A situação não está para colibri e sim para urubu
Publicado em 08/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Outro ditado popular que vem bem a calhar no momento atual em que vivemos. Ninguém está totalmente preocupado com o coronavírus. Grande parte dos políticos está de olho na próxima eleição. Os fatos confirmam a politicagem que tem usado o coronavírus, como culpado de tudo que acontece. Nas mortes provocadas pelo vírus, uns dizendo que está acima da realidade, outros afirmam o contrário, que não espelha o que está acontecendo. Isso tem colocado alguns governadores e prefeitos, não são todos, em colisão direta com o que pensa o governo central. Isso vem acontecendo após a primeira semana de fechamento do comércio e indústria no Brasil. Até os primeiros sete dias, ninguém reclamou. E tinha uma causa real: Ninguém ainda conhecia a extensão do vírus. Após, os políticos, adversários e coligados com o governo central, passaram a atuar. No meio do caminho, foram demitidos o Ministro da Saúde e pediu demissão o ministro da Justiça. Até aquele momento considerado superministro. Como caiu ‘detonando’ o presidente, movimentou o cenário político e jurídico, que causaram manifestações pró-Bolsonaro e Moro. O ex-ministro já foi ouvido pela Polícia Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República. Pois bem, a pedido do PDT, o ministro Alexandre de Moraes proibiu a nomeação de outro ministro em seu lugar. Está causando controvérsias com declarações contrárias a sua decisão, por colegas seus no STF. Estão evocando a independência entre os poderes. Agora vem outro capítulo da história (ou novela?). O governo encontrou outro nome para assumir o Ministério da Justiça. E este, ao contrário do outro, tem muitos profissionais da Justiça que o consideram ‘conhecedor e íntegro’. Tem apoio de boa parte da Polícia Federal. Manchete de ontem na imprensa.
Novo ministro começa deletar indicados de Moro
Vou colar parte da matéria para dar embasamento à coluna de hoje. Leia: “Para tentar apagar os rastros do ex-juiz no governo, novo  Ministério da Justiça e Segurança Pública, tem demitido os nomeados por ele, seguindo recomendações do presidente Jair Bolsonaro. Ideia do Planalto de dividir a pasta volta a ganhar força. O novo Ministro, André Mendonça, vem substituindo os indicados por Moro, colocando profissionais de sua confiança”. Outra vez trago à tona a declaração de um político, não lembro o nome, que declarou: “Se eu assumisse um mandato no Executivo, eu não abriria mão de quatro cargos importantes: Fazenda, Justiça, Saúde e Educação. Para estes cargos de confiança eu colocaria minha mãe, meu pai, irmãos e filhos. Mais de confiança que eles, para mim, não existe”. Não deixa de ter suas razões, se o cargo é de confiança do eleito, vai se assessorar de quem tem confiança. Pois bem, mas o que se nota é crítica ferrenha que a escolha deveria cair sobre pessoas competentes. Quem disse que o atual não é competente? A prova é que ele troca um cargo por outro, com mais visibilidade. Não com mais importância. O que ele está fazendo, sem chegar ao mérito da capacidade técnica, é substituir os cargos nomeados pelo ministro que saiu e colocando gente de sua confiança ou, como queira, da confiança do presidente da República. Qual prefeito, governador e ou presidente da República, que ao assumir o cargo, não troca quase todos os ministros e ou secretários de estados e municípios. A matéria enfatiza que está no projeto a volta do Ministério de Segurança Pública, sendo separado da Justiça. Aliás, a união dos dois em um, foi por exigência do Ministro Moro. É a prática política brasileira. E aqui não vai nenhuma defesa do governo Bolsonaro. É isso sim, defesa do direito que ele tem, como todos sempre tiveram, de escolher seus escalões. E a pergunta é para reflexão de todos: Qual governo não usou este direito? Hein?


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