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ARAS QUER PASSAR PENTE-FINO EM CAIXA-PRETA
Publicado em 08/10/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Cada vez que falam em caixa-preta reativam minha memória no acidente que causou a morte de Eduardo Campos e sua comitiva. Aquela estava desligada. O mesmo não aconteceu no acidente que tirou a vida do ministro Teori Zavascki. As causas anunciadas pelos técnicos foram outras. Pois agora, o novo procurador da República ‘descobre’ que há caixa-preta na PGR e anuncia pente-fino nas gestões de Rodrigo Janot e Raquel Dodge. Aras ocupou o cargo de subprocurador da República de onde foi tirado para exercer o novo cargo. Dito isso, é natural que saiba da caixa-preta no órgão que assume agora. Aliás, há anos foi muito comentado na imprensa a aquisição de um aparelho, denominado ‘Sistema Guardião’, muito criticado pela oposição da época. Lembro e alguém mais deve lembrar, foi apelidado de sistema espião. Sua função, inclusive, era de grampear telefones de pessoas investigadas. Não sei se é o mesmo aparelho, mas, pelas declarações do procurador, dá a impressão que, sim, é o mesmo. Ora bolas, então isso não acontece a partir da gestão de Rodrigo Janot, que continuou na gestão de Raquel Dodge. Se levarmos em consideração matérias jornalísticas, o aparelho foi adquirido no início de 2000 e foi cedido à Polícia Federal. O pente-fino anunciado pelo novo procurador visa avaliar: ‘contratos, licitações, benefícios pagos aos seus integrantes, verbas extras e materiais adquiridos nos últimos dois anos na instituição’. A matéria publicada informa que Aras teria ouvido de interlocutores a ‘suposta existência de um esquema ilegal de grampos, contra procuradores e servidores do órgão’. Uma das nomeações do novo procurador criou a tensão. Ele convidou o general Roberto Severo como assessor especial para assuntos estratégicos. Aliás, se levarmos em consideração que o general teve uma passagem curta, não mais que dois meses, como secretário executivo da Secretaria Geral da República, portanto de confiança do governo Bolsonaro, a tensão seria o receio de que alguma coisa ‘não republicana’ estaria acontecendo na PGR. Para que não caia no esquecimento, o general Severo foi chefe de gabinete do ex-ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O que se sabe do gaúcho são denúncias fortes de corrupção. Desmanchar as montagens de aparelhamento em diversos órgãos da República, não é uma missão fácil. Isso reforça a tese de que “toda a denúncia tem que ser investigada. Mesmo as grampeadas ilegalmente”. E é isso que o supremo vai regulamentar até o final do mês. Quais os casos julgados deverão voltar para primeira instância. Ao mesmo tempo votarão sobre a validade da prisão em segunda instância. O mês de outubro promete. Concordam ou não?

 Os velhinhos se unem contra reeleição
Sou crítico de muitas coisas que acontecem no Brasil. Entra governo e sai governo e ninguém tem coragem de modificar certas decisões tomadas por governos que o antecederam. Não sou contra porque defendo bandeira partidária. Os temas que sou contra, muitos governos estabelecidos, através do voto, não quiseram mudar, porque as regras os beneficiavam. Mesmo que estabelecidas por governos adversários políticos. Por exemplo:  sou contra e sempre fui desde o primeiro momento em que o Legislativo aprovou a reeleição. É uma maneira de se eternizar no governo. Fernando Henrique foi o incentivador, ‘com benesses distribuídas entre os legisladores’ do projeto da reeleição, acabou governando por oito anos. O Lula, que combateu com unhas e dentes, durante a votação e após a aprovação, quando chegou ao poder, nada fez para terminar com o processo. Governou por 16 anos incompletos, por conta da cassação de Dilma. Enquanto persistir a reeleição, quem for eleito tem tempo suficiente para aparelhar as instituições. E o aparelhamento acontece em todos os setores da atividade pública. Há muitos anos tomei por base não repetir voto. Pois cada dia que passa mais pessoas usam seus espaços para criticar a reeleição. Pode ser que a população reaja e vá para as ruas pedir a rejeição da reeleição. Agora mesmo, foi uma grande artista de teatro e cinema resolveu ‘botar a cara’ e debater o processo. Fernanda Montenegro defende fim das reeleições sob aplausos do teatro municipal lotado. O público presente aplaudiu de pé a declaração de Fernanda. Pode ser que agora o povo brasileiro acorde e faça seu protesto público. Só assim os governantes e os políticos que compõem o Legislativo despertam. Queda já da reeleição. Certo?    

 


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