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FALSAS OU VERDADEIRAS AS NOTÍCIAS VOAM
Publicado em 31/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Passei 24 horas isolado do mundo por queda na internet e falta de luz (que ocorreu em toda a cidade) e as ofensas, com denúncias preocupantes, esquentaram a disputa entre o ‘bem e o mal’. Primeiro, foi a declaração de Jair Bolsonaro, que teria tentado denegrir a imagem do Supremo. A resposta veio rapidamente através da manifestação do decano Celso de Melo. Pelo menos, ficou comprovada a veracidade da publicação porque o presidente da República veio a público “se desculpando” do que havia declarado. Logo após, outra denúncia divulgada pela Rede Globo coloca mais pimenta no mocotó, que já estava apimentado. A informação divulgada é sobre a visita de Elcio Queiroz, ex-policial e um dos suspeitos de participar do crime contra a vereadora Marielle Franco. Ele teria, segundo o porteiro do condomínio, pedido para falar com o morador do imóvel 58, que pertence a Jair Bolsonaro. Seu filho, vereador Carlos Bolsonaro, desmente a informação. E aqui vem a parte mais importante, pelo menos, para mim, ele afirma: “Há alguma coisa errada nessas informações passadas à Rede Globo, que passam em segredo de justiça". Pronto é o retorno do velho e muito usado “vazamento”. Se está protegido pelo segredo de justiça, como a Globo teve acesso? Dependendo do caso, tem ampla repercussão. Os mesmos que criticam o vazamento aplaudiram no passado não tão distante, outros vazamentos contra seus adversários políticos. E ai vem outra afirmação que tenho feito sobre determinados fatos: Para que serve segredo de justiça? Exclusivamente para provocar que a imprensa investigativa, desconfiada do “tal segredo” parta para descobrir o que está sendo ‘escondido’. Alguém de ‘dentro’ deixou vazar. Não podemos esquecer que o assassinato de Marielle Franco, investigado pelas autoridades estaduais do Rio ‘em velocidade de tartaruga’, provocou a Procuradora-Geral de República, Raquel Dodge, que tentou levar a investigação para a área federal. A pergunta que fiz: O crime foi cometido no Rio? Até provar em contrário é competência das autoridades estaduais. Porém, Queiroz, ex-assessor do então deputado Flávio Bolsonaro, estava na ‘boca da caçapa’ como um dos possíveis envolvidos. O próprio presidente Bolsonaro não desmentiu ‘que era amigo dele há muitos anos’. Não sei se é o mesmo Queiroz.

Contudo, outro gancho que encontrei, foi que o pedido de Raquel, para trazer as investigações para a área Federal fazia parte de estratégia para continuar como procuradora da República, disputando o cargo com outros candidatos. A notícia que a Globo publicou da possível visita, antes do crime contra a vereadora, do tal Queiroz, ao apartamento do senhor Jair, como afirma o porteiro do condomínio, movimentou o Palácio do Planalto. Leia:       
Moro pede a Augusto Aras que investigue
Ofício, que foi enviado pelo ministro Sérgio Moro ao procurador da República, solicita que o Ministério Público abra inquérito para apurar a citação do presidente no caso da morte da vereadora. O ministro Moro argumenta que “tem  informação que pedido com o mesmo teor foi arquivado anteriormente pelo Ministério Público Federal”. Pensei (às vezes, o faço), se pedido anterior foi arquivado, é sinal que a decisão da procuradora Raquel Dodge em retirar das autoridades estaduais do Rio e trazer para sua pasta, foi realizada. É simples, basta ler o processo anterior que foi arquivado e tirar as conclusões. É o óbvio ululante, diria Nelson Rodrigues. Moro vai além em seu pedido ou ordem ao Aras: “A própria reportagem esclarece, porém, que, na referida data, o presidente da República, então deputado federal, estava em Brasília, tendo registrado a presença em duas votações no Plenário da Câmara dos Deputados, com o que não poderia ter sido visitado na mesma data no Rio de Janeiro por referida pessoa". A memória volta a funcionar, auxiliado, é claro, pela internet: “Caseiro, que derrubou Palocci, lembra o motorista que abriu caminho para o impeachment de Collor”. É a pura verdade. Agora, desconfiança minha, quem vai levar a culpa é o porteiro do condomínio onde aconteceu a visita de Queiroz. São muitas e controversas declarações que dão para desconfiar. Adágio popular, o uso do cachimbo deixa a boca torta. Os leitores sabem que sou desconfiado. Concordam?     


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