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Amazônia: Presidente da França convoca G7
Publicado em 24/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Já se tinha uma ideia de que algo aconteceria a nível mundial, com as informações divulgadas pelo presidente do Inpe sobre o desmatamento da Amazônia. Tanto é verdade que ele foi demitido. Também não é menos verdade que Noruega e Alemanha cortaram a ajuda financeira que enviavam ao Brasil. O auxílio tinha o objetivo de ajudar o nosso país na fiscalização de nossa mata. Tida como pulmão do mundo, podia ser considerado patrimônio da humanidade. Uma érea técnica não deveria ser tratada “politicamente”. Mas foi e sempre será lastimavelmente. Pois bem, o diretor demitido, embora não afirme, tinha o apoio dos países que enviavam recursos para sua preservação. Tanto é que cortaram a “grana”. Pois bem, na quinta-feira, dia 22, Emmanuel Macron, presidente da França, chamou os países que compõe o G7 para discutir queimada na Amazônia. É composto por sete países, os mais ricos do mundo, tais como: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Claro que aflora uma pergunta: o que tem que ver o desmatamento com as queimadas? Tudo. Acontece que não existe coincidência ou é muito raro que exista. O desmatamento denunciado, pelo que se observa, foi suspenso temporariamente após reação dos países que aportavam recursos. Deixa a impressão que as queimadas vieram a seguir. Não dá para desmatar, vamos queimar. A convocação do presidente francês é para reunião dentro de dois dias. Então, é fácil de saber que essa reunião será hoje, sábado, 24. A convocação, cujo texto vou transcrever, mostra a urgência e quase desespero da França, pela forte repercussão na imprensa internacional. Leia: "Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão do nosso planeta que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vejo vocês em dois dias para falar sobre esta emergência". Nas redes sociais, o tema também domina as discussões entre os internautas. Nas últimas 24 horas, ou seja, entre quarta e quinta-feira, 2,5 milhões de mensagens sobre a Amazônia foram publicadas no Twitter, sendo 993 mil em inglês, 683 mil em espanhol e 593 mil em português. O Ministério Público Federal informou que abriu investigação no Pará sobre as queimadas. O órgão apura denúncias de que a Polícia Militar do estado parou de realizar a fiscalização de crimes ambientais, assim como existem indícios do sucateamento de órgãos ambientais da região. E aqui fica a pergunta onde foi o dinheiro enviado pelos países do primeiro mundo? A suspensão foi agora! 

Ibama lança edital para contratar empresa

Pelo que se observa a denúncia do presidente demitido do Inpe está agilizando suas ações para contratar empresa que monitore o desmatamento. O Inpe não monitorava? Claro que sim, tanto é verdade que os países suspenderam ajuda porque confiaram nas informações. A área a ser monitorada engloba cinco estados da Amazônia legal. O diretor do Ibama, Olivaldi Alves Borges de Azevedo, na justificativa para o processo licitatório, afirma: “estamos em “busca de uma solução viável e operacional para atuação mais eficiente, eficaz, efetiva e com maior celeridade na gestão das ações de fiscalização ambiental no combate ao desmatamento ilegal e exploração florestal seletiva ilegal na região Amazônica”. Aqui, eu meto minha colher de novo: Então, a denúncia do diretor do Inpe era verdadeira? Tanto é que querem controlar o desmatamento. Se é esse o objetivo é sinal que não estavam controlando. Gol de placa do diretor do Inpe.   

O que tem em comum queimadas e desmatamento

Basta ler o que afirmou o presidente Bolsonaro na quinta-feira, 22: “As queimadas na Amazônia são criminosas e que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás dos incêndios. Pode ser fazendeiros. Todo mundo é suspeito. Mas a maior suspeita vem das ONGs. A Amazônia é maior do que a Europa, como vai combater incêndios criminosos nessa área? E é criminoso, mas você não vai pegar quem está tacando fogo lá, só se for em flagrante. É um indício fortíssimo de que são ONGs. Não se tem prova disso, se vocês não pegar em flagrante quem está queimando e buscar quem mandou”. Para mim, é reação de quem sempre desmatou, porém, agora, pela repercussão mundial, vai perder a boca. Neste caso, pode, sim, contratar gente para tacar fogo. Uma coisa deve estar ligada a outra. Ou é coincidência? O que opinam?


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