Cada macaco no seu galho - 14 de janeiro de 2020
Publicado em 14/01/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

É claro que eu não iria me omitir em analisar os últimos acontecimentos que rodeiam a maior festa popular brasileira. O carnaval está incrustado na pele do povo. E um evento que gera emprego e renda. Isso é incontestável. Só não se da conta quem não quer, onde desponta quem não é da área. A disputa política tenta de todas as maneiras, terminar com o carnaval. E isso não é nenhum ‘chute’ é a realidade. Assim como as federações de futebol tentam ‘terminar’ com o futebol do interior, outrora revelador de craques que despontaram no futebol brasileiro. Quantas cidades do interior do Estado, para falar apenas no Rio Grande do sul, não tem realizado o carnaval, e clubes de futebol tradicionais fecharam as portas? E não é somente o setor público o culpado. Pois bem, dois eventos, do último final de semana, cada um com sua dimensão, mostraram que “ovelha não é para mato”. O primeiro deles é de proporções grandiosas e mostra a ‘guerra comercial’ entre duas potências midiáticas. O prefeito do Rio, Crivella, desde o primeiro ano de mandato, desconhece o potencial ‘turístico e econômico’ do carnaval carioca. Quase dois milhões de turistas já reservaram hotéis e apartamentos no Rio para assistir o desfile das escolas de samba. A previsão de arrecadação para os cofres públicos é enorme. Isso, por si, deveria ser levado em consideração. Mas aí entra em campo as convicções religiosas e a disputa entre duas redes poderosas de televisão. A rede Globo, que tem os direitos sobre o evento, e a Record, que pertence à Igreja Universal, cujo prefeito carioca é um dos militantes. Um dos exemplos da tentativa de diminuir a força do carnaval e combater o poderio da Globo, aconteceu no domingo, dia 12. Leiam a manchete: “Abertura do carnaval do Crivella foi um vexame, uma praça de guerra em Copacabana”. Pois o prefeito quis fazer o lançamento do carnaval com o ‘Bloco da Favorita’, rodeados por gente que não é da área. E ai se deu mal, segundo a matéria do Jornal do Brasil: “Quantas vezes será preciso dizer que Copacabana não suporta mais eventos iguais a esse que aconteceu domingo. Com objetivo de abrir o carnaval do prefeito Crivella, aquele mesmo que odeia carnaval”. O que se viu nas areias de Copacabana foi um vexame. Cenas que só mancham, mais ainda, a tão combalida imagem da cidade Maravilhosa. Furtos, brigas, bombas e assaltos à mão armada. E a confusão se estendeu até ao Leme. O carnaval carioca é uma verdadeira indústria do samba. Gera emprego e renda, o ano inteiro. Para que bater de frente? É a pergunta que fica. Enquanto isso, no sábado, aconteceu a primeira edição do consagrado “Samba na Praça”. Criado por diversos carnavalescos, entre os quais destaco: Mauro Nei Campos (Caco), Domenech, Sávio e tantos outros que não lembro, e era realizado no Calçadão. Se firmou de uma maneira tal, que a população lota a Praça Silveira Martins. Foi transmitido ao vivo pela Rádio Visão Geral (Web). É lindo ver a população ordeira se divertir e sambar ao som do ‘Mesa de Bar’. Algumas entidades carnavalescas aproveitaram para vender bebidas e abadás. Isso reforça baterias e proporciona viagens. Todas as que lá estiveram desfilarão no projeto ‘Galo do meio-dia’. Após a decisão da Assembleia Legislativa ter aprovado o ‘Rainha do Carnaval do Estado’ como evento cultural, e autorizado sua realização em Santa Maria, o bicho pegou. A tal ponto que Luciano Madeira contatou com advogado para impetrar ação judicial. Os deputados Mainardi e Lara, em entrevista ao Visão Geral, afirmaram que não se aperceberam do projeto em si. Reconheceram, porque já colaboraram com o evento, que a promoção pertence a Bagé. Entrarão com um projeto que determine a correção da lei aprovada. Mas isso movimentou alguns setores do carnaval. Até a secretária de Cultura declarou no programa Redação News, Rádio Cultura, apresentado pela equipe do Zé Wilson, que o prefeito está interessado na realização do evento em Bagé. Neste ano, se possível for. Então, a cidade está se movimentando para corrigir a decisão. Aqui fica constatado que ‘errar é humano’. Persistir no erro é burrice. Isso tem gerado reação nos cidadãos. Até o bairro Getúlio Vargas está se movimentando para eleger sua ‘Rainha’. Como diria a música de Benito Di Paula: Tudo está em seu lugar. Agora, como temos pouco mais de um mês, precisa de decisão rápida, para que dê tempo de organizar. Isso demonstra que a cultura popular está reagindo e quer carnaval. O resto são debates fúteis que não levam a nada. Que viva o carnaval a festa mais popular que o Brasil tem. Concordam ou não? 


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