Coerência e caldo de galinha não fazem mal
Publicado em 06/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Dois fatos atribuídos ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, estão sendo interpretados como tendências políticas. Um deles, publicado no dia 31 de março, quando a ditadura comemorava 56 anos. Lá, o ministro afirmou que o “golpe militar, de 64,  foi um marco para a democracia”. Grande parte dos defensores da democracia culpa a ditadura militar pelos desmandos que aconteceram durante a permanência dos militares no governo. Já os defensores da ditadura continuam ‘órfãos’ do regime de força e seguem sentindo falta do sistema implantado em 64. Isso tem aos montes e de ambos os lados. Pois bem, após a nota do ministro, uma decisão da Vara Federal do Rio Grande do Norte, obrigou o Ministério da Defesa a retirar do ar a manifestação em apologia ao golpe militar. É claro que o governo reagiu e entrou com a defesa no STF. Pois na terça-feira, dia 5, Dias Toffoli derrubou a decisão da primeira instância. Ele considerou ato de censura à livre expressão e justificou: “Não cabe ao Judiciário interferir na publicação de uma "simples ordem do dia". O processo é fruto da excessiva judicialização do sistema jurídico brasileiro. Não se mostra admissível que uma decisão judicial, venha a substituir o critério de conveniência e oportunidade que rege a edição dos atos da administração pública, parecendo não ser admitido impedir a edição de uma ordem do dia, por suposta ilegalidade de seu conteúdo, a qual é muito semelhante a mesma efeméride, publicada no dia 31 de março de 2019". Coerente. Eu penso semelhante porque sou democrata. Em democracia o direito à livre expressão é um dos artigos da Constituição 88. No terreno das ideias nada deve ser coibido. Pois bem, não parou por aí. E foi exatamente o evento em apoio ao Bolsonaro que defendia, entre outras coisas, o fechamento do Congresso e do Supremo, que mais uma vez fez com que o ministro da Defesa viesse a público. No discurso improvisado, durante a manifestação de domingo, Bolsonaro afirmou que ‘as Forças Armadas estão ao meu lado’. Isso foi interpretado como uma ameaça ao regime democrático. Estaria ameaçando, com apoio das forças armadas, o retorno à ditadura. Que era um dos motivos do movimento que vêm se desenrolando nos últimos tempos. Cada um interpreta a sua maneira. Quem é contra o governo, baixa o porrete. Quem é a favor, elogia. Não posso deixar de analisar o que sempre Bolsonaro tem dito: ‘Temos que defender a Constituição’. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou na segunda-feira, dia 4, que: “As Forças Armadas cumprem a sua missão Constitucional. "Estarão sempre ao lado da lei, da ordem, da democracia e da liberdade". Imediatamente vieram as reações: As Forças Armadas não estão ao lado do presidente. Portanto, ele ao evocar o apoio não estaria falado a verdade. Mas, então, vamos analisar sem nenhuma paixão. Quando defendeu o ‘bem que as forças causaram à democracia’, ele estava defendendo a ditadura. Agora, que se coloca como defensor da Constituição, está contra o governo. Mas não dá para entender, ou até dá, certos posicionamentos. Quando defendeu o regime anterior, ele era um ditador, agora que repele um movimento para o fechamento do Congresso e do Supremo, ele defende a Constituição que proíbe qualquer  ato que vise o retorno ao governo de força. A ferradura, onde os  extremos políticos se aproximam, é o que os torna iguais. Uma das frases do ministro da Justiça mais importante e séria foi: “Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os poderes imprescindíveis para a governabilidade do país".
O que tem contra ou a favor a declaração
Nada. Eu acho que ele defende a democracia está defendendo o que a população também defende. Ela, por maioria expressiva, elegeu Bolsonaro, presidente da República. Se não estão gostando esperem a próxima eleição e troquem o voto. O então confirmem a maioria para a reeleição do atual sistema de governo. Harmonia é o que está faltando. A guerra entre os poderes, provocadas pela raiva, só está atrasando, cada vez mais, o Brasil. Ninguém se deu conta que o desemprego segue aumentando? Que a falta de dinheiro e a ínfimo crescimento da indústria, aliada ao gasto e dívida pública, não se resolve sem harmonia. Pense bem nisso, em outubro. Concordam? 


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