No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

A disputa de poder é o alvo de políticos
Publicado em 11/05/2019

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Cada partido tem seu estilo ao tomar decisões. Uns são mais suaves, outros mais diretos. Mas o desejo de todos é o poder. O que faz parte do jogo. Após a ditadura, onde só um grupo mandava, aconteceu uma unidade de pensamento pela volta à democracia. Todos afirmaram que a união foi a maneira encontrada para o retorno ao sistema democrático. E aí entra a desconfiança em jogo. Quem não sabe que Figueiredo estava cansado e nas entrevistas mostrava o caminho para as eleições diretas. Então, a estratégia da dita direita, que estava no poder, junto aos militares, foi buscar abrigo na dita esquerda. Então, Sarney, Toninho Malvadeza, para falar apenas de dois, de braços dados no comício das Diretas Já, comprovaram que nossa política era de poder e não de programas. A simples aceitação da chapa Tancredo x Sarney deixou clara a intenção. Muitos pensam o contrário e afirmam que foi a maneira encontrada para a volta à democracia. Aprovada pelo Congresso biônico, quem acabou governando, pela morte do titular, foi o ex-presidente da Arena, partido que governava junto com os ditadores, Sarney. De lá para cá, correu muita água por debaixo da ponte. Criação de partidos, coligações permitidas, troca de siglas, recursos públicos para reforçar a política partidária, tudo isso foi conseguido nos 30 anos seguintes. Até aqui, são os fatos, que repito (e repetirei) toda vez que achar necessário. No meio do caminho aconteceram diversas turbulências, entre elas, a eleição de Collor, sua cassação e a posse do vice Itamar Franco. Ele convidou para ministro da Fazenda, Fernando Henrique. Com sua equipe técnica e a aprovação de Itamar, criou o Real. Economicamente vivemos um tempo sob “céu de brigadeiro”. Muitos batiam no peito, faceiros porque a nova moeda superava o dólar. A velha mania de comparação onde o time menor vence o maior. David e Golias. Durante a implantação da democracia, que continua crescendo, porém ainda incipiente para meu gosto, surgiu o mensalão, combatido a ferro e fogo pelas instituições que ganhavam corpo. Então, tudo que está acontecendo não pode causar surpresa para ninguém. Mas causa. Faz parte da luta pelo poder. Todos querem mandar. Então, vou entrar no tema atual, as reformas propostas pelo governo. Todas foram propostas que Bolsonaro defendeu na campanha. Até mesmo antes de ser conhecido nacionalmente.

Reação do congresso em busca de poder
Falta de diálogo, segundo os legisladores, tem enfraquecido a aprovação das reformas. Cada vez que parece estar tudo em seu lugar, aparece mais um prego no sapato. Tudo porque o presidente não tem abrigado em seu governo, os indicados políticos dos partidos. E aqui entra minha desconfiança: Será que não é uma jogada ensaiada? Vamos analisar declarações de políticos. Bolsonaro, em determinado momento, declarou não ser favorável à reforma da Previdência. Mas reconhecia ela ser necessária e até era favorável para a negociação de alguns pontos que causavam divergência. Agora, em pleno debate sobre a aprovação, emite uma medida provisória, também promessa direta na campanha que o elegeu, liberando armas à população. Imediatamente teve a reação do presidente da Câmara (outro que o trem não pega), que assim se manifestou ontem na imprensa: “Temos que revisar decreto da armas: “Encontramos inconstitucionalidades”. Ele propõe entrar em acordo com o governo para revisar o ato. Deixando de lado outro tema importante: se a Coaf ficará com Moro ou com Guedes. Sua preocupação maior, que “mais o aflige”, é o decreto que regulamenta a posse de armas e o comércio livre. Alguns parlamentares pediram para a presidência da Casa Legislativa, sustar o decreto. Maia entra de rijo tentando mostrar que é negociador e afirma: “Prefiro aproveitar o bom momento de diálogo com o Executivo para que consiga mostrar o que essa casa considera ser atribuição nossa.” Agora, vem a pimenta deste velho e teimoso senil. O presidente Bolsonaro deve estar louco de contente porque estão dando respaldo para mostrar a seus eleitores que ele está cumprindo as promessas enviando os projetos, mas “o Congresso não está permitindo”. Se isso vier a se confirmar, é claro, ele voltará a gozar de prestígio junto ao eleitorado. O homem cumpriu, o congresso não aceitou. É uma desconfiança um tanto quanto maquiavélica. Concordam ou não?                

Deixe sua opinião