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Bancos alteram atendimento nas agências
Publicado em 26/03/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Continuo minha peregrinação no sentido de esclarecer o cidadão que acompanha este espaço. Não é querer menosprezar o que autoridades da saúde; só elas tem dito e decidido a respeito do pânico em que está a população. A poderosa Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou, em nota, os novos horários de funcionamento das agências cancárias. E aí varia de banco para banco. E aqui começa minha desconfiança, o que é natural em qualquer ‘senil’. Os bancos oficiais iniciarão seu expediente às 9h e concluirão às 14h. Continua cinco horas de expediente externo. Pelo menos aqui em Bagé.  Os caixas “humanos” atenderão os idosos, gestantes e pessoas portadores de deficiência, em exclusivo, das 9h às 10h. Os demais, das 10h às 14h. A federação e os bancos fortalecem o pedido para os clientes e a população em geral “dê preferência ao uso dos serviços digitais e ao teleatendimento”. Pronto, primeira desconfiança: Querem terminar com atendimento ‘dos caixas humanos’. Aliás, isso é uma desconfiança dos sindicatos dos bancários em todo o Brasil. Agora, aproveitando o momento de angústia pelo vírus, estão agilizando o processo de automação bancária. As grandes empresas já usam o sistema sem ‘sair de casa’. Agora, o público em geral entra em fila, pega a ficha e espera ser chamado. Outra coisa que me chamou atenção nos novos horários de atendimento, que beneficiam clientes considerados  ‘grupo de risco’. Aí aflora a pergunta: Fora destes horários, eles não serão atendidos? Ora bolas, uma coisa leva a outra. Algumas cidades brasileiras decretaram que os idosos não poderão sair de casa; já os mais novos terão que se recolher a partir das 22h. Essas decisões foram tomadas  “para evitar a proliferação do coronavírus”. Uma pergunta que não pode ficar em branco: O coronavírus tem hora para proliferar? Das 9h às 10h, o grupo de risco pode sair às ruas que não tem perigo? Será isso mesmo que estou entendendo? Desculpem minha ignorância no assunto. Mas gostaria que algum técnico me respondesse. Técnico! Leigo, tanto quanto eu, não tem competência para esclarecer. A mesma coisa está acontecendo com alguns supermercados, daqui e de alguns estados e cidades brasileiras, onde o ‘toque de recolher’ foi decretado pelos prefeitos, inclusive, prevendo multa a quem não obedecer. Alguns juristas criticam as decisões estaduais e municipais. Eles afirmam que a competência é do governo Central. Então, elas seriam “inconstitucionais”. Outra pergunta que fica sujeita a resposta: Por que o comércio em geral não pode ser beneficiado com as regras dos bancos e dos supermercados?
De Osmar Terra a Jair Bolsonaro
Qual a causa do título que encabeça este tópico? Muito simples de entender. Osmar Terra, médico respeitado, especialista na área, com cinco livros publicados sobre vírus, critica fortemente decisões e divulgações que intensificam, segundo ele, o pânico na população. Ele afirma que o coronavírus, não só existe há muito tempo, como sua evolução tem limite. Sua curva ascendente chega ao topo e começa a regredir. Como todas as outras que já apavoraram o mundo inteiro. Ele é contra a suspensão das aulas e o fechamento do comércio porque isso vai causar recessão, que só será recuperada em cinco anos. Pois bem, ele faz parte da comissão de Saúde da Câmara Federal. Jair Bolsonaro é o presidente do Brasil, não tem conhecimento técnico, mas tem a caneta. Ele usou o espaço que é direito do governo, em rádio e televisão, para fazer críticas sobre decisões de governos estaduais e municipais. Defendeu a reabertura de escolas, fim do confinamento (toque de recolher) e, como sempre, culpou a mídia pela ‘histeria’ provocada na população. Ou seja, estas decisões de alguns governos dos estados e municípios estão com os dias contados. Terão que serem refeitas. Por que faço essa afirmação? Ora bolas, o governo federal está liberando recursos para o combate ao vírus. Ainda não liberou, mas está anunciado, baseado na lógica dos últimos acontecimentos e decisões do governo federal. “Quem não entender sua crítica e não suspender as decisões sobre a suspensão de aulas e o confinamento, será o último a receber ajuda”. Em meus anos de profissão (lá se vão 61anos), sempre escutei os economistas falarem que os dois sustentáculos do emprego no Brasil, estavam alicerçados na produção primaria e na construção civil. Mas, se não tivermos o comércio atuante, o desemprego vai aumentar e o consumo vai diminuir. Basta, apenas, usar o bom censo. Eu sei que é difícil em ano eleitoral. Mas o ‘confinamento’ enfatizado pelo Bolsonaro tem muito a ver com a recessão. Ainda tem tempo. No popular: “prudência e caldo de galinha não fazem mal”. Concordam? 


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