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Dallagnol também foi palestrante
Publicado em 27/07/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O modo de operar é o mesmo. Apenas mudam os palestrantes, ou como diria um amigo meu: Mudam as moscas, mas o resto é o mesmo. Todo o processo ao qual respondeu Lula e que acabou com sua condenação, também teve como base as palestras como contratado de empresas que prestaram serviço ao governo. Despertou a dúvida e fez parte das acusações. Também teve ampla divulgação pela imprensa. A “profissão” de palestrante é muito bem remunerada, principalmente quando alguém ocupa cargo público. Mais cedo ou mais tarde, acabam tendo influência em algum processo. Ontem, em mais um capítulo da novela apresentado pelo site The Intercept, foi divulgado pela Folha de São Paulo. Agora, foi o procurador da República Deltan Dallagnol, que teria recebido R$ 33 mil de uma firma de tecnologia (Neoway), citada em um acordo de delação premiada feito com força-tarefa da Operação Lava Jato. Essa matéria/denúncia foi publicada ontem, sexta-feira, 26. Com é prática de todos os que são envolvidos em denúncias, o procurador em apreço afirmou que quando deu a palestra não sabia que a empresa estava envolvida em acordo de delação premiada com a força-tarefa. A matéria publicada por jornais dá conta que o coordenador “não sabia que a empresa seria envolvida”, por este motivo não vê nenhum ilícito. Seu contrato previa não só a palestra, mas também  a gravação de um vídeo fazendo propaganda das ferramentas tecnológicas desenvolvidas pela Neoway. Segundo a matéria, ele aproximou a empresa dos procuradores propiciando que seus produtos fossem usados em um trabalho da força-tarefa. Ele não sabia, inclusive, dá para acreditar, porque até hoje nenhum denunciado, confessa que sabia. Outro dia li comentário de uma associação de procuradores que afirmava que o fato seria apurado porque “era proibido qualquer profissional da área proceder da maneira que a denúncia foi publicada”. O que é mais importante é que Dellagnol, segundo a denúncia, teria comunicado à força-tarefa e ao próprio juiz Moro. É um “imbróglio” (que palavra horrorosa!) que parece não ter fim. Pelo menos, é o que afirma o titular do site: “tem muito mais denúncias para ser publicada e que não irão parar de divulgá-las”. Um dia antes, ou seja, na quinta-feira, a líder do governo na Câmara publicou nas redes sociais uma matéria que “colei” do Correio Brasiliense, mostrando que tem muita gente “tremendo o calcanhar” e procurando uma maneira de punir os que invadem a “privacidade” do e-mail ou WhatsApp. Leia

Governo estuda aplicar Lei de Segurança

Pensei imediatamente isso é matéria de 64, quando foi instaurada a ditadura no Brasil, mas não era. Me enganei. O corpo da matéria esclarece: “Deputada Joice Hasselmann (PSL), líder do governo na Câmara, afirmou nas redes sociais que o Planalto avalia aplicar a Lei de Segurança Nacional no caso dos hackers, que, nesse caso, poderiam ser enquadrados como terroristas”. Isso é algo que me deixou contente, não por estarem ameaçando o uso de Lei de Segurança Nacional, que foi uma “arma” da ditadura. Me deixou contente porque desde o primeiro momento desconfiei, mas me nego a consultar redes sociais. Só reproduzo os fatos quando são abordados pela imprensa “legalizada” que tem editoria e é formada por jornalistas especializados. Estes botam a cara para bater e estão sujeitos às leis. Não a de segurança nacional, que é mecanismo usado por ditadores. Assim como muitos mecanismos modernos de comunicação, as redes sociais deveriam ter o nome de seus responsáveis registrados, para serem enquadrados nas leis. Rádios, jornais e televisões, têm regras que devem ser seguidas. Caso falhem, poderão ser responsabilizados criminalmente. Muitos profissionais já foram. O Ministério da Justiça, chefiado pelo ex-juiz Sérgio Moro, divulgou nota que reforça o anúncio da líder do governo: "O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi, por questão de segurança nacional, informado pela Polícia Federal de que aparelhos celulares utilizados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça-feira (23). Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao presidente da República". Ecoando seu ministro, Bolsonaro disse, pelo Twitter, que a invasão dos celulares representa um “atentado contra o Brasil”. É muito simples é só usar a lei de imprensa, contra estes ataques, que eles cessarão. Exija o registro do nome de cada titular de um site ou rede social e estará morta a cobra.


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