Final de ano sempre é fraco em política
Publicado em 20/12/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Decisões políticas sempre diminuem ao se aproximar as festas de final de ano. Isso é natural. O mundo político entra em recesso. A mesma coisa acontece no Judiciário. A única diferença é que a Justiça fica sempre de sobre aviso para alguma petição importante. Então, são os plantões que decidem. Muitas vezes, são casos esperados. E aqui não há qualquer conotação sobre a possibilidade de ‘arreglo’. Não. É a realidade, baseado em fatos. Como nada mais é ‘segredo’, os advogados de defesa sabem de antemão quem será o plantão que poderá soltar ‘o cliente’. E aí espera o momento oportuno para entrar com a ação. São estratégias jurídicas usadas sempre respeitando as leis. Serão aceitas ou não. Aí já são outros quinhentos. Quem ganha uma ação, mesmo que temporária sai a festejar. Quem perde sai a se lamentar. Mas isso faz parte do jogo. Muitos plantões jurídicos preferem ‘lavar as mãos’ e transferem a decisão para o pleno, que está em recesso. E isso fica para ser decidido no ano seguinte. Como já temos visto cada juiz tem sua estratégia. Assim como cada advogado, de defesa ou acusação, tem as suas. É o mundo jurídico funcionando. Pois bem, mas algo está chamando atenção neste final de ano. O primeiro deles é o caso envolvendo Paulo Vieira de Souza, Paulo Preto, condenado a 145 anos de prisão. Suspeito de ser o operador do PSDB em São Paulo teve a condenação pela Vara Federal em uma das ações da Lava Jato. Seus defensores apelaram para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o ministro Reynaldo Soares da Fonseca “anulou” condenação e mandou retornar o processo à primeira instância. Leia: “Determino que a ação penal volte à fase de alegações finais para que o réu tenha garantido o direito de pronunciar-se por último, depois das manifestações dos delatores”. Segue a decisão do Supremo. Portanto, nenhuma novidade. Paulo Preto foi assessor de José Serra no governo de São Paulo. A pergunta que fica só o tempo responderá, a decisão do ministro será seguida por todos os demais componentes do STJ? No caso Lula, a decisão do Supremo está marcada para o mês de março de 2020. Até lá, fica a expectativa. Certo? 

Assessores de Flávio são alvos de busca

Foi notícia do Jornal o Globo do Rio, a seguinte matéria que vem ‘se enrolando’ há um bom tempo. Leia: “O Ministério Público do Rio realizou, na manhã da quarta-feira, operação de busca e apreensão em endereços ligados a ex-assessores do senador Flávio Bolsonaro, entre eles Fabrício Queiroz. As buscas aconteceram em endereços da capital e em Resende, no sul do Estado. A operação se dá no âmbito da investigação que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro e peculato no gabinete de Flávio, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) quando ele era deputado estadual. Além de Queiroz, são alvos da operação familiares do ex-assessor e de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro”. Outro dia foi noticiado que a ‘preocupação’ do presidente da República estaria voltada para as investigações no Rio que tentariam atingi-lo através do filho. A ação movida pela Justiça do Rio está baseada no que foi considerado “as rachadinhas”. “Ou seja, após o recebimento dos salários, os assessores devolviam para Queiroz R$ 2 mil, que eram depositados na mesma conta em que os assessores recebiam os salários da Assembleia Legislativa”. O MP também apontou suposta ação de organização criminosa no gabinete de Flávio e supostos sinais de que o hoje senador ‘lavou dinheiro na compra e venda de imóveis’. Final de 2019 segue o rito do início do ano. Está ‘movimentado’. Ou não?

Câmara aprova impeachment de Trump  

A motivação para a decisão foi a tentativa de ‘obstrução do Congresso’. Isso não quer dizer que Donald Trump está cassado. Ainda tem que passar pelo Senado, onde os Republicanos tem a maioria. Mas isso fica para o ano que vem que é eleitoral. Os especialistas políticos do mundo não creem que o Senado acatará a decisão da Câmara. Ao contrário, acham que a decisão ‘irá ajudar Trump na campanha eleitoral’. A conferir. Isso pode ser um alerta para qualquer país democrático do mundo, onde os três poderes funcionem em harmonia. É também um alerta para o Brasil. Concordam?


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