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Ameaça de greve rodeia o palácio
Publicado em 06/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

  A ferida da ultima greve ainda não cicatrizou e estamos prestes a ter outra deflagrada  e, essa sim, sem precedentes. Nos primeiros dias de maio, a Petrobras aumentou, de novo, o óleo diesel. Outra vez vou me tornar repetitivo. O que faz os produtos aumentarem de valor é a inflação. Pelo que se observa ela está controlada. Não pelo governo, que só tem aumentado o valor dos combustíveis que atinge diretamente o preço final de todos os produtos de consumo. A população brasileira tem “pechinchando” bastante na hora de comprar. Principalmente os produtos de primeira necessidade. A guerra de ofertas, a publicação de preços na imprensa, mostra que o comércio quer vender e para tal, tem que se enquadrar no mercado. Estou falando sobre outros produtos que não o combustível. Qualquer cidadão sabe que os impostos incidem sobre as vendas. Quanto maior às vendas maior é a arrecadação do bolo nacional. Com os preços controlados pela população, para fazer caixa, os comerciantes entram na batalha das ofertas de seus produtos. Até aqui faz parte da disputa de mercado. Automaticamente, os impostos que incidem sobre o preço final, atingem o bolo da arrecadação. Então, enquanto o consumidor faz sua parte buscando o menor preço, o governo para arrecadar mais aumenta, ou para manter a arrecadação nos níveis atuais, aumenta o combustível. Este filme é antigo.  Assistimos por culpa dos próprios governos que nada fizeram para combater o desemprego. O gasto público continua crescendo e a arrecadação prossegue com tendência de queda. Aumentando o combustível, que gera impostos os mais variados, o governo tenta manter o bolo nacional no estágio atual. Ora bolas dá para concluir que “enquanto o povo faz sua parte, buscando o menor preço, o governo aumenta os combustíveis para manter a arrecadação”. Neste aspecto não estamos visualizando nenhuma novidade. É a prática dos últimos governos que está sendo abraçada pelo atual. Porém, e sempre tem um porém, há um entendimento por parte da população, que é completamente equivocado: por não ter automóvel o aumento do combustível não lhe atinge. Ledo engano provocado por informações errôneas. Todos pagam imposto. Ele já vem embutido no preço final de cada produto. Os menos avisados (ou politiqueiros?) tentam colocar a culpa no varejista. Quanto movimento tem sido feito no sentido de culpar os donos de postos pelo aumento do combustível. Eles apenas repassam os custos para o preço final. Nada mais que isso. Não pensem que estou divagando. Não imaginem que estou fugindo da manchete que encabeça a coluna de hoje. Apenas repito o que venho tentando esclarecer desde que a crise, mais uma, atingiu o bolso do povo. Certo? Vamos à notícia que embasa a coluna de hoje O aumento do óleo diesel, anunciado pela Petrobras, provoca reclamações da categoria. Além da indignação com a estatal há insatisfação porque o governo federal não estaria cumprindo as medidas prometidas. Representantes de transportadores autônomos admitem que ficou mais difícil controlar o movimento grevista. O governo tem conversado, separadamente, com lideranças dos caminhoneiros. Mas não tem cumprido as promessas. O último movimento grevista causou terror na economia que até hoje faz sentir seus reflexos. É claro que a classe representada por sindicatos e transportadores autônomos, está revoltada. E cada vez que aumenta o diesel o chamamento por greve é mais forte. Eles usam as redes sociais para se comunicar e montar a pauta de reações. Segundo a imprensa até sábado, dia 4, o movimento cresceu. E agora tem mais “pimenta no mocotó”. O governo conseguiu dividir o movimento. O grupo mais revoltado, formado pelos autônomos, quer iniciar a obstrução de rodovias. Os mais ponderados sugerem chegar em comboio a Brasília e permanecer no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. Seria uma forma de pressionar o governo. Sem greve mas com intimidação. Uma coisa ficou clara, o governo conseguiu dividir o movimento. Hoje ele não é unânime como o foi na última greve. Há disputa de “poder” também entre os representantes dos caminhoneiros. Isso leva a crer que a greve, se acontecer, não será da totalidade da categoria. Dividir para enfraquecer foi a estratégia do governo. Prometeu o que não podia cumprir. O movimento dos caminhoneiros se assemelha ao dos ferroviários, quando a malha ferroviária era o transporte principal e menos oneroso. O que resta para o futuro é incentivar privatizações das ferrovias para manter o equilíbrio no momento de crise. O governo não tem dinheiro para investir no setor. O que resta é privatizar. Certo ou não?         

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