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Em política tem os cegos e os que se fazem
Publicado em 20/09/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O Brasil viveu nos últimos anos uma fase triste de corrupção, que hoje está sendo combatida com unhas e dentes. Dá para se afirmar que a impunidade está enterrada pelas ações das instituições. Como tudo na vida, quando decisões são tomadas e agradam grande parte da população, alguns agentes ‘passam por cima das leis’ para atingir os objetivos. É o período que estamos vivendo atualmente. As denúncias do jornalista Glenn, amparadas por parte da grande mídia, estão atingindo parte do Judiciário. O debate entre grandes juristas, com uns contra; outros a favor das condenações de grandes empresários e políticos com grande apoio popular, está causando estragos no relacionamento do Judiciário. Alguns membros do Supremo têm criticado a atuação da força- tarefa da Lava Jato, principalmente as prisões ‘excessivas’, determinada por juízes federais da primeira instância. A última delas foi mandar soltar Aldemir Bendini, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Foi a primeira vez que o Supremo anulou uma decisão do ex-juiz Sérgio Moro. Anulou a decisão mandando o processo de volta para ser corrigido “um erro” cometido. O réu terá que fazer sua defesa “após a denúncia de outro réu, que usou a prerrogativa de denúncia premiada”. Ou seja, para aliviar sua própria condenação. A aceitação dos argumentos da defesa de Bendini escancarou as portas para que outros réus, nas mesmas condições, ou não, formatassem o mesmo pedido. Pois bem, tudo isso estou relembrando porque na terça-feira, li uma entrevista do ministro Lewandowski que serve como advertência aos colegas. E é bem claro em suas afirmações. Leia:

Se o plenário demorar muito - posso decidir

Desde a decisão do caso Bendini, Lewandowski recebeu ao menos quatro pedidos para que condenações sejam canceladas seguindo a mesma lógica. Nesse sentido, os réus, não os delatores, deveriam expor sua defesa por último. O relator da Lava Jato no STF e integrante da primeira turma, o ministro Edson Fachin, submeteu o caso ao plenário da corte. Ainda não há data para o julgamento. E aí consiste a declaração de Lewandowski que vai além: "Se o Supremo, pelo plenário, estiver na iminência de examinar essa questão, não há porque eu me antecipar. Há várias questões, mas vai depender do meu convencimento. Se demorar muito, eu vou decidir sim ou não sobre os pedidos de anulação". Só não dá para calcular o tal ‘demorar muito’. Agora que, para um leigo, serve de advertência ao presidente da corte no sentido de marcar a data, eu não tenho dúvida. Tudo que está ocorrendo mostra que as denúncias do jornalista estão surtindo seus efeitos. O que está na ‘alça de mira’ não é a Lava Jato, mas, sim, alguns dos componentes da força-tarefa, e “os meios usados para chegar à condenação dos réus”. A Lava Jato veio para ficar, seus componentes não. Concordam?

Delator de Aécio é achado morto

A vida não é fácil pra ninguém, pelo menos, para quem trabalha honestamente. Está ficando difícil para os corruptos. Muitas mortes catalogadas como ‘acidentais’, já ocorreram. Muitos corruptos estão sendo investigados, outros presos. Os condenados e presos, não todos, é claro, as penas variavam fundamentada em delações premiadas. Empreiteiros e seus altos funcionários, para diminuir penas - ‘dão o serviço’ - dedurando os beneficiários da propina. Depois, tem que se cuidar para não ser perseguido. Vamos a alguns fatos: Lembram do perito que denunciou a amante do PC, homem de confiança do Collor? O resultado da perícia determinou a morte dos dois; ela morreu minutos antes de PC. Então, como ela poderia ter matado o companheiro do momento se ela morreu antes dele. O perito “caiu” do último andar do apartamento onde morava. Queda do avião, que acabou com a vida de Eduardo Campos, candidato a presidente da República, cuja caixa-preta estava desligada. O helicóptero que caiu e matou o filho de Alkmin, cujos parafusos da hélice estavam soltos. Também há dúvidas sobre a queda da aeronave que tirou a vida do ministro Teori Zavascki, primeiro relator da Lava  Jato. Pois bem, agora, foi a vez do ex-executivo da Odebrecht que delatou Aécio Neves e Edson Lobão. Henrique Valladares foi encontrado morto no seu apartamento no Rio de Janeiro. A morte foi registrada como ‘causa indeterminada’ e será investigada pela polícia. Vamos aguardar a investigação que, se seguir a demora média das anteriores, não terá conclusão antes de seis meses. Não sei qual o peso que terá nas investigações dos dois “ilustres” denunciados. Começa a desconfiança. Certo?


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