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A guerra continua. Isso é bom para a democracia
Publicado em 12/08/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Temos assistido declarações que podem ser importantes para a democracia, que avança no Brasil. A guerra pelo poder não tem limites. Cada segmento quer mostrar serviço que ao final nos leva a concluir pelo objetivo verdadeiro: O poder. Antes o debate girava em torno da política. Quem perdesse a eleição se tornava oposição. Até certo ponto, saudável. O governo reagia e para ter maioria, “conquistava alguns membros da oposição abaixo de benesses, cargos e liberação de recursos”. Isso tem sido a prática de todos que assumiram o governo após a ditadura brasileira. Vou bater na mesma tecla, que venho batendo desde a volta ao sistema democrático. Parece até o samba de uma “nota só”. O primeiro negócio, dito político, foi o “arreglo” entre os dois únicos partidos permitidos pela ditadura: Arena e MDB. Para voltarmos ao sistema democrático, juntaram Tancredo e Sarney, para uma eleição indireta, votados pelo Congresso formado pela maioria de biônicos, nomeados pelo sistema ditatorial. Os partidos aceitaram e não podem reclamar. Muitos dos antigos políticos, ou formados pela ditadura, continuam em atividade. Com o passar do tempo, Arena e MDB deram lugar a outros partidos, como o criado para eleger o Collor. Não durou muito e o Congresso cassou seu mandato e assumiu o vice: Itamar Franco. Tendo com timoneiros PSDB e MDB, ou seja, sobreviventes da ditadura. Para não perder tempo, chegamos ao governo F.H.C. Tendo gostado de sua participação no governo Itamar e, após sua primeira eleição, entrou novamente com tudo e o congresso aprovou a reeleição. Abaixo de benesses, cargos e liberação de recursos. Após oito anos de governo, surgiu forte a candidatura de Lula que seguiu o mesmo sistema de coligações. Trouxe para seu lado seu “maior inimigo político”: Sarney. Como passou a gostar do poder, nada fez para terminar com a reeleição, tão combatida por ele e seus coligados. Seguiu tudo igual. Vamos a sequência, por capitulo, do famoso “fuzuê".

 

A defesa de Lula continua seu trabalho

Não tem deixando nenhuma bola picando na área. Tenta desde o início conseguir habeas corpus. Em nenhum setor dos tribunais conseguiu seu desiderato. Mas é a velha teoria do futebol, de tanto chutar a gol uma hora a bola entra. E agora parece que é pra valer, se levarmos em conta que obteve a primeira vitória. Nas primeiras mensagens do site de Glenn, divulgadas pela imprensa, que envolviam procurados da Lava Jato e de Moro, não perdeu tempo pediu ao STJ a suspeição do hoje ministro. A reação aconteceu dias depois com a autorização determinada pela juíza substituta da Lava Jato, atendendo solicitação do Superintendente da Polícia Federal, para transferência de Lula para São Paulo. A defesa do ex-presidente atuou imediatamente e conseguiu que o supremo suspendesse a transferência até que o STJ julgasse o pedido de suspeição contra Moro. É claro para quem é leigo, mas não é “burro de um tudo”, nas denúncias do jornalista Gleen, consta uma investigação contra os ministros do Supremo, Toffolli e Gilmar. Aí sim o bicho pegou realmente. Gilmar não só está criticando fortemente a força-tarefa, como quer substituição de seus membros. No final da semana passada, acatou pedido da Rede Sustentabilidade e “proibiu investigação contra o jornalista Gleen”. Sua base foi a defesa da liberdade de imprensa e afirmou: "Uma investigação contra o jornalista poderia configurar inequívoco ato de censura. O Estado não pode promover atos punitivos que possam suprimir o direito constitucional ao sigilo da fonte”.

Conclusão dessa etapa

Isso pode acelerar o julgamento de Lula em última instância o que já está sendo aventado pela imprensa. Também pode ser pautado novo julgamento sobre a prisão em segunda instância, há um bom tempo parado no Supremo. Cármen Lúcia se negou em pautar. Em meio a isso tudo, o ministro Moro solicitou à procuradora da República abertura de processo contra o presidente da OAB. E aí, opinião pessoal minha, não é pura coincidência entre uma coisa e outra, porém levo pelo caminho da “combinação”. Ou é muita coincidência? Os fatos que se misturam, mesmo para um leigo e desconfiado, tanto quanto eu, muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte. O jornalista Gleen, que nunca se intimidou, fica mais livre para divulgar novos capítulos da novela “impunidade jamais”. Enquanto isso, hoje pode ser anunciado o procurador (a) da República, segundo o presidente Bolsonaro. E isso, com certeza, vai embasar a decisão de Raquel Dodge. É só aguardar. Será Raquel Dodge? O importante é que a democracia se firma. Ou não?        


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