Euforia do governo não convence ao povo
Publicado em 10/12/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O tema já fez parte deste espaço na semana passada. Aconteceu que a euforia do governo não chega à população. Apesar da melhora econômica, os eleitores continuam se queixando e como tal preocupam o Palácio do Planalto. Compilando participação da população nas redações dos principais jornais, mostram a realidade em que se vive. O aumento de 06 no PIB nacional não empolgou a população. E a grita continua. Os principais temas das reclamações são o desemprego e o custo de vida elevado. O que os jornais colocam no espaço destinado aos internautas, mostram que parte do povo não sentiu nenhuma modificação em seu favor, que o aumento do PIB deveria ter causado. É claro que os reflexos poderão aparecer no futuro e isso, sabemos, é demorado. Algumas reivindicações estão na pauta dos leitores. Que Bolsonaro baixe o preço pago pelos consumidores de carne. Isso é quase impossível. Primeiro, porque a alta do produto bovino está diretamente ligada às exportações que crescem. Segundo, a produção de carne não aumentou. Ao contrário, em alguns estados diminuiu. A procura aumentou, com as exportações para a China, mas a produção não. É a velha lei de mercado (oferta e procura). A produção de carne não aumentou por falta de investimentos do governo. Quem tem cacife não quer aumentar produção, que consideram: ‘jogar fora dinheiro bom’ no aumento das produções. Eles não sabem o futuro. Os receios é não sabermos o que vem por daqui em diante, não há credibilidade para investir. Aliás, é muito difícil que encontre algo que possa tranquilizar os investidores. Sem investir no crescimento da produção, a oferta será a mesma. Além disso, a procura por alimento por parte de outros países aumenta os preços do mercado interno, sem aumentar a oferta de trabalho. E é isso que a população está criticando. A inflação já se faz sentir na mesa do brasileiro. Para complicar ainda mais, os institutos de pesquisas começam a mostrar dados sobre as próximas eleições para presidência da República. Todos sabem que não acredito em pesquisa eleitoral, porque ela induz o eleitor, aquele que costuma votar em quem está na frente. Pois a última mostra que se a eleição fosse hoje e não é, Moro está à frente de Bolsonaro e empatado com Lula. Mas quem decide eleição não são os ‘torcedores’ de um lado ou outro, são os ‘tais’ indecisos. O aumento das exportações é bom porque remunera melhor o produtor. É ruim porque não se vê nenhuma decisão governamental que vise incentivar uma produção maior. O deputado Luís Miranda (DEM-DF), presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Tributária, reconhece que a indústria está voltando a se aquecer, como mostra, por exemplo, o aumento da venda de veículos, mas avalia que isso decorre de um crescimento da demanda da classe mais rica. O mesmo vale para o mercado imobiliário. Não há um crescimento na demanda distribuído entre diferentes classes sociais. O crédito continua farto para o rico, não para o pobre. O tributo sobre o consumo pesa, proporcionalmente, mais para o pobre do que para o rico. A desigualdade está aumentando não ao contrário. O deputado José Nelto (Podemos-GO), líder do partido na Câmara, acrescenta que toda a pauta econômica, apresentada em tempo hábil pelo governo, foi aprovada no Congresso. “Então, não podem reclamar disso. Agora, não terem mandado as reformas: tributária, administrativa e uma reforma do sistema financeiro foi um equívoco muito grande. É de grão em grão que se faz uma gestão. Vão deixar para 2020 e terão dificuldades por conta do ano eleitoral”.

E aí, sim, ter crédito e dinheiro para construção civil, o agronegócio, o comércio e os serviços. O Brasil precisa de crédito, com dinheiro barato, para a economia girar. Por outro lado, não temos investimento na geração de energia, hoje também importante para a produção primária. A energia alternativa tem aumentado, ajudando diminuir os apagões. Pois, agora, querem mudar o sistema vigente. Toquei no tema na coluna da semana passada. Mas leia.

Mudança nas regras de energia solar  

Uma das energias mais limpas do país está em risco antes de deslanchar. Produção energética que mais cresce no Brasil, com expansão de 150% entre 2018 e 2019, a Geração Distribuída (GD) está no meio de uma polêmica por conta da revisão de uma norma que pode retirar os subsídios do setor. A rede de distribuição pode ser tabelada. Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, sustenta que a GD proporciona mais ganhos do que custos. “Os benefícios são elétricos, econômicos, sociais e ambientais. Todo mundo ganha com a água economizada, com a termelétrica que não é acionada, sem perdas e com alívio nas redes. Evita investimento em novas linhas de transmissão; é energia limpa e sustentável”. Querem tabelar o Sol. Não tem jeito querem mais impostos. Concordam ou não?


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