A velha política dá cartas e joga de mão
Publicado em 19/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

É um velho e rançoso jargão que vem bem a calhar no momento político atual. Mas é necessário repetir, eu sou repetitivo, que se volte ao passado, não tão distante. É sobre a história política brasileira, principalmente, após a ditadura. Ali fica constatado que oposição e situação, fizeram um acordo (ou arreglo, como queiram) e aceitaram ‘as regras’ impostas pelo regime ditatorial. Tancredo Neves, um dos líderes da oposição (MDB) e José Sarney, líder da situação (Arena), com o apoio de todos os segmentos políticos, resolveram se unir. Já havia acontecido o comício de um milhão de pessoas, de mãos dadas, no Rio de Janeiro, defendendo o retorno das diretas. Tudo acertado com o governo Central. Por que afirmo que tudo foi combinado entre governo e oposição? Simples! Caso contrário, o comício das diretas, não teria acontecido. Da união entre ‘vinagre e azeite’, aconteceu o que chamaram de eleições livres. Para os defensores, eleição direta, sem a participação do povo através do voto, era o que poderia ser realizado naquele momento. Para os mais jovens, eu explico: O Congresso Nacional era formado por 70% de biônicos. Ou seja, legisladores escolhidos pelo governo da ditadura. De lá para cá, começou a disputa pela criação de partidos políticos, que haviam sido banidos durante o regime ditatorial. Sarney assumiu o governo após morte de Tancredo Neves. Ou seja, teria ficado a mesma coisa, porque Sarney foi presidente da Arena, partido que deu sustentáculo à ditadura. Foi um civil que defendeu a ditadura.

Outra etapa política se aproximava

Durante o governo Sarney, a imprensa começou a ‘descobrir’ nomes que pudessem assumir a presidência da República. Descobriram Collor de Melo, que prometeu combater os ‘marajás’. Escolheram para seu vice, Itamar Franco. Collor, em seu radicalismo, resolveu ‘se achar’ e virou as costas ao Congresso. De saída, perdeu sua base, se é que tinha. Até que foi cassado pelos legisladores. Assumiu Itamar Franco, seu vice, que chamou Fernando Henrique Cardoso para ministro da Economia (Fazenda). Criou o real, que nos deu certa estabilidade econômica. A tal ponto que o então ministro foi indicado pelo já PSDB, candidato à presidência. Vendo as barbas do vizinho ‘arder’, ele colocou a sua de molho. Escolheu como seu companheiro de chapa, Marco Maciel, do PFL. Indicado por Antônio Carlos Magalhães (Toninho Malvadeza) que era chegado a José Sarney. Durante sua gestão, Fernando Henrique, se acertou com o Congresso, abaixo de benesses e aprovou a reeleição. Até aqui, parte de nossa história política. Vamos à continuação.

Lula e suas composições políticas

Após participar como adversário em alguns mandatos anteriores, Lula convidou José Alencar, um grande empresário de Minas Gerais. Terminado seu período (foi reeleito), lançou Dilma Roussef  à presidência e teve que se compor com Sarney, a qual ele havia chamado de ‘ladrão’. O vice de Dilma foi Michel Temer. De lá para cá, a partir da reeleição de Dilma, começou o movimento para acharem um nome que pudesse ganhar as eleições. Este movimento já havia montando um esquema para sua cassação. Não entro no mérito se ela foi ou não ‘bem cassada’. Só conto os fatos. Assumiu Michel Temer. A primeira coisa que fez foi abrigar no seu governo, alguns nomes investigados pela Polícia Federal. Investigado não quer dizer condenado. Entre eles, Carlos Marun e Moreira Franco, que após foi preso, mas liberado em seguida, porque era casado com a mãe de Rodrigo Maia. Houve algum movimento forte contra estes nomes, na imprensa brasileira? Claro que não. Atualidade!

Bolsonaro convida partidos do Centrão

Essa é notícia de agora ou da semana passada. E não se diga que não havia acontecido essa ‘aproximação’ com os adversários políticos, entre eles aqueles que haviam feito campanha para sua eleição. Só que agora, sentindo que poderia ser cassado, atacou forte. Nomeou José Carlos Aleluia (DEM) e Carlos Marun, homem forte do Temer, para Itaipu. E entregou um orçamento bilionário, para os indicados do PL. Já está com maioria no Congresso. Qual a diferença na composição política montada por Bolsonaro, com os governos que o antecederam? Nenhuma. Mas já estão baixando o ‘porrete’ pelas indicações. E aqui vale uma frase bíblica: “Atira a primeira pedra quem nunca pecou”. Este é o motivo que me torno repetitivo. Eu gosto de comparar. Concordam?


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