Campanha eleitoral se vê de tudo
Publicado em 22/10/2012

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O ditado popular nunca foi tão bem aplicado como atualmente. Porque ainda passamos por período eleitoral. Ou como diz a sabedoria popular. Diz o seguinte: “Nunca se mente tanto quanto em uma guerra, após uma pescaria, e em campanha eleitoral”. Os marqueteiros buscam no “fundo do baú”, tudo que tem guardado referente aos adversários. Mesmo que as declarações tenham sido desmentidas por quem foi acusado.
A gente sabe que a imprensa, compila o que lhes interessa para vender seu produto. Uma vírgula colocada em lugar diferente pode mudar o sentido de uma declaração. No dia seguinte acontece o desmentido. Mas é no dia seguinte. Quando os marqueteiros escolhem um tema para provocar o adversário, deixa de lado o desmentido que foi publicado no dia... seguinte. Meus amigos devem estar pensando: “Aí vem o senil querendo encontrar chifre em cabeça de cavalo”. Para quem acompanha este espaço sabe que já encontrei. Muitas “desconfianças” minhas, consideradas à época como loucura, se confirmaram. Ou seja, o tal “chifre em cabeça de cavalo” apareceu. Como respeito a grande mídia isso acontece seguidamente. Há, pára por aí. Em Bagé não acontece? Claro que sim. Porém a “invenção mediática”, é desmentida no ato por quem se sente prejudicado.
Pobre do cristão, jornalista ou radialista, que deu uma informação errada. Ele vai perdendo a credibilidade de seus ouvintes e/ou leitores. Em cidade pequena a incidência de “erros” são menores. O profissional de imprensa se cuida, e muito, para não perder a credibilidade e até o próprio emprego. Por isso temos poucos críticos na imprensa do interior. Nas capitais pelo grande número de jornais, revistas, rádios e canais de televisão, uma mídia fica de olho na outra. Mas não chega tão rapidamente ao ouvinte, leitor e telespectador. Em cidade pequena é quase imediatamente.
Na última campanha eleitoral, os marqueteiros da Adriana, bateram bastante em dois temas. A barragem e a saúde. Não necessariamente nesta ordem. Pois bem são temas que puderam ser conferidos pela população. Senão vejamos: Eu acho que o atendimento à saúde tem alguma deficiência, mas não é o caos com que foi explorado. A população que é atendida pelos agentes comunitários, ou que recorre a um posto de saúde, ao pronto-socorro, sempre foi atendida. Um maior ou menor tempo de espera, mas foi atendida.
O eleitor pode avaliar e na hora da decisão, com seu voto, demonstrou que “o diabo não era tão feito como o pintavam”. Em meu modo de ver, aconteceu uma supervalorização de um problema que foi considerado bem menor do que o anunciado. Os marqueteiros não se deram conta. Se tivessem instruído a candidata no sentido de apontar o que estava faltando, e não generalizassem no sentido de demonstrar que a saúde está um caos, o resultado poderia ser mais aproximado. Outro fato, para mim importante, foi o tema da barragem. Muitos foram conferir, porque lhes despertou a curiosidade, e viram que as obras estavam andando.
Para mim, que não entendo de marketing, foram dois erros. Repito erros porque o leitor teve a possibilidade de constatar. Até mesmo a promessa de aproximar o piso municipal de salário, do salário mínimo nacional, até o último ano de seu governo, caso fosse eleito, foi um tiro no pé. Jamais explicaram de onde tirariam os recursos. E o funcionário público, que conhece a máquina pública, deve ter levado pelo caminho de simples “promessa eleitoral”. E não se diga que os marqueteiros da Adriana Lara eram inexperientes. Foram os mesmos que fizeram a campanha do Mainardi e do Dudu. São profissionais “globais”. Com experiência e cacife para não cometerem erros primários.
Para este “senil”, que nada sabe de temas complicados, apenas como eleitor que sou, a campanha foi mal dirigida. Não estou dizendo com isso que o resultado poderia ser outro. Na eleição atual estava em jogo a administração pública, com obras suficientes para apresentar. No caso da candidata Adriana Lara, pesava sobre seus ombros, a saída do partido pela qual foi secretária e o retorno ao partido que a lançou na política, desagradou parte de seus eleitores tanto do PT quanto do PTB. Porém, e sempre tem um porém, continua sendo uma forte candidata à prefeitura de Bagé. Basta não abandonar seus eleitores. O tempo comprovará. Ou não?

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