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Antes a parabólica, agora o celular
Publicado em 23/07/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Espionagem é algo que não está separada da política com reflexos em outros setores. O industrial é um deles. No passado, quando as comunicações eram por telefone de linha, já aconteciam escutas através dos conhecidos “grampos”. Certa feita, há mais de 60 anos, um determinado político ligou para o Palácio do Catete, residência do presidente da República no Rio de Janeiro, tentando saber detalhes sobre algum tema considerado sigiloso pelo governo. O diálogo foi cortado imediatamente através de uma resposta “seca” (em minha maneira de pensar curta e grossa): “Isso não é assunto para ser tratado por telefone”. Então, certos temas de segurança, não devem ser tratados por nenhum meio eletrônico. Tem que ser pessoalmente. Porém, e sempre tem um porém, todo o cuidado é pouco porque pode ter um microfone “ligado”. Em 1994, era ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, que foi convidado por Carlos Monforte, da TV Globo, para uma entrevista sobre economia que era sua área. Como acontece sempre, enquanto regulam microfones, câmaras ou as antigas “máquinas fotográficas”, os repórteres batem papo descontraído com o entrevistado. Os microfones estavam ligados e a conversa informal foi para o ar via parabólica, e o ministro teve que se demitir.  Então, o que está acontecendo agora, nada mais é que repetição de coisas do passado, por meios sofisticados de comunicação. A mim não impressiona, porque nunca tratei “negócio algum” sem ser de “corpo presente”. E olhe que não tenho nenhuma tendência política. Sou apenas um simples cidadão, radialista, que só comenta algo que já é do conhecimento público. Emito minha opinião. Todo este “imbróglio” (que palavra danada!) foi propiciado por mais uma denúncia do site The Intercept, no último final de semana. Acompanhe o diálogo transcrito pelo CB (Correio Brasiliense). "Na época em que  estourou o escândalo contra Flávio Bolsonaro e seu assessor Queiroz, o então juiz Sérgio Moro, já havia sido indicado para o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. Segundo o site, em chats com membros da Lava Jato, em dezembro de 2018, Dallagnol mostra preocupação com o processo. Além disso, também cita a possibilidade de o caso prejudicar a indicação de Moro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Moro deve aguardar a apuração e ver quem será implicado. Filho (Flávio) certamente. O problema é: o pai vai deixar? Ou pior, se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos? Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no supremo?” Em resposta, o procurador Roberson Pozzobon diz: “Acho que Moro já devia contar com a possibilidade de que algo do gênero acontecesse. A questão é quanto ele estará disposto a ficar no cargo com isso ou se mais disso vir (SIC)”. Com Pozzobon, Dallagnol também se mostra preocupado sobre como deveria se pronunciar a respeito de foro privilegiado, sem que isso resvalasse no caso Flávio e afetasse a imagem da Lava Jato: “Não podemos ficar quietos, mas é neste momento um pouco como com RD (Raquel Dodge, procuradora-geral da República). Vamos depender dela pra reformas… Não sei se vale bater mais forte, diz Dallagnol”. É o que foi publicado e que transcrevo para que o leitor tire suas conclusões. Uma coisa é certa, “muita água vai correr por debaixo da ponte”. Em que isso tudo vai dar? Não sei.

Repetir comentário nunca é demais

O que vou abordar hoje já foi tema de muitos comentários neste espaço. Confesso, sou repetitivo. Acontece que sigo um velho ditado: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Está tramitando no Congresso o aumento do fundo partidário para financiar eleições. Vai duplicar se for aprovado. Até agora nada foi feito para suspender a intenção de aumentar. Acho que partido político deveria ser uma espécie de sociedade, formada por pessoas que gostassem de instituição e colaborasse mensalmente, de livre e espontânea vontade.  Assim como os sindicatos. Tirar dinheiro dos impostos pagos por todos nós para ajudar os partidos a elegerem o maior número de candidatos, isso sim não está certo. É minha opinião há muitos anos. Os grandes partidos ficam cada vez maior. Ao passo que os nanicos diminuem.  O professor Cláudio Ferrar, PUC-RJ, em entrevista ao Jornal do Brasil (JB), defende teto de gastos em campanha eleitoral. Pelo menos, tenta equilibrar as possibilidades de crescimento partidário e determine que candidatos “gastem dentro do mesmo limite”. Penso que, lastimavelmente, não será aprovado pelo Congresso. A farra com dinheiro público vai continuar. É uma das moedas de troca para reformas. Tá?  


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