ARTICULAÇÃO DO GOVERNO AINDA É PÉSSIMA
Publicado em 17/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Não conheço nenhum meio jornalístico que ‘ganhe prêmio’ sem ter posições sólidas sobre os acontecimentos. E a política é uma das armas fortes do sistema democrático. Neste aspecto, o Correio Brasiliense tem se mostrado atuante. Ele pratica o bom jornalismo. Dá oportunidade a todos os segmentos políticos que são importantes no Brasil. Nas edições de domingo sempre têm uma entrevista com alguém importante no país. Por este motivo ganhou diversos prêmios de reportagens de sua equipe. Foi o primeiro a mostrar as movimentações do então deputado Jair Bolsonaro, pelo Brasil afora. Ontem foi a vez da senadora Simone Tebet, presidente da principal comissão no senado federal a CCJ (Comissão De Constituição e Justiça). Filha de Ramez Tebet, presidente do Senado entre 2001 e 2003, mostrou que tem pedigree. Um ou dois trechos da entrevista ‘colo’ para os leitores. A intenção é clara: Mostrar que se pode fazer política sem rancor. Sobre o tema, sua resposta é real, Leia: "A política é exercida no campo das ideias, dos debates em alto nível, com projetos de governo e de estado. Nesse sentido o presidente errou ao provocar os governadores sobre o ICMS dos combustíveis. Ele precisa dos governadores, assim como os governadores precisam do Executivo. Consequentemente, jogar nas costas dos governadores a culpa por uma carga tributária excessiva no país não só é brincar com a verdade. É uma brincadeira de muito mau gosto”. Uma das perguntas que mais me agradou foi a seguinte: “O presidente Bolsonaro fez mudanças importantes. Colocou Rogério Marinho no Desenvolvimento Regional e trocou o comando da Casa Civil. Como avalia a articulação política do governo com o Senado?" Resposta forte: “Até agora, péssima. Eu disse isso ao ministro Paulo Guedes. Na economia, eu tenho divergência. Tenho uma tendência mais liberal no que se refere à economia, mas tenho divergência em relação aos extremismos da política econômica. Vamos privatizar? Vamos, mas eles querem privatizar tudo: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bndes, Petrobras… Sou radicalmente contra. Tenho um alinhamento com a política econômica, mas o papel do ministro Paulo Guedes e de sua equipe é realmente entregar o ótimo, na visão deles, para o presidente. A meu ver, o papel da Casa Civil e da equipe política do governo é chegar para o presidente e falar o seguinte: olha, como ponte entre Congresso e Executivo, eu estou conversando com os congressistas, presidente. Este projeto, da forma em que está, vai dar desgaste, se for apresentado ao Congresso. Isso não acontece. Vem muitas vezes aqui, projetos que, se viessem mais flexíveis, teriam uma tramitação muito mais fácil. O ministro Paulo Guedes está cumprindo a missão dele. O presidente da República, também. O que falta é essa ponte, não só na interlocução do governo com o Congresso, mas na interlocução do governo com o governo. Falta aquele núcleo político dizendo o que dá e o que não dá para fazer, e dizer até onde a corda estica e quando ela vai arrebentar. Espero que, com essa mudança, isso venha para melhor pelo bem do país”. Sobre o andamento dos projetos na Câmara e no Senado, por ser um ano eleitoral ela mostra que é política hábil e sua resposta é ‘na ponta da língua’: “Não acho que, por ser ano eleitoral, haverá um grande empecilho para a tramitação dos projetos no Congresso. Estamos enxugando o calendário eleitoral de tal forma que teremos uma eleição municipal com 45 dias de campanha. A eleição vai ser utilizada como desculpa, mas essa desculpa não cola. Acho que os embates continuarão como no ano de 2019. São os embates naturais da política, de um governo mais à direita, muitas vezes, mais à direita do que se esperava, ante a uma parte do Congresso que é oposição e outra que, embora seja governo, tem divergência em alguns pontos. E, somado ao fato de que o presidente já se coloca como um pré-candidato à reeleição e, consequentemente, já traz a disputa de 2022 para dentro do Congresso Nacional. Com isso, alguns partidos começam a levar isso na conta, em uma análise daqueles que, porventura, já pensam em outro pré-candidato”. Voltei: O que falta ao cidadão é se inteirar do que dizem os políticos. Ouvir todos os lados para formar opinião. Eu contrario o pensamento da senadora no que diz respeito às eleições municipais. Vai parar tudo no Congresso, mesmo com a campanha curta de 45 dias. Ali vai se formar a base para quem quiser concorrer em 2022. Tanto no governo Federal como nos governos estaduais. No resto, gostei das respostas. Está na edição de ontem do CB. Vale a pena ler. Tá!


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