FRASES COM DUPLO SENTIDO PROVOCAM DÚVIDA
Publicado em 18/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Muita gente usa de expressões populares, que tem duplo sentido e que acabam causando polêmicas. Lembro da célebre frase até hoje usada, que mostra claramente o duplo sentido: ‘Não confunda coco da Bahia com coco da baía’. Tem uma letra de samba que causou decisão judicial, tentando proibir sua divulgação, interpretada por Bezerra da Silva: “Tem coca aí na geladeira”. Segundo o magistrado que proibiu sua divulgação, era indutora do consumo de drogas. Depois de grande discussão no Judiciário sua divulgação foi permitida. A defesa do cantor usou o ‘duplo sentido’ e suspendeu a decisão de um juiz de primeira instância. Até hoje é tocada, como o fiz no programa Visão Geral, de ontem, na Rádio Cultura e na radioweb Visão Geral. O que me convenceu a usar o tema, como primeiro assunto da coluna de hoje, foi a declaração do presidente Bolsonaro, logo após o jogo do Flamengo contra o Atlético do Paraná, que ele assistiu no estádio Mané Garrincha. Na entrada do Palácio, abordado pela imprensa sobre a morte do miliciano na Bahia assim se manifestou: “Espero que a investigação chegue a “bom termo”. Entrou de ré na minha orelha. O que ele quis dizer com ‘bom termo’? E aí começa minha desconfiança. Bom termo para quem? Para seu filho, que havia condecorado o dito ‘miliciano? Para seu filho que havia empregado a mãe do morto e sua esposa, enquanto foi deputado estadual pelo Rio? Ou porque ele mesmo e o ministro Moro enfatizaram que a morte foi causada pela polícia baiana, estado comandado pelo PT? A polícia fazia mais de ano que andava atrás do Adriano da Nóbrega. Por sinal seu advogado declarou à imprensa que Adriano tinha medo de ser morto. Inclusive foi aventada a possibilidade de ‘queima de arquivo’. Se encontrado antes, com certeza, seria convocado pela Justiça para prestar depoimento. Primeira conclusão a que cheguei: A polícia comandada pelo PT, não queria que ele fosse ouvido pela Justiça? Cá entre nós, é pouco provável. Mas seguindo o raciocínio, a Polícia atuou tentando comprometer os amigos da família Bolsonaro que não desejavam que ele fosse interrogado pelo Judiciário? Também é pouco provável. Então, deixo para a interpretação dos leitores a seguinte pergunta: Qual o verdadeiro sentido  da declaração do presidente. ‘Espero que chegue a bom termo’? Toim!         
Apoiado pelo PSDB Eduardo Leite se mexe
Políticos sempre andam atrás de uma nova eleição. E isso é constatado em quase todos os partidos brasileiros. A matéria que li tira qualquer dúvida sobre o voo mais alto do atual governador Eduardo Leite. E começa assim: “Depois de aprovar um pacote de ajuste fiscal inédito, o governador gaúcho entra no jogo para a próxima disputa presidencial”. No ano de eleições municipais, já estão falando na eleição presidencial em 2022. Isso prova que a jogada dos partidos é vencer o maior número de municípios, com bom número de vereadores. Será a base da eleição de 2022. Neste momento, estão analisando as chances de Bolsonaro para a reeleição. E isso está provando reação de partidos que o apoiaram, mas que estão caindo fora da base. Um deles é o PSDB. O cenário político traz para o ‘jogo’ Eduardo Leite. Os tucanos têm um nome em evidência o governador João Doria. Para evitar um só nome, Fernando Henrique está incentivando o governador gaúcho. Eduardo Leite está sendo ‘picado’ pela mosca azul. Bruno Araújo, presidente nacional dos tucanos, em entrevista há pouco concedida, colocou Eduardo Leite ao lado de João Doria, como uma das possíveis alternativas para presidência em 2022. Leite, que embora sua pouca idade (34 anos), não corre ‘voa’. Viu a possibilidade de ser conhecido nacionalmente. Veja sua declaração: “Me chamaram para esse jogo do centro”. Ai tem duas observações. A primeira que Eduardo Leite sabe que não é tradição dos gaúchos reelegerem governadores. Segundo que, pela sua pouca idade, pode começar agora sua campanha para 2026. A declaração de Fernando Henrique, um dos líderes do ‘tucanato’, teceu elogio ao gaúcho: “Conversei com ele longamente. É uma pessoa equilibrada não vai no embalo. Ele sabe que tem de dar tempo ao tempo. O que eu gosto no Eduardo é que ele não está se precipitando e sabe de uma coisa muito importante: não adianta você querer ser (candidato). Os outros precisam querer que você seja”. O jogo é jogado. Quem duvida é louco. 

 


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