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Coincidências geram desconfiança
Publicado em 15/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Quase no mesmo dia, na mesma semana, com certeza, alguns fatos têm despertado atenção dos mais atentos. Um deles, de Flávio, filho de Bolsonaro, senador da República. Foi um dos primeiros nomes ligados ao presidente, acusado por ter participação, como incentivador, nas milícias do Rio. Deu aquele baita enredo. Dinheiro depositado com o mesmo valor em um ou dois dias da semana. Logo após a Assembleia Legislativa ter pago o salário mensal de deputados e funcionários, entre eles, os cargos de confiança. Levantaram a suspeita de um assessor seu que seria encarregado do trabalho. Contudo, foi negado, assim como todas as denúncias que sempre são negadas por quem é denunciado. Isso não tem novidade. Ninguém é obrigado a prestar esclarecimento que possa comprometê-lo. Aí estaria confessando o ato criminoso. Isso quase “caiu em exercício findo”. Saiu do noticiário. Mas nos bastidores a pendenga continua. Quando o presidente da República e o presidente da Câmara entraram em conflito, com declarações fortes de ambos os lados, a turma do deixa disso apaziguou. Parece que se entenderam e as negociações continuaram. O foco sempre foi a aprovação dos projetos, entre eles, o da reforma da Previdência. Maia caiu fora da jogada e abriu mão para que o próprio governo negociasse com os parlamentares. Parece que não deu certo. Houve uma recaída e o bicho continuou pegando. Os filhos do presidente combatendo tudo pelas redes sociais. Complicou ainda mais. Pois a matéria de segunda-feira, com ampla cobertura pela imprensa, foi a decisão do Tribunal de Justiça do Rio, que autorizou “quebra de sigilo bancário de Flávio Bolsonaro”. Foi incluído seu ex-assessor Fabrício Munhoz, policial militar aposentado. Seria um dos que “faziam a meia- cancha” para o ex-deputado. O pedido foi do Ministério Público do Rio atendido pelo juiz Flávio Nicolau, em 24 de abril deste ano. Foi mantido em sigilo até segunda-feira. Foram incluídas na quebra de sigilo a esposa do senador, a esposa e as filhas do policial Queiroz e outros 80 funcionários do gabinete do hoje senador. A causa, pelas quais foi mantido sigilo por todo este tempo, não foi esclarecida. Deu margem para duvida, principalmente porque outra manchete nos dá o direito de desconfiar. Como se isso fosse preciso. Desconfiar faz parte da vida, sempre e enquanto, não acreditamos em coincidências.                     

Delação do dono da Gol cita repasse a Rodrigo
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi citado no acordo de colaboração premiada de um dos donos da Gol Linhas Aéreas, Henrique Constantino, como recebedor de "benefício financeiro" por meio da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear). São citados, também como recebedores de valores, o ex-senador Romero Jucá (MDB-RR), o ex-deputado Vicente Cândido (PT-SP), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de Marco Maia, Edinho Araújo, Otávio Leite, Bruno Araújo e outros. A informação consta de um trecho de uma decisão desta segunda-feira, 13, do juiz responsável pelo caso, Vallisney de Souza Oliveira, titular da 10ª Vara Criminal da Justiça Federal do Distrito Federal. O trecho em questão foi tarjado no documento divulgado pela Justiça Federal. Na colaboração, Constantino também afirmou ter ouvido pedido de propina de Michel Temer, então vice-presidente, bem como dos deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (MDB-RN). O pedido, segundo o empresário, foi feito em reunião em Brasília em junho de 2012, no valor de R$ 10 milhões, em troca da atuação do grupo para atender a interesses de companhias ligadas ao empresário em questões envolvendo a Caixa. Maia disse que “Constantino está mentindo e que esse será "mais um" dos casos de investigação arquivada. Nunca me pagou nada, isso é mentira dele. Não tem como provar e vai ser mais um inquérito arquivado na Justiça brasileira". Se não tem como provar é sinal que o recurso foi passado, mas não chegou em suas mãos. Então, tem que cuidar dos outros políticos que receberam e não repassaram para ele. O presidente da Câmara prestou estas informações de Nova York, onde foi a um jantar organizado pelo Grupo Safra, com investidores estrangeiros. Em grupo onde constam Romero Jucá, Michel Temer, Eduardo Alves, Eduardo Cunha, todos do MDB, além de Vicente Cândido e Marco Maia (PT) e Ciro Nogueira (PP). Não se pode duvidar de nada. O valor que teria sido repassado é uma “ninharia", R$ 10 milhões. Preparem-se, a retaliação já começou. Apenas começou. O que vem pela frente, se os “artistas” não se entenderem, é coisa de cinema. Da ou não para desconfiar de coincidências? Da até para considerar que os políticos presos são “trombadinhas”. Ou não?

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