A miséria traz de volta ideias passadas
Publicado em 01/08/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Cada governo que é eleito no Brasil, União, Estados e Municípios, não demora um ano de gestão e já começa a pensar em aumento de impostos. Durante o primeiro ano, ele ‘mede’ o apoio que tem no Legislativo. No momento que tem a  maioria negocia alguma maneira de ‘faturar’ mais. O bolo da arrecadação já não está sustentando o gasto da máquina pública. Ninguém pensa em diminuir o gasto. Pensam em aumentar a receita. Que eu lembre, nenhum governo tentou diminuir a máquina e o gasto público. Diminuir ministérios, secretarias estaduais ou municipais, nem pensar. É mais fácil tributar os contribuintes do que reduzir o ‘cabide de emprego’ que se tornou a máquina pública. O primeiro governo eleito pelo voto do povo após a ditadura foi Fernando Collor de Melo. O governo Sarney não conta porque foi eleição indireta, pelo Congresso Nacional, cuja maioria, 70% eram biônicos, nomeadas pelo governo ditatorial. Collor foi eleito pelo povo. Não resistiu dois anos e foi cassado. Assumiu Itamar Franco, seu vice. Ele nomeou ministro da Fazenda, Fernando Henrique, que ‘bolou’ o imposto sobre o cheque. O objetivo, malandro, se diga de passagem, era investir toda a arrecadação na Saúde. Comprado com ‘benesses’, ou não, convenceu os Congressistas, que aprovaram o projeto. Inicialmente, era provisória, depois se tornou permanente. Até que foi derrubado em 2007, no governo Lula. Essa é a historia de um passado não tão distante. Treze anos após, a área econômica resolve ‘desenterrar’ o imposto do cheque. É o tema de hoje.

Rodrigo Maia é nova barreira contra CPMF

Na semana passada, o DEM resolveu cair fora do Centrão. No momento em que o presidente Bolsonaro conseguiu conquistar a maioria no Legislativo, abaixo de cargos importantes, liberados a partidos componentes do Centrão. O DEM caiu fora, uma semana após ser anunciado o possível novo imposto sobre o cheque. O DEM, todos sabem, era dirigido pelo Antônio Carlos Magalhães, enquanto PFL. Marco Maciel, um de seus componentes, foi parceiro de chapa de Fernando Henrique Cardoso. Embora, hoje, o partido tenha como presidente, o Neto de Toninho Malvadeza, alguns de seus principais dirigentes, não querem nem saber ‘do novo imposto’. O presidente da Câmara se torna uma das barreiras contra o novo imposto. Ele deixa claro que “não adianta o governo tentar disfarçar novo imposto ‘para parecer bonito’, pois os contribuintes não aceitam desembolsar mais”. E vai além: ‘enquanto eu for presidente da Câmara não penso em pautar para discussão o novo imposto’. Outra coisa que ele defende tem sido pauta da coluna: “Debater a reforma tributária e limitação para o teto de gasto dos governos”. A administração pública gasta demais, embora venha arrecadando menos que antigamente. O princípio de qualquer comércio não é seguido pelo poder público: “gastar menos do que arrecada”. Como em política tudo pode acontecer, não é de se duvidar que Maia volte atrás em sua decisão. Basta ele conseguir maioria dos deputados para eleger seu substituto. Porque, se o governo conseguir vencer as eleições no Congresso, não se tenha dúvida que a equipe econômica, comandado por Guedes, com autorização de Bolsonaro, fará passar tudo o que lhe interessa. Inclusive, a CPMF, com novo nome. Certo?     

Dallagnol denúncia desmonte da Lava Jato

A guerra entre PGR e MPF, está cada vez mais acirrada. E o debate é incentivado com ampla divulgação pela imprensa. O que é salutar. Como sempre afirmei: “A imprensa não é solução dos problemas, ela faz parte deles”. O coordenador da Lava Jato no Ministério Público Federal, no Paraná, Deltan Dallagnol, afirmou, nessa sexta-feira (31), que está havendo "desmonte do modelo de combate à corrupção que se formou nos últimos anos". Essa é mais uma, dentre uma série de críticas trocadas entre a equipe do Paraná com autoridades de Brasília. É claro que isso tem que ser analisado com prudência. Qual modelo de combate à corrupção que se formou nos últimos anos? O denunciado pelo jornalista americano Glenn, que mostrou combinação entre promotores e juiz da força-tarefa? Ou o modelo de combate determinado pela Constituição? Ora bolas, se as denúncias forem confirmadas, é claro, que tem que terminar. Todos nos temos obrigação de respeitar as leis. A conclusão virá após o levantamento que a PGR está realizando nos processos da Lava Jato. É simples. Concordam ou não?


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