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EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA
Publicado em 20/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Nada está tão ruim que não possa piorar. Neste momento delicado que vive o mundo, sempre tem alguém que queira apagar o fogo com ‘gasolina’. O mundo inteiro está preocupado com a doença do momento, coronavírus. Os maiores esforços estão sendo usados para controlar a pandemia. Ou melhor, tentar acalmar o quase ‘desespero’ do povo que anda em volta por não saber o que fazer. Os governos dos principais países trabalham diuturnamente para controlar o vírus. A China anunciou que já está controlado. Você pode até afirmar que alguns países demoraram a se aperceber da situação e tomaram decisões muito tarde. Isso faz parte, infelizmente, do jogo político. Que você não tome posições e até desdenhe da situação, está na cabeça de cada um. Acredita quem quiser. Foi o caso do Brasil, em que o presidente Bolsonaro desdenhou em princípio do vírus. Mas aí tem também a influência de Donald Trump, que é idolatrado pelo presidente brasileiro. Lá, como aqui, ninguém se deu conta (ou não quiseram se dar) da situação real. Se levarmos em consideração as notícias, o sinal vermelho só aconteceu, nos Estados Unidos e no Brasil, quando a China comprou tudo o que pôde de ações das principais indústrias do mundo inteiro. O Brasil tomou algumas decisões importantes, para alguns, tardia, quando nossa economia já frágil entrou em colapso. Até aqui, são os fatos. Agora, precisava alguém, principalmente ligado ao presidente Bolsonaro, para botar fogo na situação? Leia a Manchete:
A China rebate Eduardo Bolsonaro
O que fez o deputado de tão grave para ter a reação do embaixador da China? Leiam a matéria publicada ontem JB: “Deputado compartilhou mensagem de usuário no Twitter dizendo que o governo de Xi Jinping escondeu a epidemia de coronavírus”. E não ficou só por aí. Republicou mensagem de outro usuário do Twitter, cujo nome não aparece que afirmou: “A culpa pelo coronavírus no mundo tem nome e sobrenome, é o Partido Comunista Chinês”. A reação do embaixador nas redes sociais, reproduzidas pela imprensa brasileira, foi imediata e forte: “O filho do presidente Jair Bolsonaro feriu a relação amistosa com o Brasil e precisa assumir todas as suas consequências. As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês". O embaixador afirmou que ao retornar de “Miami, infelizmente contraiu ‘vírus mental’, que está infectando a amizade entre nossos povos”. Não pensem que todos ficaram calados com ‘a ofensa’ de Eduardo Bolsonaro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pediu desculpas à China e ao embaixador  Yang Wanming, pelo que chamou de "palavras irrefletidas" do deputado. “A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise mais fortes".


Congressistas rejeitam impeachment 
A demora do governo em entender que a crise se aproximava do Brasil, pela evolução do coronavírus, ativou algumas mentes em tentar o impeachment de Bolsonaro. Para alguns, essa demora foi incentivada porque ‘seguiu o pensamento de Donald Trump’, cético em relação ao vírus. Quando a ficha caiu no norte, o Brasil também entrou de rijo no problema. E aí, como sempre, entrou a política partidária e a ‘ideia de abrir processo de impeachment’, surgiu. Menos mal que temos políticos do ‘bem’. A colunista do Correio Brasiliense, Denise Rothenburg, abriu manchete ontem: “Para congressistas, não é hora de impeachment, é hora de trabalho”. Não é hora, não quer dizer que está descartada a possibilidade de no futuro isso acontecer. Leiam parte do comentário: “Esse é o espírito dos congressistas, mas sem cenas de “amor” com o presidente da República. A avaliação dos líderes partidários que, inclusive, levou Rodrigo Maia a recusar a participação na reunião com Jair Bolsonaro é de que não dá para “passar a mão na cabeça presidencial”, depois de o Planalto levar quase 15 dias se esquivando de uma crise de saúde pública grave. Agora, é trabalhar nas soluções a serem enviadas pelo governo, sem dar palco para o capitão aparecer bem na foto. Porém, nenhum líder vai tocar pedidos de impedimento de Bolsonaro, ou tentar surfar neste momento gravíssimo definido pelo próprio ministro da Defesa, Fernando Azevedo, como uma situação de "guerra”. Guerra contra o vírus; venha de onde vier. É isso aí. Concordam?


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