente. Sempre ouve denúncias contra a rapidez, e insistência, na busca de delações não só por parte de quem estava preso, como pela Justiça. E isso são fatos e fatos são fatos. A força-tarefa da Lava Jato, na ânsia de dar prosseguimento aos processos, teria usado de todo seu poder, mas se distanciar muitas vezes da Lei que a regulamenta.  Até parece que estou seguindo a mesma linha usada pelo PT, para tentar salvar seu maior líder, o Lula. Ali era o direito de defesa prevista em Lei. Quando o Supremo votou pela prisão em segunda instância (6x5, lembram?) deu o maior ra-fa-fa entre os defensores e acusadores. O argumento maior é que a corte alta não tinha esse poder. Só quem poderia regular seria o Congresso, porque constituição só pode ser mudada pelas casas legislativas. Outros tantos defendiam o Supremo, cuja atribuição seria essa mesmo. Pois bem, a bola seguiu rolando, porque jogo é jogo.  Foi preciso que um jornalista estrangeiro  denunciasse os acontecimentos e os meios usados para atingir o objetivo para que a “ficha caísse”. O próprio Gilmar Mendes, após dar vitória para a prisão em segunda instância, resolveu soltar o “rei dos ônibus” (Barata Filho) já julgado e preso. Aí, questionado sobre o fato, afirmou que estava propenso a reconsiderar sua posição, tão logo fosse marcada a pauta para novo julgamento. Carmen Lucia, a presidente do Supremo na época, disse que não autorizaria novo julgamento. E assim aconteceu. Gilmar, como se sabe, é sócio majoritário de uma universidade em seu Estado. Até aí nenhuma objeção. A denúncia tinha lá seus fundamentos, porque seus rendimentos não comportavam um investimento daquela magnitude. Ficou tudo por mil e quinhentos. Quando Marco Aurélio Mello mandou Renan abandonar a cadeira de presidente do Senado, que nem mesmo aceitou assinar o mandado expedido, forçou o governo Temer a juntar, no palácio, Fernando Henrique, Sarney e Gilmar Mendes, que conseguiram cassar a liminar de Marco Aurélio. Nunca questionaram as denúncias (por serem verdadeiras?). Não sei. Só sei que a lógica, na interpretação de membros do governo e da população, era que a compra da universidade, não se encaixava em seus rendimentos. Pois bem, segundo capítulo.

LAVA JATO ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA 
No domingo, o Correio Brasiliense publicou uma entrevista longa do ministro Gilmar Mendes, também investigado, junto com Toffoli e esposas, ‘clandestinamente” pela força-tarefa da Lava Jato. Segundo o jornal, “O Supremo Tribunal Federal está no centro de uma turbulência que atinge os poderes. Diálogos trocados entre o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, e outros integrantes do Ministério Público Federal indicam a origem de uma investigação informal contra o presidente da Corte, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes a partir de familiares. A reação em torno do caso começou na semana passada, com decisões determinando o envio das mensagens ao tribunal”. Gilmar Mendes, crítico a determinadas ações policiais e medidas judiciais, como a condução coercitiva, aponta falhas em órgãos de correção, para impedir erros e abusos por parte dos integrantes da força-tarefa. Primeira pergunta: “O senhor avalia que existe algum interesse específico neste caso?" Resposta: “A impressão que eu tenho é que se criou no Brasil um estado paralelo, se a gente olhar esse episódio (do Deltan e Toffoli)", para ficarmos ainda nas preferências que o procurador faz. Dizer "eu tenho uma fonte na Receita e já estou tratando do tema", significa o quê? Significa “estou quebrando o sigilo dele”. No fundo, um jogo de compadres. É uma organização criminosa para investigar pessoas”. Para complicar ainda mais a notícia é a seguinte:

MORO OMITIU PALESTRA REMUNERADA
O ex- juiz da Lava Jato, hoje ministro da Justiça, declarou algo hilário: “A omissão da palestra ocorreu por puro lapso e que doou parte do valor recebido para uma entidade beneficente”. Esse “lapso” também foi a causa de ele ter deixado “vazar” a conversa de Dilma, enquanto presidente, com Lula? Ah é, é?  


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