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Atira a primeira pedra quem nunca pecou - 3 de agosto de 2019
Publicado em 03/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Só não muda de opinião quem não tem opinião. O mundo moderno, onde a democracia é praticada, o livre pensar é só pensar. Tem razão o autor da frase “para o mundo que eu quero descer”. As loucuras que acontecem todo dia, a grande maioria em busca de poder ou de dinheiro fácil, deveria nos levar a uma reflexão profunda. Mortes, assaltos, uso incontrolável de dinheiro público e poder sem limites, enchem de tristeza os cidadãos honrados. Em um país em que seguidamente a Constituição é desrespeitada, quase sempre em busca de poder (ou enriquecimento?) dão razão a Rui Barbosa, que afirmou: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Se eu ocupasse um cargo público, com certeza, ao usar a tribuna da casa legislativa, iniciaria meu discurso com essa frase. Tenho certeza que grande parte da população não sabe de quem é, ou simplesmente não dão importância. Alguns até devem perguntar: “Quem é esse velho gagá?”. Sem nenhuma pretensão de ofender a quem quer que seja, dou a “ficha técnica” do autor. Nascido em 1849 (morreu em 1923), Rui Barbosa foi político, diplomata, advogado e jurista brasileiro. Representou o Brasil na Conferência de Haia. Foi reconhecido como “o águia de Haia”. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras e seu presidente, entre 1908 e 1919. Mas não foi só o Brasil que criou Rui Barbosa. A Argentina tem também o seu: Enrique Discépolo, que mostrou em letra de tango (Cambalache, 1934) a realidade que perdura até nossos dias. Pequena estrofe da letra original e sua versão em português: “Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé (Que o mundo foi e será uma porcaria, eu já sei), en el quinientos seis y en el dos mil también (Em 506 e no ano 2000 também;); que siempre ha habido chorros (Que sempre houve ladrões,), maquiávelos y estafáos (Traidores e aproveitadores). Não preciso dizer que os últimos acontecimentos na “terra do Pau Brasil” me obrigou a recorrer ao Google, para analisar e confirmar que pouca coisa mudou de lá para cá. Do dia 31 de julho até o dia 3 de agosto, todo o brasileiro tomou conhecimento de fatos, porque a imprensa deu ampla divulgação. Vamos às manchetes:   

ALEXANDRE DE MORAES SUSPENDE INVESTIGAÇÃO

O site The Intercept, sempre ele, denunciou o seguinte: “O procurador da lava-jato, Deltan Dallagnol, teria incentivado uma investigação contra Dias Toffoli, hoje presidente do Supremo”. A primeira coisa que me vem à mente é a Constituição Brasileira que diz, em um de seus artigos: “Todos são iguais perante a Lei”. A imprensa publicou a opinião de outros membros do Supremo. Gilmar Mendes afirmou: ”O episódio abre crise sem precedentes no Judiciário”. A decisão de Moraes paralisa investigações que atingem 133 contribuintes. A justificativa do ministro, muito engraçada, na interpretação de leigos tanto quanto eu, foi a que se segue: “Estão presentes graves indícios de ilegalidade no direcionamento das apurações em andamento e, determino pelo afastamento de dois servidores da Receita Federal, por indevida quebra de sigilo noticiada em procedimento administrativo disciplinar”. Por sua vez, Marco Aurélio Mello classificou a postura de Dallagnol como inconcebível e espera que o Conselho Nacional do Ministério Público apure as denúncias. Gilmar Mendes disse que o episódio cria uma crise sem precedentes no Judiciário e foi fundo: "É a maior crise que se abateu sobre o aparato judicial do Brasil desde a redemocratização. A Justiça Federal está com o seu prestígio muito abalado e a Procuradoria Geral da República está com seu prestigio muito abalado". Ele afirmou, também, que independente da forma em que as mensagens foram reveladas, os fatos são de extrema gravidade. Não é a primeira vez que membros do Supremo são denunciados. Tanto é verdade que no mesmo dia das denúncias contra Dallagnol surge a notícia que o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou irregularidades no uso de passagens aéreas, por ministros do STF. É assunto para outra coluna. O que fica claro é que as denúncias feitas pelo site estão sendo interpretadas como reais, mesmo conseguidas através de hackers. A decisão de Moraes beneficia corruptos. Ou não? 


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