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As centrais dos trabalhadores se unem
Publicado em 03/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Dia 1º de maio sempre serviu de palco para críticas a quem está no governo. Isso é o que temos assistido nos últimos anos. Os shows contratados atraem mais público e, claro, oportunizam que os políticos apareçam. Na quarta-feira, notei uma diferença. Gostaria que os leitores ficassem atentos para tirar as conclusões. Existe uma verdadeira “guerra” de poder entre as diversas centrais. Cada uma quer ter mais poder para reivindicar. Muitos devem lembrar no passado não tão distante, que a montagem de cada central tentava mostrar que tinha mais força. Eram verdadeiros shows artísticos, com equipamentos sonoros, que mostravam a potência de cada central. É claro que os trabalhadores indecisos, que não haviam optado por nenhuma delas, acabariam convencidos e acabavam optando por uma delas. Mas isso é natural. É tão natural que acontece com os próprios partidos políticos. Quanto mais força de barganha mostrar, mais políticos conquistam. É aqui que vou tentar mostrar a diferença entre as manifestações do último 1º de maio, com outros anos. A união das centrais sindicais não foi motivada por interesses comuns. Pelo que acompanhei, tem tudo a ver com a perda de recursos federais que potencializavam financeiramente os sindicatos e as centrais. Estão perdendo o poder de barganha e resolveram “juntar as cobertas” para continuar com força. Ninguém de sã consciência ignora que a arrecadação de cada sindicato diminuiu mais de 50% de faturamento. Agora, só resta o apoio dos trabalhadores simpatizantes de cada central, para aportar recursos e não deixar a “peteca” cair. O deputado Paulinho da Força, um dos líderes da central dos trabalhadores, em seu discurso, enfatizou: "Centrão busca desidratar nova previdência e impedir reeleição de Bolsonaro”. Lançou “veneno” (para não dizer outra coisa) no ventilador. E isso refletiu no Congresso. Senão, vejamos.

Deputado Luiz Philippe de Orleans
Não perdeu tempo ao afirmar: “A posição do presidente do Solidariedade, reforça a necessidade de discutir reforma política”. E aqui agrego as exigências do tal “centrão” no sentido de garantir o voto pela reforma, caso sejam cumpridas as promessas que ainda não foram cumpridas. O que eles querem? Fazer parte do poder central. Indicações para cargos federais em seus respectivos estados, e liberação de emendas parlamentares. Para o governo, seria continuação do que ele chama de “velha política”. Os velhos caciques do centrão, não gostam da articulação adotada pelo governo. Para as lideranças, é “fechada e de pouco diálogo”. A matéria que li, atribui a alguns representantes partidários que compõe o dito centrão, não deixa dúvida. "Criticam as dificuldades de emplacar indicados políticos em postos de segundo e terceiro escalões nas administrações públicas federais direta e indireta”. Os partidos que compõe “os muristas” são: PP, PR, MDB, PSD, DEM, PTB, Podemos e Solidariedade. Mas tem alguns que estão com um pé no poder e outro na oposição, como, por exemplo, PSDB e PSL. A reforma da previdência aos moldes proposto pelo governo, é certo que não será aprovada. O tempo para que seja levada ao plenário, vai depender do governo “atender” as reivindicações de nossos representantes. Jair Soares, que foi ministro da previdência, e Paulo Paim, em entrevista publicada pelo Correio do Povo de Porto Alegre, são taxativos: “Se o governo deixar de tirar dinheiro da previdência”, a reforma não será necessária. A matéria me foi enviada pelo colega de ginásio Auxiliadora, Fernando Giorgis. Está na coluna do Juremir Machado da Silva, publicada ontem. Me fez retornar ao tempo e constatar que, durante a construção de usina de Itaipu, pela ditadura no Brasil, já denunciavam que o governo de então usou “dinheiro para previdência” para concluir a obra. Jair Soares apresentou números que nos deixa com a “pulga atrás da orelha”. Afirmou o ex-governador e ministro: de 2002 a 2015, os governos tiraram “um trilhão e quatrocentos milhões” da previdência e usaram onde quiseram. É um caso a ser apresentado aos legisladores. Precisamos, urgente, diminuir a máquina e o gasto público. O corte tem que ser linear, para todos os poderes. O Brasil gasta demais. Assim não vai conseguir sair do atoleiro. Concordam?            


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