No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Duvido, mas torço que aconteça
Publicado em 24/07/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Às vezes, tenho a impressão que estou ficando maluco. Muitos  amigos concordam com ressalvas: “Não precisa muito esforço porque já és”. Certas notícias que a imprensa publica eu busco informações em muitos meios de comunicação, para apurar se são verdadeiras. Leiam a manchete do JB (Jornal do Brasil) e irão entender a causa de minha dúvida: “Eduardo Cunha escreverá livro sobre impeachment de Dilma”. Qualquer cidadão deve torcer para que isso aconteça. Eu também torço, veementemente. E o motivo é simples: Temos que saber a verdade sobre a cassação. Até agora, temos duas versões uma que afirma que “as pedaladas” de Dilma foram o motivo principal para que isso acontecesse. Outros criticam até hoje que a motivação foi política para eliminar o PT do governo. E o que é pior teria sido orquestrada entre Cunha e Temer. Eu ainda agrego mais um elemento importante: O juiz Moro. Ao divulgar a gravação de Dilma com Lula, anunciando que ele seria nomeado Chefe da Casa Civil, deu um empurrão no processo. Dilma teria tentado tirar Lula das mãos de Moro, porque o ex-presidente ficaria protegido pelo foro privilegiado. O livro entraria para a história política do Brasil. Torço para que seja concretizada a ideia. Mas duvido. Explico. Não vão permitir que isso aconteça. Ao mesmo tempo, fico preocupado com a integridade física de Cunha. Aposto que muitas pessoas pensam a mesma coisa. Tempo ao tempo.

Ministro chama diretor do Inpe

Foi ampla a discussão, pública, entre o presidente da República e o diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Jair questionou a divulgação sobre desmatamento da Amazônia. Fez críticas contundentes interpretadas pelo engenheiro com pressão para que ele renunciasse. De saída afirmou: Não vou renunciar. Então, Bolsonaro resolveu que o ministro da pasta questionasse as informações do Instituto. A discussão os brasileiros tomaram conhecimento. O ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) afirmou, em nota publicada em rede social nesta segunda (22), que compartilha da estranheza expressa pelo presidente Jair Bolsonaro quanto aos dados do desmatamento que o Inpe produz. Foi diplomático: "A contestação de resultados, assim como a análise e discussão de hipóteses, são elementos normais e saudáveis do desenvolvimento da Ciência." No entanto, discordou da maneira como agiu o engenheiro Ricardo Galvão, ao dar entrevista criticando os questionamentos de Bolsonaro. O Inpe é vinculado ao Ministério e por este motivo Pontes convocou Galvão para  "esclarecimentos e orientações". No caso, me lembrei, de novo, de outra letra de samba, criada por Jorge Aragão: “Tem gente que fala de samba sem saber o que diz”. Será que o presidente é especialista na área? Outra pendenga. Ou não?

Bolsonaro: conselhos não decidem nada

Outra polêmica é gerada por declarações do presidente. Esta, no entanto, é salutar. Ele questiona a utilidade dos conselhos. Em um aspecto ele tem razão. A formação dos conselhos (Saúde, Segurança, Meio Ambiente, Educação, etc.), tomando por base que os municípios criem suas próprias regras, deixa a desejar. No caso de Bagé, a lei determina que cada conselho seja formado paritariamente. Ou seja, 50% do poder público e 50% da sociedade civil. As reuniões dos conselhos são realizadas no horário de expediente. Quando o tema é polemico o órgão público libera seus profissionais para comparecer. Já as instituições privadas nem sempre tomam a mesma decisão. Então, é obvio, que o governo terá a maioria e decidirá favoravelmente naquilo que lhe interessa. Sempre fui defensor de que os conselhos fossem formados pela sociedade civil organizada. Com independência, aparentemente, de pressões de governo. Não sei se os conselhos da União são o mesmo formato. Pois bem, o que Jair defende é radical? É. Mas necessário que seja discutido. Ainda mais se recebem recursos públicos. Concordam ou não?


Deixe sua opinião