A política está longe de nossos políticos
Publicado em 09/05/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

O que aprendi em política, tanto nos livros quanto na prática profissional, não tem nada a ver com o que acontece hoje no Brasil. Faz muito tempo, desde a volta da democracia, que o direito do cidadão não é favor é obrigação determinada pela lei. Mas não é o que se observa no dia a dia. Qualquer acontecimento fora dos parâmetros normais, que independam do cidadão político, serve como catapulta para apologia política, visando à próxima eleição. O Brasil ainda tem problemas com a educação do povo. Nós continuamos votando em ‘agradecimento’ por algum ‘favor’ recebido. Mesmo que este favor esteja previsto na lei. Então, no caso, não seria pela atuação do político que ele foi resolvido, mas, sim, pelo cumprimento da lei. Faz um bom tempo que abordo este tema. Quando o direito do cidadão é respeitado, os governos que respeitaram a lei e fazem ‘apologia política’ do feito, em busca do reconhecimento popular. Minha opinião, independente de quem está no governo, é quem cumpre a lei não faz mais do que a obrigação. Pois bem, hoje, vivemos mais uma ‘crise’ das tantas pelas quais já passamos. O que estamos observando? Cada partido políticos quer tirar sua ‘lasquinha’ da situação. São incapazes até de se unir para solucionar o problema mais rapidamente. O Judiciário, nas suas diversas instâncias, tem alguns componentes que querem se arvorar a legisladores, quando na realidade são guardiões das leis. Os três poderes estão em confronto direto. Ninguém mais se entende. Há uma verdadeira batalha de vaidades, um querendo mostrar mais força que o outro. Mas são três poderes distintos, com administrações independentes embasado na Constituição. Agora, o Poder Judiciário, por meio de alguns membros, interfere em outros poderes, quando o que deveria fazer é aprovar, ou não, em cima das leis, se a decisão foi certa ou errada. Foi legal ou ilegal. Pois bem, este tema volta à coluna por duas manchetes que li de jornais brasileiros. Uma delas chega a envergonhar papagaio desbocado. Leia com atenção e tire suas conclusões, certo? 
STJ é acionado pelo governo 
Vamos à causa da ação judicial proposta pela AGU, Advocacia-Geral da União. O jornal Estado de São Paulo, baseado na Lei de Acesso à Informação, solicitou os documentos que garantem, ou não, que o presidente Bolsonaro, contraiu o vírus. Bolsonaro tem negado, mas o jornal quer que ele prove que não contraiu. A Justiça Federal de São Paulo determinou, acatando o pedido, que o presidente apresentasse o resultado do teste. O governo não concordou e afirmou que não apresentaria. O Tribunal Regional da terceira região confirmou a sentença da primeira instância. Então, agora, a AGU entrou com a petição ao STJ. Aqui entra a teimosia: Por que o governo não quer apresentar os exames, se afirma que não contraiu o vírus? AGU justifica a ação: “A determinação viola a intimidade e a vida privada”. Eu fiquei a pensar: já imaginaram se as autoridades determinassem a exumação de todos os corpos, cujo atestado de óbito indicasse a  morte pelo vírus? Teríamos a verdade verdadeira. Mas no caso é saber se o presidente mentiu se foi ou não atingido pelo vírus. O direito de cada um tem que ser preservado. Ainda mais do presidente da República. E tudo isso foi provocado pelo próprio Bolsonaro, ao participar da concentração em frente comando das Forças Armadas. Por provocação, ou não, ele durante o discurso deu algumas tossidas secas. Deixou transparecer que estava com o vírus. Como guerra é guerra, a reação do Estadão.
AGU faz exigência para entregar o vídeo 
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (8/5), a definição da cadeia de custódia do vídeo de uma reunião ministerial realizada em 22 de abril no Palácio do Planalto. A gravação foi solicitada pelo ministro dentro do inquérito que investiga a acusação do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal para ter acesso a relatórios de inteligência do órgão. O pedido da Advocacia da União, não é negando de entregar a conversa gravada e já apresentada pelo Moro. O que defende é que a reunião ministerial teve muitos outros assuntos que não fazem parte da denúncia. Aqui há mais de uma jogada ensaiada: Se o governo apresentar a gravação comprovará a denúncia de Moro. Eu vou mais além, comprovando a denúncia, obviamente o que Moro fez, ao dar ampla divulgação da gravação, ficará aquecido. Ou seja, não corre o risco de alguém acionar a Justiça 
questionando a ‘ilegalidade da gravação’. Guerra é guerra. Tá?  


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