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Filme de suspense é ficção. Política não
Publicado em 14/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Com é bom guardar fatos na memória ou em arquivos. Tenho esse costume que, enquanto a memória não falhar, vou juntando fatos que um dia serão úteis. Começo pelo princípio para chegar ao tema de hoje. Tenho para mim, até prova ao contrário que até hoje ninguém apresentou, que os Tribunais de Contas, como são formados em sua maioria por políticos em decadência eleitoral não têm respaldo para julgar outros ex-colegas que venham parar em suas mãos. Não que os tribunais não tenham em seus quadros, técnicos especializados. Porém e sempre tem um porém, a decisão final cabe a “diretoria”, formada por indicações políticos partidárias, sob o comando do Legislativo. E aqui não vai nenhuma defesa de “coisas erradas”. Acredito que, se os tribunais de contas fossem apenas formados por técnicos, cujas conclusões fossem respeitadas, serviriam de auxílio para correções de possíveis erros administrativos. Mas a prática tem demonstrado que não. Depende do caso, será ou não publicado para “as devidas providências”. As antigas e rançosas “pedaladas”, só foram combatida a partir do momento em que serviria de embasamentos para cassação de presidente da República. Foi o caso de Dilma Rousseff que autorizou, o que é “ilegal”, o uso de dinheiro sem autorização do Legislativo. Mesmo que após alguns dias tenha devolvido. Coisa praticada há muito tempo por outros presidentes. Sou apologista que não interessa se outros presidentes tenham cometido o mesmo erro, tem que ser corrigido. A “bola estava na área e alguém tinha que chutar”. E aqui vem a parte interessante, o presidente da Câmara, que hoje está preso, chutou e a presidente da República foi cassada. O que relembro agora é o nome do relator ex-deputado Augusto Nardes. É claro que tendo a mão forte do presidente da Câmara, amigo e coligado, do mesmo partido de quem iria ser beneficiado com a cassação, Michel Temer. Pois bem, tão logo da decisão de Nardes, apareceram algumas denúncias contra ele em sua cidade natal, Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Manchete: “Nardes teria aparecido como sócio de empresa envolvida em fraudes”. É claro que ele negou. Mas sua negativa é interessante: “Ao se tornar ministro do TCU, afastou-se de todas as empresas das quais era sócio”. Deixou, no entanto, uma válvula de escape: “meu desligamento pode ter levado um certo tempo e pode ter sido usado por terceiros”. Foi parar no STF, porque, como ministro, era beneficiado pelo foro privilegiado. Pela falta de informações, deve estar dormitando por lá até agora. O esquema foi desmontado pela Operação Zelotes, um dos braços da Lava Jato. As malandragens funcionavam dentro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão do Ministério da Fazenda. É o local onde o governo e contribuintes tentam resolver disputas tributárias sem passar pelo Judiciário. Era a união entre conselheiros corruptos e contribuintes subornadores. O esquema de fraudes, com perdão de dívidas, teria beneficiado grandes empresas de comunicação aqui do Sul, bancos, empresas construtoras, etc. Pois bem, isso veio à minha mente quando foi anunciado o julgamento do presidente da época (TCU) que iria acontecer ontem. Não sei o resultado porque conclui a coluna logo após o almoço. O total da sonegação da época alcançava R$ 19 bilhões. Isso tudo foi e está registrado sobre as denúncias que pesavam em Augusto Nardes e Cia. Mas o julgamento de ontem, se saiu, era do presidente do TCU à época em que Nardes foi o relator das “pedaladas”: Aroldo Cedraz. Lembram que foi denunciado a presença de seu filho, Tiago, “que comparecia diariamente ao TCU onde o pai exercia cargo, para se interar dos processos em andamento”. Para tal, recebia de empresários R$ 50 mil por mês para prestar este serviço. Este tema contei na época para os leitores. Seguindo o “imbróglio” (que palavra danada), chegamos à força- tarefa da Lava Jato, bem como todos os capítulos que envolveram o julgamento de Lula. E aqui vou deixar claro, outra vez, que não estou fazendo juízo de valor. Estou recapitulando fatos e aquilo que pode ser levado pelo caminho da “coincidência, coisa que, no caso, pode ser chamada, como já a chamei de “combinação”. As atuações da força- tarefa, tanto com os procuradores como o então juiz Moro, vieram à tona pelas denúncias do jornalista Gleen. Moro recebeu convite para ser ministro e aceitou imediatamente. Está sobre a proteção, poderoso se diga de passagem, do presidente Bolsonaro. Agora parece que o manto está atraindo o chefe da força-tarefa Dallagnol. Será apenas porque acha que é pura perseguição, rodeadas de mentiras? Não creio. Caso contrário, a decisão de não demitir Moro, o que aconteceu com outros ministros, é para evitar que perca o foro privilegiado. Aliás, estratégia usada por Moro, ao deixar vazar conversa entre Dilma e Lula, o que deixou o ex-presidente sem proteção do presidente da República. Uma coisa garanto, daria um ótimo enredo para Alfred Hitchcock. Ou não?        


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