No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

CACIQUES ENFRAQUECEM OS PARTIDOS
Publicado em 15/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

A briga pelo poder continua. E quem está à frente de tudo são os ditos caciques partidários. Eles se reúnem em pequenos grupos e decidem o que os filiados, com cargos eletivos, devem fazer. Quais projetos devem votar favorável sob pena de expulsão. A tal ‘fidelidade partidária’, prevista em lei, é evocada seguidamente. A prova está na pendenga entre a família Bolsonaro e as lideranças do PSL. Ontem, segunda-feira, dia 14, li uma matéria no Correio Brasiliense, cujo título explica, em parte, o que acontece politicamente no Brasil. Leia: “Brigas internas ameaçam a estrutura atual dos partidos brasileiros”. Segundo a opinião do CB, “atritos entre líderes e bancadas desde o surgimento da ‘nova política’, que prega maior independência dos detentores de mandato, mais influência das redes sociais e distanciamento das siglas, são um sinal de enfraquecimento das legendas”. Em parte, a matéria explica o que está acontecendo. E aqui tenho que fazer uma análise ‘chula’ dos motivos que levam a quase destruição dos partidos. Os velhos caciques que, para mim, se consideram os donos dos partidos, não se enquadraram na mudança da ditadura para a democracia. Eles negociam com os governos e impõem as regras e quem não cumprir é expulso. Vejamos a partir da ditadura. A Arena, partido que deu sustentáculo ao regime ditatorial, tinha seus ‘donos’. Vou enumerar apenas três: Sarney, ACM e Magalhães Pinto. Pelo MDB seus donos foram; também enumero três: Ulysses Guimarães; Tancredo Neves e Teotônio Vilela. Quando o Figueiredo resolveu abrir as portas para a democracia, foi tudo combinado, tanto é verdade que o comício das Diretas Já reuniu no mesmo palanque todos de ‘mãos dadas’. Ai passamos a ter a reedição dos donos de partidos. No PT, despontou Lula; no PSDB, Fernando Henrique; no MDB, Sarney; no PSB, Miguel Arraes. Não falo no Brizola porque também tentou, mas não chegou a comandar o velho PTB de antes da ditadura, mas não conseguiu manter a sigla, porque Golbery do Couto e Silva entregou o comando para Ivete Vargas. Brizola criou o PDT. O PDS, PP de hoje, as lideranças, desde a ditadura, viviam brigando com o Maluf. Com a chegada de Bolsonaro, tudo mudou. Ele está em busca de um partido que possa comandar. O PSL não abriu as portas para entregar o comando. O que ele está tentando fazer nada mais é que a prática após a ditadura: Dividir para governar. Está por traz da recriação da UDN. O que precisamos é de uma reforma partidária onde as assembleias de todos os segmentos partidários, dependa da maioria. Para isso, acontecerá liberação de verbas públicas para reforçar os caixas dos partidos tenha regras claras. Uma delas, não permitir que os candidatos que formam as direções “recebam a maior parte do caixa partidário”. Tem que ser valores iguais. Se o partido tem R$ 100 mil para a campanha, e são 20 candidatos, cada um vai levar R$ 5 mil de ajuda. Não importa que ocupe cargo eleito pelo voto, a primeira vez que concorre. Embora eu seja um defensor de que partido político, tem que sobreviver de mensalidade dos filiados. Assim como acontece em qualquer sociedade. Mas é claro que as bancadas eleitas jamais votarão em projeto semelhante. E aí fica difícil a alternância no poder. A renovação então não se fala. Também precisamos terminar com a reeleição. Eu sei que é ‘sonho de uma noite de verão’. Continuo sonhando!                    
Prisão em segunda instância pauta do STF
Agora vai a julgamento a prisão em segunda instância. É um dos motivos pelo qual a defesa de Lula não quer aceitar o semiaberto. Tem pendências no Supremo que ao ser votada, pode liberar não só ele como todos os presos em segunda instância. E isso teria levado à força-tarefa, liderada por Dallagnol, pedir para a Justiça do Paraná, a liberação dele (Lula). Ele sabe que não pode se negar a usufruir da liberdade parcial. Mas questiona, como Gilmar Mendes questionou a causa que levou os procuradores a fazer o pedido sem ter sido acionado pelo réu. Primeiro se cair a prisão em segunda instância, Lula vai pra casa e espera a decisão final (última instância). Também se aceitasse sem questionar, automaticamente seu pedido de habeas corpus, perderia a finalidade e com ele o pedido de investigação da força-tarefa e do juiz Sérgio Moro. Conclusão: ninguém quer ser investigado. E aí está o x do problema. Alguns membros do Supremo estão pensando em mudar seu voto. Um deles Gilmar Mendes. Tudo se encaixa. Vamos aguardar. E segue o ditado popular: “Quem tem cola não senta”. Concordam?

 


Deixe sua opinião