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Bolsonaro e a troca na Receita e na Polícia
Publicado em 23/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Aconteceu o que já estava previsto. Inclusive gerou muito protesto dos sindicatos que defendem os auditores fiscais e os policiais federais. Neste espaço, nunca vi nada de anormal em o presidente querer mudar alguns cargos de confiança. É de sua atribuição. Qualquer cargo executivo, eleito pelo voto popular, tem esse direito previsto pelas leis. Muitos não usam porque não querem. Ai é uma decisão de cada um. Em uma de suas entrevistas ele foi direto ao assunto. E como sempre usou sua maneira de falar que já é conhecida de todos. Para explicar as mudanças de comando em áreas importantes, afirmou: "Estou na presidência da República para interferir mesmo. Se for para ser um poste, um banana, estou fora. Tem problemas e estamos aqui para resolver. O Estado todo está aparelhado, todo, sem exceção”. Agora, vamos a uma reflexão, acompanhada de uma pergunta aos leitores / eleitores: há quanto tempo os senhores têm escutado declarações de que as instituições estão aparelhadas? Um cem número de vezes. No caso, quase não escapa nenhuma instituição. Ou será que a escolha dos governos para os tribunais superiores, não consta no aparelhamento? A sabatina pelo qual passam os candidatos buscando a aprovação de seu nome, não é aparelhamento? Por outro lado, o escolhido não fica com uma pontinha de comprometimento com quem os aprovou? Então, as decisões judiciais, tantas vezes, contestadas por parte dos segmentos políticos  comprova algum tipo de desconfiança. Tem que dar desconto porque está em jogo a situação e a oposição. É a política partidária, criticando decisões e dando alguns exemplos do passado que tiveram decisões distintas ao interpretar a mesma lei. Uma coisa não podemos negar que  isso tudo faz parte da democracia que avança. Nós brasileiros, eleitores e pagadores de impostos, agora sabemos de tudo. Nada vai para debaixo do tapete. A multiplicidade dos meios de comunicação nos mantém informados. Basta prestar atenção e chegarão a conclusão, com sua cabeça, não induzidos por gente que, na maioria das vezes, são adversários políticos. Pois bem, em declaração à impresa, Bolsonaro deu “sua” explicação para substituição da chefias da Polícia Federal e Receita. Explicação: “Eu indiquei o Sérgio Moro, ministro da Justiça. O Moro indicou o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. E aí, no quarto escalão, tem as superintendências. Inclusive, 11 já foram mudadas no Brasil. Quando apareceu agora, no Rio, vamos pegar e substituir pelo superintendente que está em Manaus ou pelo que está em Recife, sem problema nenhum”. Alguma irregularidade? Pergunto.

Mourão, comedido, rompe o silêncio 

O vice-presidente Mourão andava meio recolhido (sumido) e a imprensa vive explorando sua ausência. Será que estão brigados? O vice estava falando demais e foi contido, diziam outros. Alguns até levavam pelo caminho da estratégia de governo. Pois rompeu o silêncio. A causa seria a pressão da ala ideológica do governo que o teria acusado de tentar ofuscar o presidente. Pois bem, a manchete da entrevista: Leia

Não estou calado, cuido de meu quadrado 

Há um detalhe importante que já era do domínio público, enfatizado pelo Mourão na entrevista: “O presidente Jair Bolsonaro decidiu tratar pessoalmente da comunicação. Assumiu o protagonismo”. Então, segundo Mourão, não há desavença é estratégia do próprio núcleo governamental”. Você acredita? Pensar e acreditar faz parte do livre pensar. E vai mais uma afirmação de Mourão, que mostra que o governo está coeso, pelo menos em algumas informações que saíram na imprensa. Declaração repetida por Mourão: “Reclamavam que Bolsonaro não falava com a imprensa. Agora que ele está falando o pessoal reclama também? Ele tem procurado a imprensa. Ele tem expressado a opinião dele sobre diferentes assuntos e está cuidando pessoalmente da comunicação. É uma estratégia que ele traçou. Sobre a forma como o presidente fala, Mourão não acha exagero: “O presidente é um cara simples e direto. Não adianta esperar que ele vá tecer comparações pensando em grandes mestres da filosofia. Não. Ele não vai fazer isso. Ele vai se expressar com a linguagem dele, usando sujeito, verbo e predicado. Podem não ser as melhores palavras, mas é o jeito dele”. Completo: Não quero saber quem pintou a zebra, quero o resto da tinta. Assim foi eleito, assim governa, concordam?


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